sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Histórias do Carnaval






















Agora é Cinza (1933) Bide e Marçal

Você partiu,
Saudades me deixou,
Eu chorei,
O nosso amor, foi uma chama,
O sopro do passado desfaz,
Agora é cinza,
Tudo acabado e nada mais !...

Você,
Partiu de madrugada,
E não me disse nada,
Isso não se faz,
Me deixou cheio de saudade,
E paixão,
Não me conformo,
Com a sua ingratidão.
( Chorei porque )

Agora desfeito o nosso amor,
Eu vou chorar de dor,
Não posso esquecer,
Vou viver distante dos teus olhos,
Ho ! Querida,
Não me deu,
Um adeus, por despedida !
( Chorei porque )

Esta música foi lançada nos ensaios da Escola de Samba Recreio de Ramos, da qual Marçal era vice-presidente, para o carnaval de 1933 com o título de "Tu partiste", mas foi modificada pelo parceiro Bide, Alcebíades Barcelos (foto da esquerda) tendo ficado com o nome "Agora é cinza". Bide foi quem introduziu ao samba o surdo, instrumento de orquestra, na bateria da escola. "Naquela época não tinha surdo em escola de samba. Era só pandeiro e tamborim. Precisava do surdo para chamar atenção do coro que ia na frente e manter o ritmo. Por isso fiz quatro surdos de latas grandes e redondas de manteiga. No carnaval seguinte, todo mundo veio do mesmo jeito", costumava contar o compositor, que morreu em 1975.

Bide nasceu no dia 25 de julho de 1902 e como sapateiro era um ótimo compositor. Sua primeira composição, Malandragem, caiu nas graças do público e de Francisco Alves. "O Chico ouviu esta música e foi me procurar. Naquela época ele não tinha nem carro", revelou Bide a Juarez Barroso, do Jornal do Brasil, em 1966. O compositor e ritmista Armando Vieira Marçal (foto da direita) nasceu em 14/10/1902 no Rio de Janeiro e faleceu em 20/6/1947. Formou com Bide uma das mais importantes duplas de compositores de samba da primeira metade do século passado. Ofereceram duas músicas ao grande cantor Mario Reis: "Durmo Sonhando" e "Agora é cinza" que deixou Francisco Alves escolher qual preferia cantar. Chico Alves escolheu a primeira e Mario Reis ficou com a segunda que fez enorme sucesso no carnaval de 1934 ao contrário da outra. "Agora é cinza" foi eleita por um juri de críticos em 1975, convocados por Marcus Pereira, como "o melhor samba de todos os tempos". É um grande exemplo de como eram diferentes os tempos de outrora, quando o samba saía direto do coração pro papel.


ASSISTA: Este vídeo é parte da entrevista de Mestre Marçal ao Programa Ensaio de 1991 da Tv Cultura, de Fernando Faro.

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