quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Próxima Homenagem, dia 25 de Abril de 2010!

Primeiramente, o projeto agradece a todos que participaram da enquete, encerrada esta semana. O objetivo da enquete era fazer uma pesquisa de gostos e preferências de compositores da geração de meados dos anos 70 e 80. Arlindo ganhou disparado, obviamente, pois é um dos grandes nomes do samba e está em grande evidência no mercado midiático. Para esclarecermos, o resultado da enquete não definirá o homenageado, desculpem o mal entendido e a restrição de informações, culpa da direção do blog. Claro que sem intenção! Portanto, considerando os ideais do Projeto 14 Sambas e suas finalidades no que diz respeito à divulgação dos artistas e compositores menos privilegiados do ponto de vista mercadológico, nosso PRÓXIMO HOMENAGEADO será SOMBRINHA.


Justificativa

Sombrinha fez por muito parceria com Arlindo Cruz (ganhador da enquete), 12 anos de Fundo de Quintal e 7 anos de parceria da dupla. Arlindo, merecidamente, tem grande êxito na carreira e é nacionalmente reconhecido. Sombrinha, menos votado a enquete, tem grande responsabilidade na carreira de Arlindo, reconhecida a amizade entre os dois, porém não seguiu as trilhas do sucesso mercadológico, mas tem grande aclamação por parte de quem gosta e valoriza o samba e foi personagem importante nas diretrizes do gênero dentro da cultura popular. Portanto, considerando o caráter do Projeto, enquanto socioeducacional e formador de público, que vai na contramão do processo midiático, buscamos adequar nossas homenagens aos que estão "fora de moda" e que ocasionalmente não estão nas paradas de sucesso das rádios e televisões. O tema do projeto será o Cacique de Ramos e a discussão será em torno das novas classificações que modificaram ou modernizaram ou se adaptaram à tradição do samba no Brasil.

Logo, mais informações precisas em relação ao local do evento.

Obrigado, Projeto 14 Sambas

ASSISTA: Três vídeos de Sombrinha no programa Samba na Gamboa da Tv Brasil, transmitido às 22h nas terças e apresentado por Diogo Nogueira, que recebe e entrevista grandes da nossa música, neste em especial, Sombrinha.


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Histórias do Carnaval

INTRODUÇÃO

Saulo Ligo, compositor, comunicólogo e músico

Este artigo traz em 3 capítulos a história da formação dos principais blocos de carnaval do Rio de Janeiro e desta forma do Brasil. Em especial o bloco Cacique de Ramos, responsável por uma mudança significativa na tradição do samba no decorrer da década de 60 até os dias de hoje. Modificações que estão sendo delineadas pelo tempo e pela disposição artística pela qual passa a grande mídia e os focos menos privilegiados de novos sambistas e compositores. Desconhecidos, porém novos e sedentos pelo espaço na história da cultura da música popular brasileira

"Cidade, quem te fala é um sambista
Anti-projeto de artista, teu grande admirador."
Paulo da Portela



A Cidade Mulher, de Paulo da Portela, nos tempos que o Brasil ainda estava coberto, antes dos Cari chegar, tudo isso onde pisamos e existimos e vivemos, era Ibi dos Abás, ou terra do homem índio, em Tupi-Guarani. A história do Brasil começa a ser contada em 1500, com a "descoberta", mas a estória já estava sendo contada em Tupi-Guarani, língua dos índios que aqui moravam. E uma porção deles, os Caiapó, os Tupinambá, os Cariri, que sambavam e muito, segundo diz Bernardo Alves, pesquisador pernambucano dos anos 60 e 70, autor do livro "A Pre-História do Samba". Dizem que em 1502, Américo Vespúcio, sim! aquele mesmo, que descobriu as Américas (dizem que foi ele) ao passar pela Baía da Guanabara, ficou embasbacado com o que via, e pensando ser um rio, ou um pará, deu o nome de Rio de Janeiro. No ano seguinte, um tal de Gonçalo Coelho, pousou na praia onde hoje é do Flamengo, junto a foz de um riacho e contruiu ali uma feitoria. O riacho, por conta desse Gonçalo passou e se chamar Rio Carioca. Isso na língua dos Tamoios significava casa de branco, ou seja, cari ou homem e oca, casa. Carioca, povo bão de samba, que só! Samba que no Rio de Janeiro ganha expressão nacional, o samba do Estácio. Na história do Brasil, Estacio de Sá, sobrinho de Mem de Sá, é quem funda a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, na praia de Fora, entre o Pão de Açúcar e o Morro Cara de Cão. As praias da Baía de Guanabara era lugar das tabas do índios Tamoios. A história também conta que Ismael Silva, junto aos bambas de lá do Estácio, montam o bloco Deixa Falar, devido às perseguições que sofriam com as mudanças que impunham ao desfilar, mudança essa foi a introdução do surdo, para dar a entrada do coro na volta da primeira parte do samba. No Largo do Estácio havia uma Escola Normal, daí Ismael Silva tirou a idéia de montar a Escola De Samba com o pessoal da Deixa Falar, um seleto corpo docente que formaria a academia do samba, no sentido mais pedagógico da palavra, e entre eles estavam Mano Aurélio, Nílton Bastos, Armando Marçal, Mano Rubens, Baiaco, Brancura, Heitor dos Prazeres, Mano Edgar, Bide e Juvenal Lopes. Outros blocos conhecidíssimos na época era o bloco dos Arengueiros e o bloco Estação Primeira, que Cartola organizaria a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira e blocos de Madureira que formariam a Portela, outra tradicional Escola de Samba.

Ramos, a capital de Leopoldina

A Zona Norte do Rio de Janeiro, compreende talvez os principais bairros da cidade. Dos bairros mais afamados como Tijuca, Maracanã e Jardim Guanabara. Lugares de intenso mercado popular como Madureira, Penha e Meier. Outras mais pobres como Mangueira, mas de grande efervescência artística, nada menos que Cartola e Nelson Cavaquinho são de lá. E também bairros que se industrializaram no começo do século XX, como Bonsucesso, Olaria e Ramos, na zona de Leopoldina. Esses dois últimos são especiais neste capítulo. Antigamente, no final do século XVI, aquelas terras foram divididas em duas sesmarias: a de Inhaúma e a de Irajá. Eram terras boas, à beira mar, tanto para a pesca quanto para a lavoura. Nas imediações eram comuns fazendas e engenhos de cana de açúcar, que predominavam com sua economia rural. A comunicação e a troca de mercadorias com a cidade era feita por estradas irregulares, dos tempos coloniais. Mais tarde com a chegada dos trilhos de trem, a monocultura deu lugar aos cafezais, com seus casarões situados em pequenas chácaras. Possivelmente a mão de obra era escrava. Isso caracterizaria a sociedade que ali era formada, dentro da miscigenação natural do país. Em meados do século XIX, a fazenda Nossa Senhora do Bonsucesso é desmembrada e uns dos lotes forma o coração de Ramos e Bonsucesso. Durante o reinado de Dom Pedro II que o bairro de Ramos começou sua história. O bairro começa a se estruturar, escola primária, cursos técnicos, teatro, cinema e a famosa praia de Ramos se desenvolve. E com o desenvolvimento vem a cultura, e claro, o carnaval. No início do século XX, os primeiros registros das festividades com a criação do Clube Familiar Carnavalesco Promptos de Ramos. E assim, outras sociedades foram criadas: O Clube dos Endiabradosde Ramos e os foliões do Ameno Heliotropos. Mais tarde, foi criado os Banhos de Mar à Fantasia, e outros blocos apareceram: Sai como Pode, Sereno de Olaria, Paixão de Ramos, Razão de Viver e o Boi da Coroa. Em 1931, surge a Escola de Samba Recreio de Ramos e tinha entre seus fundadores Armando Marçal, que foi vice-presidente da escola. Lá ocorriam afamadas rodas de samba, frequentadas por Mano Décio da Viola, Heitor dos Prazeres, Bide, que lançou ali o samba Agora é Cinza junto com Marçal, e Pixinguinha, que morava em Ramos e fazia em sua casa rodas de choro e grandes noitadas de serestas. Pixinguinha em 1956 compôs o Hino de Ramos, em homenagem à comunidade que sempre o reverenciou. Até o Maestro Heitor Villa-Lobos frequantava os pagodes de Ramos, compromissos que o levaram a se encantar por uma das moradores do bairro. Quando o Recreio de Ramos começa a se esvaziar até seu desaparecimento no final da década de 60, surgem duas novas agremiações: a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, em 1959, e o Bloco Carnavalesco Cacique de Ramos, fundado em 1961. Assim começa nossa História de Carnaval e o samba começa a ganhar uma nova forma com o futuro promissor do Bloco Cacique de Ramos, que seria o bloco mais famoso do Rio de Janeiro.

Aspectos sociais, o Cacique de Ramos e o samba

Década de 60. A esfera política no mundo está em transformação, mudanças sociais e de pensamentos. A sociedade da época tinha na bagagem toda a carga das reestruturações geopolíticas, herança da década de 50 e da Segunda Guerra Mundial. Assim o mundo estava dividido em dois eixos: Capitalistas e Comunistas. Fora toda carga trazida da era moderna, das grandes navegações ao desconhecido, as investigações científicas, os filósofos iluministas que deixavam o teocentrismo e o feudalismo para trás, colocando o homem e a razão no centro do universo, a ascensão da burguesia nas classes sociais, a revolução industrial e os novos conceitos trabalhistas, mesmo não tendo direitos, só conquistados na Revolução Francesa, Liberdade, Igualdade e Fraternidade! e uma relação de mercado visando a produção numa ótica cada vez mais globalizada. As Grandes Guerras marcaram profundamente as nações, derramando sangue e estabelecendo critérios de raça cruéis disseminando o preconceito racial no mundo, mas forçaram o avanço tecnológico, talvez fato imprescindível ao conceito da internet, com o domínio das ondas de freqüência e a tecnologia. O Rio de Janeiro estava em constante transformação e a capital se transferindo para Brasília em 1960, no governo de Juscelino Kubitschek. Seu sucessor Jânio Quadros governa por 7 meses e renuncia. Então, seu vice João Goulart assume a presidência, mas sob pretexto de influências e tendências comunistas de Jango, em 31 de março de 1964 um conjunto de manobras políticas culminariam no golpe militar e uma ditadura de 21 anos, isso tudo incitado pelo Golpe de Estado aplicado no dia 1º de Abril...até parece mentira! É neste ambiente que jovens na média de 20 anos de idade criam o Bloco Cacique de Ramos, que foi fundado em 20 de Janeiro de 1961, dia de São Sebastião, padroeiro da cidade, na rua Uranus em Olaria. O projeto cultural do bloco trouxe como símbolo a imagem do índio, a história e a voz do povo, que estava preocupado com o carnaval carioca, a principal manifestação cultural da cidade.
A imagem do índio, na vez de cacique, remonta toda a história do Brasil, do passado e do trajeto a seguir para o futuro. Entre os fundadores estavam jovens com nome de índio, como Ubiraci, Ubirani, Ubirajara, Aimoré e Maíra, todos dados por motivos religiosos. Muitos moravam nos subúrbios de Leopoldina como Ramos, Olaria e Bonsucesso e saim pelas ruas no carnaval vestidos de índio, pulando e dançando, milhares de índios. Desde o fim da década de 60, as rodas de samba ficam freqüentes na quadra de ensaio do bloco. Ali eram cantados e resgatados os sambas tradicionais feitos em terreiros de sambas das escolas e a própria tradição de se fazer samba em fundo de quintal, chão de terra e quadra. Desse encontro de sambistas e reuniões de pagodeiros e partideiros, no sentido puro da palavra, que nada mais é que reunião de sambista para se fazer samba, surge o grupo Fundo de Quintal, apadrinhado por Beth Carvalho, que em 1978 convidou o grupo pra gravar em seu disco "Pé no Chão". O grupo fundamenta-se em torno de dois irmãos, um o Bira Presidente, nome que categoriza sua função no Cacique de Ramos e o outro Ubirani, filhos de pais extremamente representativos no mundo do samba. O pai é sambista nascido no Estácio, amigo de grandes nomes do samba e a mãe é prestigiada mãe de santo, formada na tradição umbanda e iniciada aos 16 anos no terreiro de Mãe Minininha de Gantois, na Bahia. Os outros integrantes são Almir Guineto, que introduziu o banjo, Sombrinha e Jorge Aragão, na harmona e Sereno e Neoci nas percussões, este último filho de João da Baiana, um radical do pandeiro no Brasil. O grupo, transformados pelo contexto social, movidos por incrível criatividade musical, trazendo um remolde dos padrões sonoros e timbres de percussões, que antes não faziam parte do tradicional, como o repique de mão, inventado por Ubirani, o tantãn, criado por Sereno, o banjo, instrumento que Arlindo Cruz iria fazer história, depois que entra para o Fundo de Quintal, com a saída de Almir Guineto e Jorge Aragão em 1981 para seguirem carreira solo, e o falecimento de Neoci. O samba de estava de cara nova, com elementos novos e que haviam caído nas graças do povo. Com isso, todo um plano mercadológico é construído, pelo apelo popular e novos pagodeiros e batuqueiros e compositores e cantores surgiam nas rodas do Cacique. O mercado vai ficando inflamado e o nome pagode vai sendo difundido e requisitado, novos nomes, novos sambas falando das coisas do subúrbio, numa linguagem nova, restaurada, quebrando paradigmas e estéticas no jeito de cantar, dando espaço ao improviso, ao cantar à vontade e um novo modo de expressar o samba. Dali saem novos grupos, que sustentados artisticamente pelas novidades caciqueanas vão ganhando espaço na mídia, ganhando mais apelo popular, rádios, programas de TV e o que era um subgênero, vira sinônimo de samba. O pagode ganha dimensões estilísticas e vai pelas décadas de 80 e 90 a dentro, contaminando as classes equivalentes no país todo. As gravadoras e editoras sustentam hoje um grande império do pagode que foi construído sob a imagem do samba e muitas vezes a história ficou contada pela metade, deixando de lado alguns itens que identificam o samba enquanto gênero de grande circulação e consumo popular. O samba de fato marca como um giz, por isso é preciso cuidado ao perceber a arte através do tempo. Como a própria frase diz, o giz ele marca mas não cicatriza, deixa o tempo e o caminho da arte direcionar seu rumo, baseado nos costumes sempre contemporâneos mas não desvinculados do passado histórico da música que deve ser sempre respeitado e compreendido. Dessa forma, as tradições populares, os costumes regionais e característicos de cada localidade, com seu sotaque, sua cor, sua dimensão deve ser preservado, para assim o samba ser eterno. Eterno porque é raiz. Radical é aquele que busca nas raízes.

ASSISTA este pequeno documentário sobre o Cacique
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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Sombrinha

Montgomery Ferreira Nunis, paulista de São Vicente, é mais conhecido como Sombrinha, cantor, compositor, cavaquinista, bandolinista, banjoísta e violonista. E um dos fundadores do grupo Fundo de Quintal, junto com Almir Guinéto, Jorge Aragão, Bira, Ubirani, Sereno e Neoci. Autodidata, Sombrinha começou cedo a tocar. Aos 14 anos, ganhou do pai um violão de 7 cordas e passou a tocar em casas noturnas. Em 1977, aos 18 anos, já era profissional, e gravou com Baden Powell e Originais do Samba. Dois anos depois, estava na cidade do Rio de Janeiro. Além do grupo Fundo de Quintal, ele tem em seu currículo, vários sucessos. Em 1980, compôsMarcas no leito, com Jorge Aragão, sucesso na voz de Alcione, depois regravada por Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, o próprio Aragão, Ivone Lara, Chico Buarque e Caetano Veloso, entre outros. Ao longo da carreira, colecionou 10 Prêmios Sharp de Música, desde os tempos de Fundo de Quintal. Três deles, como melhor composição, para as canções Além da razão, Nas rimas do amor e Ainda é tempo pra ser feliz.

CONFIRA: Trechos de algumas entrevistas cedidas por Sombrinha.

COM QUE IDADE COMEÇOU A CARREIRA DE MÚSICO? Comecei muito cedo. Aos 14 anos ganhei um violão de sete cordas do meu pai e comecei a tocar em casas noturnas. Hoje, além do violão, toco cavaquinho, banjo e bandolim. Em 1977, quando completei 18 anos, já tocava profissionalmente. Foi aí que gravei com Baden Powel e os Originais do Samba.

VOCÊ TEVE ALGUMA INFLUÊNCIA MUSICAL? Existem várias, como Chico Buarque, Paulinho da Viola, Pixinguinha, Jacó do Bandolim. Meu pai fazia rodas de choro, e desde menino, acompanhava meu pai. Sempre respirei a boa música.

TEM ALGUÉM QUE ALÉM DE INCENTIVO TENHA TE AJUDADO NO INÍCIO DA SUA CARREIRA? Meus grandes amigos Almir Guineto, Jorge Aragão e Neoci, que fundou o grupo Fundo de Quintal, foram sem dúvida pessoas que me incentivaram a dar o pontapé inicial na minha carreira.

EXISTE ALGUMA DIFERENÇA ENTRE O SAMBA QUE ERA FEITO ANTIGAMENTE DESTE QUE É PRODUZIDO HOJE EM DIA? A diferença é que o samba daquela época foi uma revolução melódica. Acabou acontecendo.Nós íamos para o terreiro cantar músicas, mas inéditas e fizemos uma escola. Em 1984 foi que a coisa arrebentou de vez mesmo. O pessoal de hoje faz pagode, com músicas que tocam na rádio. Na nossa época, o Beto Sem -Braço vinha e mostrava uma música e depois que ele mostrava todo mundo já aprendia e cantava junto.. eu, o Jorge Aragão, o Zeca, o Arlindo Cruz. E isso criou um movimento muito forte de compositores e músicos. E hoje nós somos referência. Já o pagode é um estilo que foi criado, que eu não tenho nada contra. Acho que é válido. Eu costumo dizer que cada um faz o que sabe.

TU QUE JÁ RECEBESTE VÁRIOS PRÊMIOS, ENTRE ELES DEZ DO SHARP DE MÚSICA, QUAL É A CONTRIBUIÇÃO DESTES PRÊMIOS PARA O SAMBA? Acho que é a melhor possível. Veja bem, de todos os sambas, você ganhar como melhor compositor, é maravilhoso! É o reconhecimento de um trabalho que foi construído ao longo de quase 30 anos. Foram dez prêmios Sharp de Música, sendo três como compositor. Vale esse reconhecimento e eu tenho muita estima pelos prêmios de música do Brasil. Causa uma certa segurança para a gente fazer cada vez melhor.

TENS COMO APONTAR UM ARTISTA QUE TU CONSIDERE A REVELAÇÃO DO SAMBA? Para mim, todos são contemporâneos, não tenho como apontar. Eu acho, sinceramente que depois do Fundo de Quintal a coisa parou, não teve criação e novidade dentro do samba. Tanto como movimento,tanto como compositores.

HOUVE ALGUM MOTIVO PARA TER SAÍDO DO FUNDO DE QUINTAL, PARA FORMAR DUPLA COM ARLINDO CRUZ? Nenhum motivo em especial. Larguei porque já estava desgastado para mim. Já havia 12 anos que estava no Grupo. Queria fazer uma coisa diferente, como misturar as músicas com choro, valsa... Uma coisa que tivesse mais a minha cara, e lá eu não tinha esse espaço. Então, sai e formei dupla com Arlindo, que durou sete anos. Foi uma fase de sucesso. Gravamos cinco discos.

VOCÊ DESMANCHOU A DUPLA PARA LANÇAR CARREIRO SOLO. MAS VOCÊ E O ARLINDO CONTINUAM AMIGOS? Sim. Somos amigos. Ele é o meu compadre. Cada um está seguindo sua vida agora.

ASSISTA: Ensaio com Arlindo Cruz e Sombrinha, pela TV Cultura, programa de Fernando Faro.

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Almir Guineto

Almir de Souza Serra nasceu no dia 12 de julho de 1946 no Morro do Salgueiro, Rio de Janeiro. Criado em meio a músicos de primeira linha como Geraldo Babão, Antenor Gargalhada e muitos outros, Guineto cresceu influenciado pela veia sambista de seu pai, Iraci de Souza Serra, respeitado violonista e integrante do grupo Fina Flor do Samba, e de sua mãe, Nair de Souza Serra – a “Dona Fia”, costureira do Salgueiro e figura ancestral do samba. Dono de uma voz inconfundível, única, rascante, o cantor, músico e compositor ingressou aos 16 anos no grupo Originais do Samba, fundado por seu irmão mais velho, Francisco de Souza Serra – o “Chiquinho”, onde tocou por dez anos. O “Rei do Pagode” - como ficou conhecido – conduziu a bateria do Salgueiro por 15 anos e ao sair deixou o posto para seu irmão mais novo, o lendário “Mestre Louro”. No final dos anos 70, em meio à alta sonoridade dos couros de tantãs e pandeiros da época, Almir adapta o banjo americano ao samba do Cacique de Ramos. Também é neste período que Guineto começa a se destacar, durante os pagodes, como versador imbatível, partideiro incontestável, devido à sua criatividade e divisão de tempo na aplicação das rimas de improviso. Apoiado por Beth Carvalho, Almir Guineto oficializaria em 1980 a fundação do Grupo Fundo de Quintal, ao lado dos parceiros Neoci, Jorge Aragão, Sombrinha, Bira, Ubirany e Sereno. Após a gravação do disco “Samba é no Fundo de Quintal”, Almir deixaria o conjunto a partir de 1981 para cantar em carreira solo. Almir Guineto é hoje grande representante do pagode, compositor assíduo, voz marcante e tem raízes profundas na história do samba.

ASSISTA: Zeca Pagodinho interpreta Lama nas Ruas, parceria com Almir Guineto.

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Arlindo Cruz

Arlindo Domingos da Cruz Filho (Rio de Janeiro, 14 de setembro de 1958). Aos sete anos, o menino ganhou o primeiro cavaquinho. Aos 12 começou a aprender violão com seu irmão, Acyr Marques. Entrou para a escola Flor do Méier, onde estudou teoria, solfejo e violão clássico por dois anos. Ainda novo começou a fazer rodas de samba e conheceu Candeia, padrinho considerado de Arlindo, com quem gravou seus primeiros discos, tocando cavaquinho. Ao completar 15 anos foi estudar em Barbacena MG, na escola preparatória de Cadetes do Ar, mas não abandonou a música. Cantava no coral da escola. Começava, então, a nascer o compositor Arlindo Cruz, que ganhou festivais em Barbacena e Poços de Caldas. Quando deixou a Aeronáutica, passou a freqüentar a roda de samba do Cacique de Ramos, que já revelava novos talentos. Lá, conheceu seu principal reduto de samba, onde ganhou reconhecimento musical como compositor e instrumentista. Com a saída de Jorge Aragão do Fundo de Quintal, foi convidado a participar do Grupo. Foram 12 anos de dedicação e projeção nacional. Saiu do Fundo de Quintal em 1993 e começou um carreira solo, logo depois fez parceria com Sombrinha. Tem mais de 550 músicas gravadas por diversos artistas. Hoje goza de grande aclamação popular e é um dos compositores mais ativos do país. A impressão que fica é que, mesmo envolto pela indústria cultural, Arlindo não perde suas raízes e tem mãos batizadas em berço esplêndido de sambistas. Hoje, juntamente com Zeca Pagodinho, Maria Rita e Marcelo D2, Arlindo Cruz causa uma profunda (re)transformação do samba na sociedade. Romper paradigmas é acabar com preconceitos.

ASSISTA: Neste vídeo estão Arlindo Cruz e Sombrinha, no Programa Ensaio da Tv Cultura.

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