sexta-feira, 30 de julho de 2010

Salve Toniquinho Batuqueiro!

É com grande prazer que posto este documentário produzido em Piracicaba. O vídeo é o primeiro da série Histórias do Samba, apresentando Seu Toniquinho Batuqueiro. A produção é resultado de uma oficina de História Oral e produção de Documentário ministrado em junho de 2010 no SESC Piracicaba, pela FILÓ Comunicação e pelo historiador Pablo Carajol. 
Vamos ao que interessa e sem mais delongas! Bom filme a todos!


















quarta-feira, 21 de julho de 2010

Mestre Candeia

Vou pelas minhas madrugadas a escutar samba e escrever o que se passou, pois não é toda dia que tem roda de samba...mas bem que poderia. Agora pouco me veio à lembrança um samba de Candeia, Pintura sem Arte, e com ele uma enxurrada de pensamentos, neles veio o Projeto 14 Sambas, que comemora 5 anos de samba e quem puxou o verso inicial foi Mestre Candeia. Aí pensei logo: por que não fazer uma roda cantando os sambas de Candeia e relembrar o projeto, minha justificativa é não ter participado do primeiro Projeto 14 sambas, pois não conhecia a querida e hoje minha escola de samba, Comunidade Quilombola, pois foi onde aprendi o que é uma roda de samba tradicional. Mas antes de articular esta roda com a força dos amigos, vale a pena comentar a obra e vida de Antonio Candeia Filho, um autêntico sambista brasileiro.

Biografia Comentada





Antônio CANDEIA nasceu em 1935, no dia 17 de agosto e cresceu no bairro de Oswaldo Cruz, berço da Portela. Sua infância foi marcada pela vida cultural regada de choro, influência do pai flautista, de samba e partido alto, pois conhecera Paulo da Portela, Claudionor Cruz, Zé com fome e Luperce Miranda nas rodas familiarizadas desde criança. Candeia se forma num ambiente marcante para a música popular, o período de formação e estruturação das escolas de samba do Rio de Janeiro, onde conceitos de identidade nacional e tradição popular eram delineados pelas festividades carnavalescas, diante da mais pura manifestação cultural de um povo, da qual se instaura as bases do carnaval brasileiro, dos desfiles organizados e temáticos, envolvendo comunidades representadas por pessoas que traziam o samba como bagagem cultural de vivencia e porque não, de resistência popular. Provavelmente, o contexto em que se formou sambista foi de crucial importância para e efetivação de seu nome na história da música brasileira, considerando que Candeia era frequentador da Escola de Samba Vai Como Pode, que deu origem à Portela e que daria suporte para nos anos 70 participar de um movimento de resistência à imposições externas que mudariam o rumo das escolas de sambas, defendendo que tais influências poderiam distorcer (e como distorceram!) a concepção de cultura construída pelo povo em relação ao samba. A crítica de Candeia e outros integrantes portelenses, entre eles Paulinho da Viola, era que na década de 60 muitas pessoas sem identificação com o samba passaram a modificar a escola e interferir estruturalmente no carnaval, chegando a deturpar os sambas antes comuns aos portelenses que viviam o dia a dia da escola e da comunidade. Quero ressaltar a importância desse fato, documentado e passível de análises que condizem com as angústias dos questionadores portelenses que discutiam os rumos particulares e portanto identificados com a história da Portela, pois realmente as modificações explicitadas foram incorporadas e espetacularizadas no carnaval, distorcendo o seu real sentido de manifestação popular para produto comercial.
A postura de Candeia demonstra seu braço firme e pulso forte pelo samba e suas razões, comprovado em seus sambas, marcados pela poeticidade autêntica do sambista que nos permite separar seus 30 anos de composição, pois começou compor aos 13 e morreu precocemente aos 43 anos. A primeira fase condiz com sua formação de sambista, com forte influência do partido alto, do comprometimento com as causas e políticas negras, das letras marcadas pelo sofrimento do pobre, do marginal, das injustiças, dos preconceitos. Em 1957 entra para a polícia, pois era uma atividade que trazia certa segurança financeira e prestígio social em detrimento do preconceito racial, mas sua história na milícia acaba trágica. Numa batida policial em 65, Candeia descarrega a pistola nas rodas de um caminhão abordado e acaba surpreendido pelo motorista que desfechou cinco tiros, um deles alojou-se na medula óssea. Paralítico, afastou-se da profissão, mas o trauma de vida perturbou-lhe e assim começa a segunda fase de sua obra musical. O acontecido acometeu depressões que foram expressas em frases desinteressadas do presente e passado, mas que Candeia carregaria como marca poética em sambas falando sobre questões existencialistas e filosóficas demonstrando o abalo psicológico e das dificuldades que passa a enfrentar. Felizmente a filosofia do samba canta mais alto e a chama de Candeia se eternizou em sambas saudosos e que revivem nas rodas de samba em todos os cantos do país.
Superando todas as adversidades e cantando outras, Candeia teve a trajetória artística impecável e traduziu em sambas suas idealizações e concepções a respeito do samba e suas raízes. Ganhou o enredo do carnaval com 17 anos, formou conjuntos de compositores, foi gravado por muitos artistas, escreveu livro e lançou discos com outros grandes nomes do samba como Elton Medeiros, Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, ilustrados na foto. 


Para finalizar a postagem, fiquem com o samba "Pintura sem Arte" de Candeia, para ilustrar a profundidade  das letras, nesta em especial, pois trata do acidente que o imobilizou as pernas e conduziu uma fase poética marcada pela tristeza e lamento dos versos. 








PINTURA SEM ARTE Candeia

Me sinto igual a uma folha caída
Sou o adeus de quem parte
Pra quem a vida é pintura sem arte
A flor esperança se acabou
O amor, o vento levou
Outra flor nasceu é a saudade
Que invade tirando a liberdade
Meu peito arde igual verão
Mas se é pra chorar, choro cantando
Pra ninguém me ver sofrendo
E dizer que estou pagando

Não, não basta ter inspiração
Não basta fazer uma linda canção
Pra cantar samba se precisa muito mais
O samba é lamento, é sofrimento, é fuga dos meus ais
Por isso eu agradeço a saudade em meu peito
Que vem acalentando o meu sonho desfeito
Jardim do passado, flores mortas pelo chão

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O SAMBA INDÍGENA


por Saulo Ligo

Lembro-me, numa das conversas passadas com o amigo Fabio do Ecos, ele me apresentou novas idéias sobre o surgimento do samba. O caso era que Bernardo Alves, um pesquisador pernambucano, escrevera um livro intitulado "A Pré-História do Samba", lançado em 2002 e neste livro ele apresentara levantamentos históricos que colocam o samba no berço indígena no nordeste brasileiro. E o assunto já vem sendo proposto há muito tempo, pois o folclorista Sílvio Romero, ainda no século XIX admitiria estar convencido, o samba é de origem indígena. Romero chegou a tal conclusão analisando documentos históricos coloniais, de escritores como Fernão Cardim e Couto de Magalhães. 


O fato é que, no romper do terceiro milênio, muitas conclusões à respeito do samba e suas origens ganham sentidos nunca antes atrelados, sentidos esses que perpassaram o tempo e conviveram na desarticulação das informações, tantas vezes dirigidas e endereçadas aos interesses particulares. Acontece é que o tempo passa e as pessoas mudam, com isso devo eu tirar minhas próprias conclusões, porém indicando a fonte da informação pra não dizerem que não tem fundamento ou não faz qualquer sentido. Os tempos são outros, mas a carcaça é a mesma erigida dentre milênios de florestas e centenas de séculos de civilização. 

No livro "Origem do Termo Samba", publicado em 1978, Batista Siqueira nos dá a pista das discussões inacabadas e que nunca terão sentido se não considerarmos que a palavra "samba" pode sofrer conotações distintas de acordo com o idioma que corresponder e que este fato é principal causador de desavenças, pois se buscar a origem da palavra na África, na Jamaica ou numa língua indígena, diferentes denotações serão postas em choque. Inclusive, Jacques Raimundo, autor do livro O Negro Brasileiro de 1936, põe em contraste o significado em tupi para a palavra samba que quer dizer "dança", com o sentido conguês que quer dizer "oração". Por isso antes de levantar suspeitas vamos nos ater aos aspectos históricos e contextos sociais das épocas que envolvem o Samba para não suplantarmos culturas que no fundo se complementavam, pois nos levantamentos históricos fica explícito a influência portuguesa nos indígenas com a introdução de novos instrumentos musicais. Isso mostra a suscetibilidade das culturas em se apoderar da cultura dos outros.

Bernardo Alves, postula em seus estudos que o samba era prática surgida entre os índios do nordeste brasileiro, talvez mesmo antes do descobrimento, incorporando posteriormente influências européias e africanas. No litoral nordestino os Tupi classificavam um grupo de tribos que pertenciam aos povos Kariris. Eles eram chamados pelos Tupis de Tapuias. O termo tapuia significa intruso, bárbaro, inculto; embora os intrusos estivessem no continente americano antes mesmo dos Tupis. Para situarmos no tempo, estamos falando de pelo menos 10 mil anos. Fabio Gomes, em seu Panorama Histórico da Música Brasileira, resume os estudos de Bernardo Alves e nos introduz ao conceito do samba indígena. O trecho foi retirado do site Brasileirinho: (o link estará no final da postagem)

"SAMBA - O samba nasce com as músicas cantadas ao som de flauta e maracá durante as festas “sambahó”, nas quais os índios cariri do sertão de Pernambuco comiam cágado (um parente da tartaruga) e consumiam bebidas fermentadas, provavelmente mesmo antes da chegada dos portugueses. O contato com estes (principalmente os jesuítas) permitiu aos cariri incluir no samba viola, pandeiro e tamborim, ainda durante o século 17. Descendentes de índios e portugueses, os mercadores caboclos que compravam mercadorias em Olinda e Recife e as revendiam no sertão ajudaram a divulgar o samba, permitindo que este fosse conhecido pelos negros do litoral, que lhe reforçaram a percussão e colaboraram com sua difusão por todo o Nordeste. Ao final do século 19, dezenas de grupos denominados “sambas” desfilavam no carnaval do Recife, ao lado dos grupos de maracatu. O ritmo só passou a ser conhecido no Sudeste a partir da decadência da economia açucareira do Nordeste, com o conseqüente êxodo de escravos para as novas lavouras de café. É então que começam a acontecer no Rio festas de samba em núcleos de pernambucanos e baianos emigrados."

Um texto consistente e convincente, no que diz respeito aos estudos de cultura popular. A conclusão que tiro momentaneamente é que para o bem da cultura popular brasileira, os estudos dos rítmos brasileiros e das tradições populares necessitem de novas ambições, que se traduzam no âmbito nacional e realmente possibilitem a maior compreensão daquilo que nos envolve quando falamos em Cultura, no sentido mais abrangente da palavra, afinal somos todos produtos do mesmo meio, embora as coisas boas desse nosso Brasil sejam deixadas de lado. Para que os "finarmente" não se traduza em pessimismo, fica a esperança de que o leitor sinta-se à vontade para questionar e pensar o que quiser, basta falar. Estamos às ordens do samba!


LINKS:



terça-feira, 1 de junho de 2010

1 ano do Clube do Samba de Piracicaba

ôoo Maria, ôoooo Maria...Salve Maria! Maria Araújo é a chefa do clube, ao lado do amigo Alê que bota ordem na casa. Casa do samba de Piracicaba, ou melhor, Clube do Samba. E o clube completa um ano.  Eu como sou um frequantador quase sócio estarei presente nesta data tão importante e estarei junto da querida Comunidade Quilombola que vai esquentar o samba lá. Salve o samba, salve Maria!
 
 
 
 


quinta-feira, 27 de maio de 2010

Germano Mathias no Municipal!

Grande notícia, samba no Teatro Municipal de Piracicaba! O samba dos tempos idos se aprimorou e sem cerimonias entrou para o salão da sociedade. Cartola e Carlos Cachaça ja disseram isso há muito. O samba se transformou, como sempre, e vem se transformando com o passar do tempo e o esquecimento do passado, embora viva na memória de poucos que mantém a chama acesa, mas sempre se renova como água da fonte. Claro que o galão de 20 litros sai mais caro e a tendência é aumentar, mas ainda dá pra pagar o preço do samba, pois ainda é bem representado por geniais artistas e Germano Mathias é um deles, autoridade do samba paulista, o catedrático, o sincopado Germano Mathias, o sambista diferente, a ginga do asfalto da paulicéia e samba é com ele mesmo.


Em continência ao samba, Germano Mathias se apresenta amanhã, no Teatro Municipal "Dr. Losso Netto" às 20h00 e o espetáculo é evento da 1ª Semana de Cultura Artistica, promovida pela ACAP, Associação de Cultura Artística de Piracicaba que comemora 85 anos.  

O sambista

Nasceu no dia 2 de junho de 1934, no bairro do Pari na capital paulista. Germano Mathias começou a carreira em 1955, na Rádio Tupi de São Paulo, quando participou do concurso À Procura de Um Astro. Germano gostava de acompanhar a batucada dos engraxates em rodas de sambas das praças do centro de São Paulo. Daí veio a habilidade em tocar latinha de graxa, característica do samba da paulicéia e que marca a personalidade de Germano. Por causa da latinha de graxa, foi convidado tocar frigideira na Escola de Samba Rosas Negras da rua Lavapés, no Cambuci. Aí foi um pulo pro rádio e Gemano tem uma voz que impressiona, pois quando participava em programas radiofônicos, todos achavam que era negro, pela marca vocal de samba sincopado, malandreado e como o próprio diz: com suas presepadas. Quando chagou à televisão, surpreendeu a todos que achavam que era negro, e lá estava Germano, um jovem, figura rara do samba brasileiro, o branco mestiço por brasilidade, que logo ganhou o apelido de Catedrático do Samba, por Randal Juliano, apresentador do programa Astros dos Discos, na TV Record em virtude de um diploma de Bacharel do Samba da Ordem da Palheta Dourada, outorgado pela Escola de Samba X-9 da cidade de Santos, em 1967.   
Germano Mathias foi o primeiro cantor a gravar uma música de Geraldo Filme. Gravou canções de Zé Keti, Nelson Cavaquinho e Martinho da Vila. Com Jorge Costa fez seus maiores sucessos, como O Baile do Risca Faca e Falso Rebolado. Foi campeão de venda de discos, faturou com comerciais e chegou até ganhar um automóvel de uma gravadora. Outros sucessos vieram em seguida como: A Situação do Escurinho, Falso Rebolado, Guarde a Sandália Dela, Tem Que Ter Mulata, Malvadeza Durão , Malandro de Araque, Baile do Risca Faca, Bonitona do Primeiro Andar, Nega Dina, Cambalacho e Jeronimo (Essa música foi tema do personagem de mesmo nome na novela Cambalacho da Rede Globo). Participou de dois filmes: O Preço da Vitória e Quem Roubou Meu Samba. 
Hoje, com todo o sucesso do passado, Germano mora na lembrança dos que viveram uma outra época e na memória dos que ultrapassam a linha do tempo do samba e conhecem o gênero com naturalidade. Germano é fundamental para a história do samba paulista e assim, brasileiro. Germano foi incentivado a investir na carreira musical por Toniquinho Batuqueiro, piracicabano lendário, cidadão e imperador do samba de São Paulo. Na época Toniquinho disse ao Germano: "se você quiser fazer sucesso, procure o rádio! E o conselho foi ouvido...o tempo passou...hoje o Catedrático reflete sobre a idade, que o atapalha de duas maneiras: alguns o acham velho demais pro sucesso e os produtores novos não o conhecem. Por que será? Adiciona ele no Orkut, ou no Facebook, ou no Sonico, ou no Myspace, ou procura no Google.


Ou copia o link aqui, baixa uns discos dele e aproveita pra salvar o blog nos favoritos! 
http://pratoefaca.blogspot.com/search/label/Germano%20Mathias 


ASSISTA: Alguns vídeos do Germano Mathias na televisão virtual, o Youtube!


quarta-feira, 19 de maio de 2010

Projeto 14 Sambas

Última semana para o Projeto 14 Sambas, está tudo pronto! E coincidentemente, nosso projeto cai na semana da Virada Cultural de Piracicaba. Se você não encontrou SAMBA na programação da Virada, vai lá no 13 de Maio que tem samba! 

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Um dia para se pensar...

O abolicionismo é antes de tudo um movimento político, 
para o qual, sem dúvida, poderosamente concorre o interesse 
pelos escravos e a compaixão pela sua sorte, 
mas que nasce de um pensamento diverso: 
o de reconstruir o Brasil sobre o trabalho livre e a união das raças na liberdade.
Joaquim Nabuco, 1883

O tema é extenso e complexo. Não quero entrar em detalhes profundos, nem defender aspectos, causas ou circuntâncias. É um dia para se pensar. Discorrer sobre o abolicionismo é refletir sobre liberdade e qual seria esta liberdade. A escravidão não é algo exclusivo do Brasil, mas atravessou os séculos e porque não, milênios. Os Hebreus eram vendidos como escravos, assim como os gregos e romanos praticavam os excessos da escravização em seus sistemas econômicos.
No Brasil, desde o início da colonização, negros foram trazidos como força de mão de obra para trabalhar nos engenhos de cana. Uma simples pesquisa nos mostra que nos fins da Idade Média, no Renascimento e motivados pelo Iluminismo, a escravidão era tema recorrente dos papas que defendiam a liberdade dos seres independente da razão étnica. Porém, no Brasil não chegava a informação e dados mostram que segundo Caio Prado Junior, até 1850 cerca de 3 milhões e meio de escravos chegaram ao nosso país. 
Em 1850 foi feita, no Brasil, a Lei Eusébio de Queirós que impunha punição aos traficantes de escravos, assim nenhum escravo mais entrava no país. Agora eles eram movidos de lá pra cá no território nacional suprindo carências em lavouras. Em 1871 foi feita a Lei do Ventre Livre que declarava livre os filhos de escravos nascidos a partir daquele ano, e em 1885 a Lei dos sexagenários, que concedia liberdade aos maiores de 60 anos. A abolição mesmo vem ao dia 13 de Maio de 1888, pela Lei Áurea. Dona Isabel sancionou a lei, na sua terceira e última regência, estando o Imperador D. Pedro II do Brasil em viagem ao exterior.
O Brasil foi o último país independente do continente americano a abolir completamente a escravatura. A Lei Áurea foi apresentada formalmente ao Senado Imperial pelo ministro Rodrigo A. da Silva no dia 11 de Maio. Foi debatida nas sessões dos dias 11, 12 e 13 de maio. Foi votada e aprovada, em primeira votação no dia 12 de maio. Foi votada e aprovada em definitivo, um pouco antes das treze horas, no dia 13 de maio de 1888, e, no mesmo dia, levado à sanção da Princesa Regente. No Paço Imperial, às três horas da tarde do dia 13 de maio de 1888, os brasileiros comemoravam o fim da escravidão. 
Mas vamos pensar um pouco. Fim da escravidão. Podemos olhar e tirar conclusões nesses 122 anos que se passaram. Os escravos nasciam e já eram posse dos donos de terra. Hoje nascemos e ganhamos uma identidade, logo um CPF e carteira de trabalho. Assim todos precisam trabalhar. Se para os escravos o lucro era permancer vivo, hoje o salário nos mantém vivos. Trabalhamos e trabalhamos, sujeitos aos moldes do Estado e do Sistema Capitalista dos banqueiros. O dinheiro nos modela, quanto mais se ganha, mais se gasta. Quanto mais alguém tem, menos outro tem. E assim como os escravos, aos 60 anos somos libertos do trabalho. Já não temos a mesma saúda e vitalidade, mas podemos ficar sentados vendo TV e jogando xadres. Agora pense na sua liberdade. Até onde podemos ir sem barrarmos com um pedágio ou uma catraca? Boa semana e boa liberdade a todos!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Sr. Brasil


Nesta terça, 27 de abril, às 22h, o aclamado programa Sr. Brasil da Tv Cultura, apresentado por Rolando Bondrin, receberá Roberto Mahn e o Regional Imperial  formado por João Camarero (7 cordas), Junior Pita (violão), Lucas Arantes (cavaco), Marcio Modesto (flauta) e Rafael Toledo (pandeiro). 



Roberto Mahn, o Seresteiro, nasceu em Piracicaba e desde pequeno, influenciado pelo avô que colecionava discos e livros, tomou gosto pela música popular brasileira e quando mais velho, passou a  freqüentar rodas de choro, samba e seresta na cidade natal até que foi lançado como cantor na noite da seresta, tradicional festa realizada no largo dos pescadores na rua do Porto. 


Seresteiro tem um estilo próprio e personalidade que reconstrói toda uma estética musical dos tempos de ouro da nossa música. É acompanhado pelo excelentíssimo regional Imperial que nos dá a maravilhosa impressão de estar ouvindo os discos do Conjunto Época de Ouro, devido à precisão de timbres e formas musicais características do grupo. Um verdadeiro espetáculo!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dia Nacional do Choro




Neste dia de hoje, 23 de Abril, há 113 anos nascia Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha. É por esta razão que na data de seu nascimento (23 de abril de 1897) é comemorado o dia Nacional do Choro, data que foi sancionada por lei originada por iniciativa de Hamilton de Holanda e seus alunos da Escola de Choro Raphael Rabello. Homenagem mais do que merecida! Pixinguinha aprendeu música em casa, filho de flautista funcionário público que obtinha grande coleção de partituras de choro. Além de filho era irmão de músicos, entre eles Otávio Vianna, o China, que integrou o Conjunto Oito Batutas (1919), regional que incorporou o pandeiro e outros instrumentos de percussão ao choro, que até então, era formado essencialmente por violões, flauta e cavaquinho, quando não um oficlide (foto direita), antecessor do sax. Pixinguinha é considerado um dos maiores compositores da história da música brasileira. Logo aos 15 anos começou a atuar como músico nos cabarés da Lapa, até substituir o flautista titular na orquestra da sala de projeção do Cine Rio Branco. Sua presença era constante em casas noturnas, teatro de revista e nos ranchos carnavalescos, manifestação esta que foi importante na consolidação futura do samba como gênero musical pois era nestes festejos que muitas adaptações eram empregadas nos ritmos que conduziam o carnaval e a dança dos foliões, quando o Entrudo desgasta-se como brincadeira na época de carnaval devido à desorganização e falta de padrão nas brincadeiras que sempre extrapolavam em badernas reprimidas pela polícia da época. Por sua genialidade musical e por considerar que Pixinguinha nasce numa época de intensas mudanças sociais no Rio de Janeiro pela abolição da escravidão, que transformou a sociedade trazendo novas condições econômicas e novas camadas populares mais baixas, os negros abolidos. É por esses aspectos que podemos traçar paralelos que consagram Pixinguinha como o grande contribuidor para que o choro encontrasse uma forma definitiva, pois a sociedade e brasileira adentrava o século XX, imersa nos fundamentos republicanos, industrializando-se, com fortes influências de pensadores modernistas, transformados pelas manias e costumes franceses. Claro que é uma suposição, mas pode muito bem ter relação com as transformações que se instauram no Brasil República, na busca da identidade nacional, dos grandes debates étnicos que envolviam o grosso da população brasileira que se mistura em crenças, cores, culturas, dialetos, mitos por 3 séculos adentro. 



Por este motivo, é necessário esclarecer algumas questões que surgem quando se fala em Choro e Pixinguinha, especialmente. De fato Pixinguinha define ou se aproxima muito disso, mas para tal ocorrência é preciso haver um passado que se dissolve em novas interpretações e perspectivas que o próprio tempo modela e que a realidade social permite abrir caminho dentro das possibilidades que são arbitrárias quando na relação de eventos e coincidências que vão colocando pessoas nas vidas umas das outras. É justamente esse passado que foge do pensamento contemporâneo quando ele está imerso em artificialidades e absorto em propagandas consumistas que nos distanciam de nossa originalidade. Mas eu não gosto de TV. Não troco o bom e velho livro pela varredura das telas plasmáticas, exceto em ocasiões onde a tecnologia conspira com o pensamento crítico e evolutivo. Numa das minhas recentes investidas em punhados de livros, uma amiga me trouxe à experiência o José Ramos Tinhorão e finalmente pude ler seus livros e não artigos como antes. E não é que funciona! Tinhorão é fogo e ele foi às fundas nos trazer informações mastigadinhas. Em suas obras pude ter a real dimensão da profundidade e da extensão da música popular brasileira. Acredite, se você ouvir dizer qualquer coisa sobre o termo MPB, questione ou duvide. Não é tão simples assim exprimir ou resumir nosso passado. Como se vê estou enrolando com receio de escrever asneiras. Mas vamos lá! Considerando que o homem através do recurso da palavra, com significados e símbolos e adjetivos e substantivos e buscando um discurso eloqüente é possível denotar e conotar novas idéias. E é entendendo isso que por meio de estudos e registros o homem conseguiu expressar valores de épocas passadas e foi através da arte que essas expressões ganharam vida no imaginário popular. Tinhorão foi buscar a música, mas deve ter descoberto que aspectos sociais e econômicos não podiam ficar de fora do assunto, pois é nessa rede de relações e interações que as ações humanas conseguem se demarcar no tempo. E volto a dizer: a arte construiu o mundo no qual vivemos. 



Foi através desse pensamento que busquei construir minhas objetivações e procurei entender os processos que traçaram a história do nosso país, sempre atento em buscar fontes seguras de pensamentos, como Tinhorão, Gilberto Freyre e Sílvio Romero. Quando li "Musica Popular: da Modinha à Canção de Protesto" de Tinhorão, pude perceber que no Brasil, há muito tempo vem se buscando uma linha poética e que através dos séculos os mais consagradas literatos sempre tiveram extrema intimidade com a música, que pode ser considerada popular desde os tempos da Modinha do mulato Domingos Caldas Barbosa (foto ao lado) e sua viola. Pode se afirmar que a Modinha é o primeiro gênero de canto brasileiro dirigido ao gosto da gente das camadas médias das cidades. O irônico é ver que essas primeiras canções eram vistas como profanas e cobertas de indecências. E também é evidente a influência portuguesa, pois foi de lá que muitos instrumentos e gêneros musicais vinham, quando daqui voltavam riquezas minerais e especiarias para a corte. Outro fato importante foi a vinda da Família Real ao Brasil em 1808, que trouxe ao país uma nova elite, novos aspectos sociais e culturais, pois dessa forma novas infraestruturas foram empregadas à colônia que a partir de então passava a abrigar a Corte Portuguesa e Dom João VI e a rainha louca. Só no Brasil pra acontecer essas coisas! Desse modo, novas políticas foram aplicadas, novas resoluções comerciais envolvendo Inglaterra e a abertura dos portos no contexto da guerra peninsular, dias após a chegada ao Brasil. Esse evento acabaria com o pacto colonial onde o Brasil tinha exclusividade na relação com Portugal, fato esse que colaborou para a independência do Brasil e diga-se de passagem, um fato muito estranho, pois a independência se deu nas margens do Ipiranga, só que em São Paulo. E o que São Paulo tem a ver com a independência se a Corte ficava no Rio? São Paulo sempre foi o centro financeiro do país e foi nessas terras que os conceitos republicanos ganharam expressão, pois os filhos de aristocratas cursavam faculdade na Europa. Foi talvez a primeira Independência sem revolta popular. O povo tava pra lá de Bagdá. E se os paulistas eram bons de fazer dinheiro com cana e café, os cariocas eram bons de fazer arte e cultura, pois foi com a vinda da Corte que chegaram pianos, novos gêneros e ritmos, inclusive a Modinha de Caldas Barbosa, que tempos antes havia conquistado a Europa e voltado ao Brasil já alterada. Aqui o que havia para divertimento eram as festas ou forrobodós nas casas dos populares que não tinham acesso aos bailes da Corte Real. E quem animava as festas nas casas eram os mestiços das camadas inferiores, que tinham renda suficiente para comprar violas, violões e cavaquinhos. No Brasil Império quem ditava a "moda" eram os poetas românticos e os seresteiros e o som que saía da cidade era a música dos barbeiros, isso mesmo os barbeiros. A partir dos batuques e percussões dos negros, surgiram canções através do desdobramento melódico dos estribilhos por tocadores de viola branco e mestiços, a música dos barbeiros, pois aprendiam a solfa nos colégios dos jesuítas desde o século XVI. Se a música inicialmente era usada para catequizar, pois utilizava da habilidade dos índios e negros tocadores, essa cultura européia entrou em choque com a confusão social dos séculos XVI e XVII e se estendeu até a metade do século XVIII, quando novas ordens sociais organizavam e distribuíam os povos que saíam das zonas rurais e passariam a habitar as cidades, formando o povo da cidade. Nessa, a música já estava sendo adaptada aos costumes e misturas do povo e futuramente a categorização de cargos que se tornavam precisas para organizar as classes nas cidades deu  liberdade necessária para a efetivação da nossa música enquanto popular e autêntica, pois sempre os novos rumores musicais saíram de classes mais baixas e que tinham cargos públicos, como é o caso do pai de Pixinguinha, ou profissões comerciárias que os tornavam autônomos, isso com a mistura dos cantos dos negros que mesmo trabalhando cantavam, o ócio dos barbeiros que faziam outros trabalhos que lhes davam notoriedade e tempo e mãos livres para desempenhar a música sem preocupação ou funcionalidades. E ao passo que a cidade se organizava e estruturava, os músicos e a música se organizava também. 




Quando o século XIX passa da metade, muitos grupos musicais já haviam se estabelecido enquanto manifestação social e popular. E tudo que vinha de fora era adaptado aos violões, flautas e cavaquinhos,   pois a partir de 1835, o termo "chorões" já era registrado por Alexandre Gonçalves Pinto, músico, que relatava a vida e obra de seus amigos músicos no livro O Choro - Reminiscências dos Chorões Amigos, onde é possível estabelecer relações cruciais ao surgimento ou coroamento do choro de Joaquim Callado, a quem se dá o mérito de pai dos chorões. Seu grupo era formado por sua flauta solo e cavaquinho e dois violões, que eram capazes de improvisar sobre o acompanhamento harmônico. Podemos interpretar o ocorrido com Joaquim Callado da seguinte forma: seus companheiros chorões conseguiram fixar um novo modo de interpretar modinhas, lundus, valsas e polcas. Dentre estes seus amigos estão Viriato Figueira (figura da esquerda) e Chiquinha Gonzaga (figura da direita). E assim o século XX chega para consagrar a música brasileira, com a chegada dos primeiros gravadores junto à Casa Edson. Entramos dessa forma numa nova era, a Era da Informação, conseguida como muitos afirmam com a advento das guerras. A partir de 1902, quando chega ao Brasil os primeiros gravadores, nas próximas décadas a tecnologia avança e no Brasil acontece a primeira transmissão em 1922, inaugurando assim a Era do Rádio. O choro e o Brasil já haviam conhecido Pixinguinha e outros chorões, mas aquilo que se inicia por volta de 1830, ganha corpo em 1870 e vida com Os Oito Batutas, desfalece na década de 30, quando o samba se impõem como produto nacional na campanha de Getúlio Vargas. Aqueles velhos chorões ensacaram os seus violões e guardaram as flautas nos baús, mas o que era primeiramente visto e tido como um jeito novo de tocar, harmonizando e improvisando sobre músicas avulsar, passou a ser reconhecido como gênero musical, o Choro. E  dessa escola se fizeram muitos e muitos chorões e grandes instrumentistas que se eu for citar dá umas 200 linhas. Mas não vou deixar de falar de nomes piracicabanos ligados ao choro como o professor Sérgio Belluco, seu aluno Alessandro Penezzi, a grande revelação Marcos Moraes e Marco Abreu, nosso Pixinguinha piracicabano, que está lançando neste dia de hoje seu Soonbook com composições próprias. E tem gente boa vindo aí, atentem para Marcus Godoy, Leandro Oliveira e Rafael Barros. E viva o choro brasileiro!
Saulo Ligo                                                                                                                      

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Núcleo Musical Xô Segunda!

Mais do que válido. É necessário salientar elogios ao Núcleo Xô Segunda, uma genial idéia do amigo Crânio. Não será preciso falar do ambiente daquela noite, gente feliz, papo em dia, samba bom e um lugar pra lá de especial é o Bar Cruzeiro, que já entrou pra história da cidade nessa retomada da música piracicabana. Quero exaltar a idéia do Núcleo, pois não é de hoje que sei das intenções do idealizador do projeto, ele que já me azucrinou por diversas vezes e sempre insistindo no assunto do autoral. Nunca discordei, e sim compartilhei. Mas tudo é tempo. De fato as coisas que plantamos no tempo certo têm safra garantida no futuro. E estamos no futuro, estamos no tempo da reviravolta, da reforma musical, de rever conceitos e padrões muitas vezes impostos sem a chance de escolha entre outras formas de manifestação musical. E no Núcleo da segunda-feira no dia dos índios, o autoral comeu solto e mostrou que tem muito mais vida do que se pensa. Lá se valorizou o regional, o compositor, o desconhecido.
O Núcleo Xô Segunda me causou uma alegria que há muito não sentia em relação ao samba piracicabano, porque ele trouxe por intermédio do querido Fabio, nosso Crânio, um alento e que aos meus olhos é um passo a frente para novas discussões e perspectivas para por na pauta tudo o que nossa cidade tem para oferecer de novidade. Novidade que está acontecendo desde os tempos passados, coisa de séculos atrás, quando a música brasileira surgia do imaginário do povo, da criatividade, do anseio pelo novo, pelo autêntico e foi o virtuosismo do povo, da sua plástica, da facilidade com que se adapta e incorpora o desconhecido e transforma como que num passe de mágica e muita brasilidade, sempre buscando a criação, a cria do criador, sem imitação, que nossa música nasceu. Assim a música brasileira sempre surgiu do inesperado, do inusitado.
A novidade é a válvula transformadora do ser e a música é a solução mais exata dentro das suas particularidades abstratas que movem as mãos e mentes transformadoras do homem. O samba é a maior invenção do brasileiro e não pode ser resumida em corporações mercadológicas. O Núcleo rompeu com essa intermediação. Ali o compositor senta ao lado do cantador e do tocador que estão ao lado do apreciador e do falador e bater de palmas que somam e multiplicam o sentido daquilo pra todos. O samba deve ser consumado e não consumido. Deve ser digerido e não engolido. Essa força não deve morrer e sim movimentar novas engrenagens que propagarão o samba para todos os cantos, sem lateralismos, sem restrições, sem tradicionalismos, sem privilégios. O samba deve ser multiplicado e não subtraído ou subdividido nas mãos de elites corporativas da máquina mortífera do sistema que queima dinheiro.
O passo foi dado. Agora é andar com as próprias pernas, pois a consciência nasce ímpar e só depois se torna coletiva. Vamos sempre dar valor ao regional e apreciar a música boa, sem alimentar egos ou preconceitos, para não colher ignorância. Vida longa ao Xô Segunda e que dê ainda muitos ecos aos nossos telecotecos!
Saulo Ligo

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Samba da Paulistânia!




Hoje me veio à cabeça escutar samba, como de bom costume. Logo comecei a cantarolar um samba do Grupo Casuarina, lá do Rio. Um samba bonito chamado Certidão, que fala dessa coisa meio complexa que é a possessividade sambística de apropriação do samba e de sua história como se fosse possível resumir, sintetizar ou mesmo precisar origens ao ponto de esclarecer de quem ele é. O samba é coisa que liberta a alma, que alivia o corpo e aquece o espírito. Por essas razões ele, o samba, não pode ser aprisionado. Tem que ser liberto e expressado da melhor forma possível, cantando, tocando e fazendo. Mas Casuarina não era o que eu queria ouvir naquele momento, embora ache bem interessante a mistura de linguagens, misturando o tradicional com o samba modernizado, do naylon, do banjo e com bateria. Então mudei de estação e fui buscar o Samba de Fato, junto com a Cristina Buarque, autoridade do samba brasileiro. Essa mulher tem história e samba pra cantar. E foi lenha na fogueira, relembrei um belíssimo Cd só de sambas de Mauro Duarte. Nesta hora meu coração já estava batendo 2 por 4. Mauro Duarte é o que tem de melhor no samba em todos os tempo, na minha opinião, pode falar o que for. Aquele samba canção, meio dolente, aquela melancolia boa falando de tristeza com muita beleza, falando de injustiça com muita resignação e sabedoria, sentimento de poeta que sabe as coisas boas do mundo, tudo guardado nos seus sambas eternos, e diga-se de passagem, muito bem executado pelo Samba de Fato, de fato. Esses caras são bons, sabem tudo de samba e por isso podemos todos ficar tranqüilos que o samba está bem guardado. Agora estava consumido, possuído de samba. Dormir? Quê!? fui escutar mais...Como diria o seu Ambrósio: vou lá conferir! E como que por impulso botei Anabela pra tocar, Cidade das Noites. Agora sim, a razão deste depoimento, meio dramático com gosto de samba. É uma das coisas mais bonitas de se ouvir no que diz respeito ao samba contemporâneo, pois não sei ainda outra forma de taxar, mas hei de descobrir! Um álbum primoroso, caprichosamente arranjado por Edu de Maria pelo visto, Ana com sua Bela voz sambarolando letras de Roberto Didio e melodias de Renato Martins. Os compositores são membros do Terreiro Grande, reduto de samba em São Paulo, lá o samba mora também. Anabela e Edu de Maria são integrantes do Núcleo de Samba Cupinzeiro, grupo de Campinas gabaritado no assunto. 
Anabela, Renato Martins, Roberto Didio e Edu de Maria


Quero deixar claro que expresso simplesmente o que sinto pelo samba e que busco sempre entender sua história para poder pisar o chão daqueles que enxergam seu tapete estendido através do esclarecimento e do respeito. Não querendo contradizer o início pois acredito que o samba não deve ter fronteiras, muito menos aquelas com barreiras de vaidades floreadas de egos e ilusões. Mas vamos por os pingos nos is e se der nos jotas também: se for pra falar de samba paulista, temos que incluir sempre os nomes destes bambas da paulistânia. Cidade das noites traz um sentimento novo, nunca experimentado no paladar do samba. Desculpem o exagero, mas sei no fundo que não é. Pois nele você mergulha no universo do samba, ali tem as rosas de Cartola, ali tem o espinho de Nelson, ali tem o choro negro de Paulinho e Pixinguinha, ali tem tem história de samba pra mais de métricas. É música brasileira pura. Tem toques de coisas do nosso povo de longe, das Modinhas, das Canções , dos Maxixes...uma aquarela mestiça, de branco, de negro, de índio e tudo que pisou e misturou por estas terras. Por mim já está na história. 
Saulo Ligo



ASSISTA: Aqui postarei junto ao amigo YouTube alguns vídeos desses e outros bambas da terra nossa. Este vídeo abre o repertório do Núcleo, Lamento Negro (Edu de Maria e Bruno Ribeiro).

Depois uma sequência de sambas de Adoniran Barbosa: Despejo na Favela, Abrigo de Vagabundos e Iracema. 


Para complementar o retrato paulista, Menino Grande de Geraldo Filme! O Geraldão da Barrafunda diria com exuberância Plínio Marcos.


E pra fechar a noite, vou provocar meu povo. Aí está, o grande Oswaldinho da Cuíca que pisou recentemente em terras piracicanas de Toniquinho Batuqueiro. Um samba da parceria e não poderia ser mais adequado o nome: Ditado Antigo.