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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil

Leandro Narloch é jornalista e autor deste livro, recentemente lançado pela editora Leya. O livro desmistifica alguns acontecimentos históricos através de informações um tanto quanto polêmicas, comparadas às que nos foram repetidas e ensinadas nas escolas de educação. Se pensarmos bem, a era democrática é reestabelecida em 1985 com o fim da ditadura militar, que vigorou desde 1964 e que tivemos um outro governo ditatorial que foi o de Getúlio Vargas, final dos anos 30 e início dos anos 40. Ou seja, os contextos políticos do século XX estão mais do que estabelecidos, estão sendo estudados e pesquisados como nunca antes, pela liberdade científica que acelerou nossos padrões de vida, sejam eles condicionados ou não. O livro de Leandro Narloch pertence a esta nova geração de historiadores e pesquisadores do Brasil, pensadores do século 21, que estão desmascarando e redesenhando o novo trajeto da educação brasileira, ancorados na nova verdade dos fatos de documentos antigos descobertos e analisados. Narloch ressalta alguns fatos como o de Zumbi e seus escravos, Santos Dummont não fez o avião, sobre os comunistas do Brasil e diversos outros temas fervorosos. Mas um deles nos interessa bastante e é quando ele fala do samba. Leandro faz uma leitura fria dos acontecimentos políticos e sociais na história do samba e sem se prender a dogmas ou categorias ortodoxas de defesas musicais, desce a caneta e aprofunda ainda mais a eterna discussão sobre o samba. O samba e o fascismo encontram relações nas palavras do autor, quando a algazarra dos entrudos e blocos de carnavais passa a ser educada pelas premissas militaristas que percorrem o mundo. O samba ganha padrão de desfile, organiza-se em marcha, instrumentaliza-se com temas nacionais, remetendo à busca de identidade e necessidade de auto afirmação do país em relação ao globo. O autor esclarece e classifica alguns períodos e suas consequências, como a influência jazzistica com que Pixiguinha e Donga inserem nas composições próprias, a influência do modernismo, relata as críticas aos autores que misturavam a música brasileira ao estrangeiro e as questões polêmicas em torno disso. Enfim, um ótimo livro para as mentes inquietas! Consumam informação.
por Saulo Ligo

quinta-feira, 25 de março de 2010

O Mistério do Samba



Não tem nada disso.
Depois é que o samba foi para o 
morro. Aliás, foi para todo lugar.
Onde houvesse festa nós íamos.
Donga

Aqui vai a dica! Pra quem gosta de samba e tem o gosto da leitura, esse é um livro indispensável que Hermano Vianna nos deu. Já no prefácio, Sergio Cabral abrilhanta a obra e introduz o autor, que apresenta no livro uma versão bastante modificada da tese de doutorado que defendeu com o tema em questão na UFRJ. Porém, o livro mostra a performance do samba no Rio de Janeiro capital e vai a fundo na sua transformação social que o levou a símbolo da identidade nacional. O livro traz a discussão que movimentou os intelectos do século XIX com o "problema" da mestiçagem no Brasil, onde discursos contraditórios o envolvem, causando debates sobre a política nacionalista e o papel do mestiço brasileiro, até as primeiras décadas do século XX visto como mau elemento na sociedade carioca e que denegriam a imagem do Brasil em relação ao mundo. Hermano busca analisar vários aspectos que levaram o samba ao posto de música nacional, introduzindo conceitos de grandes pensadores brasileiros como Gilberto Freyre, que ganha um capítulo exclusivo, autor do livro Casa Grande e Senzala (leitura obrigatória) lançado em 1930 e que modificou as estruturas do país ao mostrar os valores positivos que a mestiçagem trouxe ao Brasil, tendo influenciado inclusive  Getúlio Vargas que instaura o Estado Novo e carrega o samba como produto nacional. O livro começa com um encontro inusitado e por muitas vezes corriqueiros na sociedade carioca mas que Hermano Vianna traça como histórico e monta o enredo do livro entorno desse encontro em 1926 que envolveu o historiador Sergio Buarque de Holanda, Prudente de Moraes Neto, os compositores Heitor Villa-Lobos e Luciano Gallet, e os brasileiríssimos Pixinguinha, Patrício Teixeira e Donga, além do Gilberto Freyre em sua primeira visita ao Rio. Não preciso falar mais nada. Boa leitura!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Dica de DVD - Martinho da Vila - O pequeno burguês

Uma conversa de "buteco" este é o tom deste DVD onde Martinho confortavelmente fala e canta várias histórias de sua carreira, ladeado de sua família e músicos incríveis. O riso é certo e a sensação que se tem é de estar no próprio butequim do Martinho. Historias de desfiles antológicos da Vila Isabel, a "dureza" para se gravar o primeiro disco e fatos da vida de bom malandro de Martinho este belíssimo trabalho. Abaixo uma pequena amostra destre grande trabalho, para como dizia meu avô, "lhe atiçar a lombriga". por Fábio

sábado, 11 de abril de 2009

Os "Messias" de chapéu Panamá


Imaginem a cena, o sujeito chega vestindo um belo chapéu Panama incorporando um típico malandro, faz pose e conta histórias facinantes embaladas a músicas que nem o maior dos saudosistas lembraria. Neste momento rouba a festa, impressiona, e entre cantos e analogias finalmente desperta o interesse dos presentes. Porém como "o caminho entre o céu e o inferno é estreito", alguns destes trajados de chapeú Panamá ( que ainda acreditam que só a vestimenta é a ferramenta) continuam a cometer um dos maiores pecados que pode existir para o universo coletivo do samba. Isolando-se em seus conhecimentos e julgando-se detentores de verdades absolutas alguns (pois generalizar seria um lamentável equívoco) cantores, batuqueiros e estudiosos, ainda afastam através de momentos de extrema arrogância e estrelismo muitas pessoas que foram cativadas pelo fascínio de seus próprios discursos e músicas Não basta só um "chapéu Panamá" e cantorias para se fazer sambista. É preciso acima de tudo comunhão e humildade, pois são estas as ferramentas necessárias para exercer o que de melhor o samba fez, o ato de ensinar e aprender, neste conturbado coletivo de transformações , onde mesmo diante de dificuldades ele jamais se fez por vencido. por Fabio

domingo, 5 de abril de 2009

Lundu um dos patriarcas do samba


Para muitos pesquisadores o samba separa-se através de dois processos, um mais relacionado ao corpo, através das danças envoltas a sensualidade e desenvoltura corporal e outro musical embalado a ritmos percursivos praticados pelos negros escravos. O Lundu também seguiu este processo. Estudiosos afirmam que foi trazido por escravos bantos, tendo como origem provável Angola e Congo. O Lundu em seu período mais "patriarcal" tinha como tema a dança. Escravos simulavam um convite sexual do homem à mulher; onde esta que a princípio simulava resistência durante a dança, entregava-se aos caprixos do homem ao final da mesma. Em decorrência da demasiada sensualidade, lubridade e apelo sexual, forte demais aos padrões da época (o inicio do Lundu data de meados de 1780) e por ter raiz na veia escrava, os nobres da época criaram represálias e proibição da dança. Para sua sobrevivência o Lundu se adequou, europerizando-se e adotando padrões mais "embranquiçados" onde mais "brandos", (a dança ficou menos sensual onde homens e mulheres dançam soltos, formando um semi-círculo onde cada par, após dançar no centro, volta ao seu lugar; dançando todos juntos no final ) fez surgir o Lundu-canção. Com letras comicas, o Lundu-canção disfarçou-se e difundiu-se para as classes dominantes, alcançando aceitação. Através deste disfarce imbutiu nos temas de suas letras amores condenados pela sociedade, exaltação a mulher negra e mulatos, sem abrir mão totalmente de suas características esculturais, tanto na forma ritmica quanto na de expressão corporal. Estudiosos afirmam que o Lundu foi a primeira música negra adotada pelos brancos dominantes em função de seu "amulatamento" citado acima. Do Lundu muitos outros ritmos surgiram como o maxixe, chote e até o próprio samba. Hoje alguns projetos tentam manter viva esta manifestação porém com o decorrer dos anos várias alterações na sua forma de expressão e indumentária já ocorreram, como a que veremos nos vídeos abaixo do grupo de lundu Marajoara. por Fábio

quarta-feira, 18 de março de 2009

Dica de DVD - Samba a Paulista

Uma ótima dica para quem quer saber mais sobre as nuances do samba paulista é o documentário Samba a Paulista feito pelos alunos da USP. Este belíssimo DVD narra como em uma colcha de retalhos fatos e figuras ilustres que participaram deste processo de lutas e vitórias na construção deste gênero dentro do estado de São Paulo. Dividido em três blocos, o documentário pretende mostrar a trajetória do gênero musical no estado, sem se ater a uma linha cronológica muito definida. Conforme um dos idealizadores do projeto diz: “A gente resolveu abordar uma junção de fragmentos, porque não existe uma história completa, definitiva, do samba de São Paulo. Há uma limitação de registros. Então, partimos de pequenos fragmentos, como depoimentos e fotos, para montar uma linha guia: o samba que vem do interior para a capital e a transformação que ele sofre a partir disso”, conta o diretor do projeto, Gustavo Mello, ex aluno de publicidade ECA- USP. Infelizmente este é um DVD de difícil acesso mas a TV Cultura costuma passa-lo em sua programação, aí vale a pena os interessados ficarem de olho da programção do canal. Abaixo o vídeo promocional do Projeto.por Fábio

domingo, 15 de março de 2009

O importante trabalho do Instituto Moreira Salles - Livro O Choro de 1936 para você baixar aqui.



O Instituto Moreira Salles está fazendo o importante papel de revitalização de importantes obras ligadas a música e a cultura popular. Registros históricos de obras que traduzem de perto o que foi este processo e sua importância dentro do cenário cultural brasileiro. Estaremos disponibilizando aqui em arquivos PDF tais obras através do próprio link do próprio Instituto. A segunda obra que postaremos aqui será o livro "O Choro de Alexandre Gonçalves Pinto do ano de 1936" onde o autor destaca através de linguagem simples e casual suas experiências e percepções deste rítmo que na época comecçava a se formar.Pinto destaca fatos e contos inerentes a tal meio, gerando uma ótima leitura para quem quer entender e se aprofundar mais nos mistérios deste ritimo. Para baixar o livro é so clicar no link rosa ao lado O Choro de Alexandre Gonçalves Pinto do ano de 1936. por Crâ

domingo, 8 de março de 2009

Ahhh estas mulheres!!! Parabéns pelo seu dia

Estava tudo preparado para o tradicional chá em comemoração ao dia da mulher entre Leci Brandão, Tia Ciata e Madrinha Eunice.Tia Ciata como sempre encontrava-se na cozinha preparando os quitutes e comentando sobre as influências das reuniões em sua casa à madrinha Eunice que chegara um pouco atrasada em função dos compromissos da escola de Samba Lavapés. De repente Leci Brandão, a mais nova das três e eterna ativista dos direitos humanos veio felicíssima falar dos progressos que do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade e o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher ao qual era filiada e batalhadora, estavam alcansando, contando também a Eunice e Ciata que fora convidada a comentar, por uma gande emissora de televisão, o próximo desfile de carnaval, a primeira sambista negra a conseguir tal fato. A conversa estava cada vez mais animada e as três discutiam também sobre as transformações e lutas as quais estavam inseridas, além da força que a mulher brasileira exerce atualmente na sociedade que se forma. Ao final de várias horas de conversa se despediram e partiram cada qual para seus devidos compromissos e batalhas. Embora "infelizmente" este encontro se reduza a uma fábula recheada de fatos verídicos, outro fato inegável, no caso de Leci Brandão e outras mulheres inclíveis que ainda se encontram entre nós é sua importância em nosso cotidiano, motivo o qual presto esta homenagem à todas as mulheres . Parabéns a nossas mães, esposas, namoradas, confidentes e em especial à "todas as mulheres" que rodeiam nosso Projeto 14 Sambas, Projetos de vida e também a Comunidade Quilombola representadas aqui neste post na primeira foto, por estas figuras inclíveis, que diversas vezes dedicam seu tempo e paciência em prol de nosso ideal com muita alegria e disposição. Parabéns à todas pelo seu dia. por Fábio

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Carnaval e suas variações do mesmo tema - Parte IV - "Irreverência e Alegria"



E para encerrar estas "variações do mesmo tema do carnaval" vamos falar agora de Renato Luiz. F. Conceição, o Renato Sorriso que desde 1997 contagia o Sambódramo da Sapucaí esbanjando irreverência e alegria. Força interior, política, amor, garra, valentia com certeza são fatores fortes no carnaval brasileiro e também na vida dos indivíduos, mas isto ainda seria pouco se não injetássemos ao conjunto um pouco de irreverência e alegria. Renato Sorriso é um exemplo vivo deste processo, pois o que começou com ginga, carisma e alegria processo que ocorria toda vez que este gari, passava limpando a Sapucaí após o desfile das escolas de samba, hoje o levou ao status celebridade, participando de novelas, especiais, DVDS e palestras motivacionais sobre filosofia de vida, Sorriso tem em seu currículo shows na Europa ao lado de Elza Soares, Jair Rodrigues e Alaíde Costa, participando também da novela “America”, de Gloria Perez, e atuando em comerciais ao lado de Gisele Bündchen e, mais recentemente Zeca Pagodinho. Quando o assunto entra no quesito bom humor e otimismo Renato é unanimidade. Sobre a profissão, instalado em seu escritório em um banco da Praça Xavier de Brito no Rio de Janeiro mesmo gozando de todo sucesso e fama que hoje possui, ele diz que não vai abandonar a vassoura, ferramenta que também lhe ajudou na vida, tendo como planos escrever um livro sobre sua experiência de vida : “Quero escrever sobre a minha vontade de crescer, de viver”, diz. “Estou galgando”, observa, referindo-se também à sua formação escolar que em 2009, vai cursar o terceiro ano do ensino médio. Renato Sorriso ainda afirma “Acho bacana o que eu faço. Acho bonito ser responsável por uma área, por uma rua. Os moradores confiam em mim, me valorizam muito”, diz. “Só peço uma coisa: se um dia eu errar, não venha me dar uma bronca, venha me explicar como é o certo. Porque eu faço com coração”. Realmente o extraordinário está no caminho de fatos aparentemente comuns ou será que seriam mesmo incomuns diante da nossa imediatês diária? Salve o samba e toda sua magia. Abaixo vídeos sobre as façanhas deste valoroso sambista. por Fábio

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Carnaval e suas variações do mesmo tema - Parte III - "Amor, garra e valentia"



Jorge Costa de Oliveira, o mestre Taranta, comandou a bateria da Verde e Rosa no ano de 1984 a 1995, sendo o responsável pelo único estandarte de ouro da bateria ganho até hoje. No ano de 2007 com a renúncia de mestre Gato, Taranta assumiu as pressas o comando da bateria e já ao tomar posse foi dizendo que seu "maior objetivo era trazer de volta a batida tradicional da Mangueira". Conforme os que o conhecem, mestre Taranta pertence a uma geração que comanda os ritimistas sem dar "dor de cabeça a diretoria". Em dezembro Taranta ficou três meses internado e, como sofre de diabetes teve de amputar todos os dedos de seu pé direito. Mas quando todos pensaram que ele não voltaria mais a comandar a bateria da escola no sambódramo, o mestre se recuperou e mesmo sem poder andar garantiu que comandaria o desfile da escola na Marquês de Sapucaí, fato que realmente ocorreu: "No momento preciso descansar para me sentir bem no dia do desfile. Quero estar junto com a Mangueira no carnaval. Não vou ficar de fora. Como não posso andar, talvez venha em cima de um carro pequeno, tipo um tripé de meio metro de altura, para ver os ritmistas e comandá-los" - disse Taranta. No dia do desfile auxiliado por mestre Marrom e demais apoiadores, Taranta empolgou a Mangueira em um exemplo vivo de amor, dedicação e garra pela escola que tanto vive, conforme veremos no vídeo abaixo. por Fábio

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Carnaval e suas "variações" do mesmo tema - Parte II - "A força interior e política"




No último domingo Luís Antonio Feliciano Marcondes (Neguinho da Beija Flor) e Elaine Reis fizeram seus votos em plena Sapucaí, 10 minutos antes do desfile da escola que ele defende a 34 anos sair para desfilar. Vítimado por um câncer no intestino Neguinho além de celebrar a aliança conjugal também celebrou a vida de duas formas. Uma em função da doença que o faz buscar superaração todos os dias e a outra de tamanha valia relativa ao nascimento de sua filha de 5 meses. Através deste gesto, Neguinho além de comprovar sua importância no mundo do samba, também mostrou a influência do samba no campo político. Afinal em seu casamento estavam presentes várias autoridades,um juiz de paz e ninguém menos que o presidente Lula junto com a primeira dama, que mesmo não participando diretamente da cerimonia apadrinhou o casal. Guardadas as devidas proporções, o casamento de Neguinho da Beija Flor me fez lembrar das festas na casa de tia Ciata (clique neste link para saber mais sobre tia ciata), onde vários políticos e autoridades além de pedir bençãos a mãe de santo bahiana, discutiam, se aconselhavam e faziam política na até então capital brasileira, local de maior influência política da época. Conforme Neguinho da Beija Flor declarou antes do desfile “Essa é a noite mais importante da minha vida. A gente esta vindo de uma cura, esta dando tudo certo”. Após o casamento o intérprete foi defender o samba enredo da Beija Flor, e ao final do desfile era só emoção na dispersão da escola. Com os olhos cheios d'água declarou: "Graças às rezas de vocês, estou aqui. Tenho muito apoio do povo em geral, pelos meus 34 anos de Sapucaí. Pedi a Deus que me desse força para atravessar bem a Avenida. Tive que pegar muito fôlego para não comprometer a escola. Mas independente do resultado na apuração, já estou me sentindo um verdadeiro campeão na vida por terminar este desfile, que é o mais importante da minha vida". É Neguinho com certeza seu nome já entrou para história, e embora seu casamento não tenha tido a tradicional chuva de arroz, com certeza os 4000 componentes que cantavam o samba enredo da Beija Flor de Nilópolis movidos à sua empolgação lhe desejaram muita sorte. Abaixo vídeo do casamento de Neguinho da Beija Flor na Marquês de Sapucaí.por Fabio

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Carnaval e suas "variações" do mesmo tema - Parte I



Antes de assistir aos desfiles, estava com uma idéia de postar algo totalmente diferente ao que escreverei neste e nos posts que virão com relação ao carnaval no sambódramo da Sapucaí. Porém três fatos me deixaram reflexivo, sobre como uma visão do macro pode interferir e diminuir a percepção sobre a real mágia que envolve os desfiles carnavalescos, magia esta que envolve nossas próprias vidas mas a rotina impede que a percebamos. Dentro da Sapucaí Neguinho da Beija Flor casavasse , mestre Taranta com os dedos dos pés amputados comandava a bateria da escola Mangueira e o gari Renato Sorriso, encantavam e acolhiam vários telespectadores. Durante alguns minutos estes atos sucumbiram a ditadura da visibilidade, do luxo e da auto promoção, elementos tão presentes em nossos desfiles, comprovando que elementos aparentemente simples podem se tornar extraordinários se a enxergarmos com os olhos da magia do samba . É sobre estes fatos descritos acima que irei comentar nos posts que virão, porém antes quero compartilhar uma música composta pelo sambista bahiano Batatinha, sobre a emoção que o envolvia nos dias de carnaval, emoção esta que se confunde muito com os momentos acima, com vocês a letra Direito de Sambar interpretada aqui pela cantora Adriana Moreira.


Direito de sambar
É proibído sonhar
Então me deixe o direito de sambar
É proibído sonhar
Então me deixe o direito de sambar
O destino não quer mais nada comigo
É meu nobre inimigo
E castiga de mansinho
Para ele não dou bola
Se não saio na escola,Sambo ao lado sozinho
É proibído sonhar
Então me deixe o direito de sambar
Já faz dois anos que eu não saio na escola
A saudade me devora
Quando vejo a turma passar
E eu mascarado, sambando na avenida
Imitando uma vida que só eu posso enfrentar
Tudo é carnaval
Pra quem vive bem
Pra quem vive mal
Tudo é carnaval
Pra quem vive bem
Pra quem vive mal

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O importante trabalho do Instituto Moreira Salles - Livro Roda de Samba de 1933 para você baixar aqui.




O Instituto Moreira Salles está fazendo o importante papel de revitalização de importantes obras ligadas a música e a cultura popular. Registros históricos de obras que traduzem de perto o que foi este processo e sua importância dentro do cenário cultural brasileiro. Estaremos disponibilizando aqui em arquivos PDF tais obras através do próprio link do próprio Instituto. A primeira obra que postaremos aqui será o livro "Roda de Samba de Francisco Guimarães (Vagalume) do ano de 1933" onde o autor destaca o processo de transformação do samba , e as mudanças causadas através da indústria cultural dentro da visão crítica e particular do autor. Guimarães destaca nas 315 páginas as raízes contemporâneas que fizeram surgir o ritmo, fatos e contos inerentes a tais transformações, uma ótima leitura para quem quer entender e se aprofundar mais nos mistérios deste ritimo. Para baixar o livro é so clicar no link rosa ao lado Roda de Samba de Francisco Guimarães (Vagalume) do ano de 1933. por Crâ

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Os dois lados da moeda carnavalesca


Vendo estes dias um site renomado que trata sobre carnaval carioca, vi um link que me chamou a atenção. Nele estava escrito "Musas do carnaval carioca e paulista". A curiosidade me fez clicar, porém me estranhou o surgimento de outros links que indicavam diretamente sites de modelos e celebridades globais que desfilariam pelo carnaval de 2009. Tal fato me pôs a pensar de novo na modernização de nossa festa dita então popular. Não sou saudosista, mas o fato de nosso carnaval atual valorizar estremamente a estética feminina de modelos e globais midiáticas que se quer tem contato com a comunidade que representam, e como robôs engessados, sem rebolado e o brasileirissimo samba no pé recebem a nobreza de rainhas, será um fato que sempre me incomodará, pois exemplifica a superficialidade que a cada dia domina o evento. Porém, outro fato me emocionou na mesma semana, mostrando que nem tudo esta perdido. A escola Império Serrano, realizou no ano passado um concurso para escolha de sua nova ala de passistas, onde competiram 150 passistas disputando por 62 vagas. O que seria um disputassímo concurso de exímios sambistas, surpreendeu ainda mais pela presença de Alessandra Torres, 25 anos, esta linda negra da foto ao lado. Alessandra, Deficiente auditiva, com seu talento foi uma das 62 selecionadas para representar a escola no sambódramo. Segundo entrevista com a mãe da passista, Torres consegue requebrar sem perder o ritmo, apenas sentindo a vibração dos instrumentos tocados pelos ritmistas de mestre Átila, usando da inspiração nas amigas, o compasso para continuar "riscando" o chão do sambódramo, enaltecendo a verdadeira mágia do samba. Sem dúvidas Alessandra merecidamente deveria receber uma ordem de nobreza em prol de nosso universo sambistico. Faces de uma mesma moeda que se não cuidada criticamente poderá um dia desaparecer, Salve Madureira. Abaixo um vídeo do ensaio tecnico dos passistas do Imperio onde dá para entender melhor a responsabilidade que é sambar nesta ala e o feito desta brilhante passista.por Fábio

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Por falar em revolução musical e social




Isto é Sciência!! Garimpeiros do mundo este é Francisco de Assis França ou Chico Science, vendedor de carangueijo e figura que juntou movimentações expontâneas com eruditas, surgindo o movimento Mangue Beach. Cronista do povo e percebedor das necessidade e potencialidades de sua terra, a exemplo de ritimos como choro, samba, bossa nova e o próprio tropicalismo ele ressaltou uma nova cena cultural em Pernambuco, condensando a tradição com a modernidade, e unindo ritmos como hip-hop, funk e soul com o coco, malungo, batuque e jongo, transformando-os em um unico ritmo e por conseguinte revolucionando o cenario social e musical dos anos 90. Como citou em uma de suas composições "criou um satélite levando Recife para o mundo". Ontem, dia 2 de fevereiro, fez exatamente 12 anos que Chico partiu, mas seu legado ainda vive. Em uma sociedade presa ao consumismo e imediatismo, fatores que dificultam percepções de ambiente, fator necessário ao processo de transformação social, o destino fez surgir este talentoso ser, que como uma lanterna psicodélica iluminou e inspirou novos talentos. Como Science afirmou "um passo a frente e você já não esta mais no mesmo lugar". Abaixo um vídeo do fantástico destacando um pouco deste importante cronista pernambucano.por Fabio

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

domingo, 4 de janeiro de 2009

Parabéns Vai Vai

No último dia 01/01/2009 a escola de samba Vai Vai completou 79 anos de existência, parabéns à todos que mantém esta chama ainda viva, com muito trabalho coletivo, responsabilidade e amor ao carnaval paulista.
Abaixo um texto enviao pelo Mestre Fernando Penteado, Diretor Cultural da Escola ao Projeto 14 Sambas mostrando através de poesia a importância desta escola.

GRANDES BALURTES

QUE BARULHO É AQUELE
QUE BARULHO É AQUELE QUE VEM LÁ...
ERA ASSIM, QUE O POÉTA TINO
ANUNCIAVA QUE O VAI-VAI IA PASSAR

VAMOS RELEMBRAR
OS GRANDES BAMBAS LÁ DOS TEMPOS DO CORDÃO
HENRICÃO FEZ O PRIMEIRO SAMBA
FREDERICÃO FOI O MENTOR DO PAVILHÃO
LOURIVAL DE ALMEIDA, O VELHO LORO
FEZ A DOCUMENTAÇÃO
SEO LIVINHO MESTRE DO APITO
ORGANIZAVA A BATUCADA DO CORDÃO
ERA A TURMA DO SARDINHA REUNIDA
DAI SURGIU ESTA GRANDE NAÇÃO

SAUDADES VÊM, PARA O MEU CORDÃO...
MAS HOJE GRAÇAS A ESTES
E OUTROS TANTOS BALUARTES
NOSSO VAI-VAI É PURA ARTE
SEU PAVILHÃO É REFERENCIA NACIONAL
E É NOSSO DEVER
PRESERVAR A SUA HISTORIA
SEMPRE COBERTA DE GLORIA
E CAMPEÃ DE TANTOS CARNAVAIS

AGORA QUE EU QUERO VER...
MA UMA VÊZ VOCÊ CHORAR
QUANDO O LOCUTOR DA AVENIDA ANUNCIAR
VA-VAI E A SUA VÊZ DE DESFILAR.

F. PENTEADO 26/12/08 – 13H23M
DIRETOR CULTURAL

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

2 DE DEZEMBRO DIA NACIONAL DO SAMBA


Foto de confraternização na chácara Quilombola


O Dia Nacional do Samba surgiu por iniciativa de um vereador baiano, Luis Monteiro da Costa, para homenagear Ary Barroso. Ary já tinha composto seu sucesso "Na Baixa do Sapateiro", mas nunca havia posto os pés na Bahia. Como o dia 2 de dezembro foi a data que ele visitou Salvador pela primeira vez; a data foi se espalhando pelo Brasil e hoje virou uma comemoração nacional. Atualmente faço parte de uma roda de samba composta por aproximadamente 90 pessoas, onde cada um compõe e samba de seu próprio jeito. Tem os que sambam cozinhando, os que sambam organizando, os que sambam tocando e cantando, mas como em toda roda, existem também aqueles que ainda não pegaram o ritimo para o nosso samba, o que vejo como natural, afinal para se contagiar e começar a ser sambista em nosso Projeto leva um certo tempo. A exemplo de outros ritimos, classicos e populares, o samba tem sua singularidade, pintado em um quadro de cotidianos distintos. Particularmente acredito que iludem-se aqueles que priorizam sambar sozinhos, pois o samba não se baseia só no talento individual de cada um; devendo-se adicionar a ele experiênicias de vivências coletivas para que ele se eternize; sua própria história de concepção provou isto muitas vezes através da figura de mestres como Cartola, Nelson Cavaquinho, Paulo da Portela e Silas de Oliveira, este último, que condensou e retratou lindamente através do samba "Aquarela Brasileira" toda beleza do território brasileiro, vídeo que disponho abaixo apresentado sobre a voz de Dudu Nobre sambista da nova geração. Salve o samba nosso patrimônio nacional. por Fábio

domingo, 16 de novembro de 2008

VOU APRENDER A LER, PARA ENSINAR MEUS CAMARAS

Na foto Zumbi dos Palmares
Esta semana como alguns sabem é a semana da Consciência Negra, estava procurando sambas que traduzissem este movimento e sentimento, quando em minhas caminhadas cibernéticas, me deparei com este samba canção de Roberto Mendes e Capinam, interpretado pela cantora Carolina Soares que trata sobre o "Semba" patriarca de nosso samba, o sentimento da vinda dos negros ao cativeiro; onde no final da canção, com uma bela metáfora, os compositores afirmam que aprendendo a "ler" a situação atual, pode-se contribuir para que muitos "camaradas" rompam as invisíveis amarras da submissão.por Fábio
Clique e ouça
Yaya Massemba
Que noite mais funda calunga
No porão de um navio negreiro
Que viagem mais longa candonga
Ouvindo o batuque das ondas Compasso de um coração de pássaro No fundo do cativeiro
É o semba do mundo calunga
Batendo samba em meu peito Kawo Kabiecile Kawo Okê arô oke
Quem me pariu foi o ventre de um navio
Quem me ouviu foi o vento no vazio
Do ventre escuro de um porão
Vou baixar o seu terreiro
Epa raio, machado, trovão
Epa justiça de guerreiro Ê semba ê Samba á o Batuque das ondas Nas noites mais longas
Me ensinou a cantar Ê semba ê Samba á Dor é o lugar mais fundo
É o umbigo do mundo É o fundo do mar
No balanço das ondas Okê aro Me ensinou a bater seu tambor Ê semba êSamba á
No escuro porão eu vi o clarão Do giro do mundo
Que noite mais funda calunga No porão de um navio negreiro
Que viagem mais longa candonga
Ouvindo o batuque das ondas Compasso de um coração de pássaro
No fundo do cativeiro
É o semba do mundo calunga
Batendo samba em meu peito Kawo Kabiecile Kawo Okê arô oke
Quem me pariu foi o ventre de um navio
Quem me ouviu foi o vento no vazio
Do ventre escuro de um porão Vou baixar o seu terreiro
Epa raio, machado, trovão Epa justiça de guerreiro
Ê semba ê ê samba á é o céu que cobriu nas noites de frio minha solidão
Ê semba ê ê samba á é oceano sem, fim sem amor, sem irmão ê kaô quero ser seu tambor
Ê semba ê ê samba á eu faço a lua brilhar o esplendor e clarão luar de luanda em meu coração
Umbigo da cor abrigo da dora primeira umbigada massemba yáyá massemba é o samba que dá
Vou aprender a ler Pra ensinar os meu camaradas!
Vou aprender a ler Pra ensinar os meu camaradas!