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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

COMUNIDADE QUILOMBOLA CONVIDA




COMUNIDADE QUILOMBOLA CONVIDA

Antecipando o grandioso evento que será promovido pela comunidade, qual seja, aquele previsto para o dia 12 de novembro próximo futuro, PROJETO 14 SAMBAS - MOACYR LUZ, onde estaremos contanto com a presença do compositor homenageado peloprojeto, MOA, como é conhecido o compositor e SAMBISTA carioca dentro do circuito do samba nascional, será acompanhado pela RODA DE SAMBA DA COMUNIDADE QUILOMBOLA e cantará, dia 12 do mês que vem, 14 sambas por ele compostos, e, como é de conhecimento de todos além já corre à boca pequena, referida apresentação é muito esperada pelos amantes do samba, pois, dito compositor, a muito tempo não aporta na região, e, em detrimento da qualidade do que faz e da fama que tem como autor de SAMBAS CELEBRADÍSSIMOS, como "Vida da Minha Vida" (título do album de Zeca Pagodinho), "Saudades da Guanabará", "Cabo meu Pai", para não citar outros, estaremos recebendo grande público de outras praças no evento - a procura de convites é grande, o que nos remonta a expectativa de que os 300 (trezentos) colocados a disposição, já estão se esgotando - garanta o seu - isso se gostar de samba de verdade e da mais alta qualidade - informações e venda de convites (19) 8128-0471 - Paulo César "TEDA" / (19) 8132-6193 - Ricardo "PEPINO" / (19) 7823-7024 - ID (Nextel): 113*63985 Francisco de Assis "Buziga" / (19) 7814-8221 ID (Nextel): 105*193084 ou (19) 8101-3179 Renato Rosendo "DOUTOR".

Em antecipando a vultuosa apresentação de MOACYR LUZ em nossa cidade, a COMUNIDADE QUILOMBOLA convida a todos àqueles que gostam de samba, à participar de um "ENSAIO GERAL", se assim podemos chamar, dia 28 de novembro de 2011, uma RODA DE SAMBA onde além do conhecido repertório da "RODA DE SAMBA DA COMUNIDADE QUILOMBOLA", estarão sendo interpretados os 14 sambas de composição do Ilustríssimo MOACYR LUZ, os mesmos que serão cantados por ele, acompanhado pelos Piracicabanos no dia 12 de novembro!

Além disso o Evento Também faz parte da "CAMPANHA DE NATAL DA COMUNIDADE QUILOMBOLA", bem por isso o convite pare esse "ENSAIO GERAL" estará custando R$ 7,00 (sete reais) + um brinquedo que será doado a crianças carentes do nosso município. PRESTIGIEM E NÃO PERCAM A OPORTUNIDADE DE ACOMPANHAR A TÃO CONHECIDA RODA DE SAMBA EM UM DE SEUS MOMENTOS MAIS ATRANTES, AQUELA INTIMIDADE QUE O AMANTE DO SAMBA TANTO GOSTA, ONDE SERÁ TAMBEM CONTADA A HISTÓRIA DE VIDA DO HOMENAGEADO! VAMOS PESSOAL MUITA DIVERSÃO E MÚSICA DA MELHOR QUALIDADE, LEMBRANDO NOVAMENTE QUE A SUA PRESENÇA ESTARÁ CONTRIBUINDO PARA UM NATAL MAIS FELIZ DAS CRIANÇAS CARENTES DE PIRACICABA!

DATA E LOCAL: DIA 28.11.2011 - RUA SÃO JOÃO - ESQUINA COM A CAMPOS SALLES, DE FRONTE A SORVETERIA COCÃO! - A PARTIR DAS 20:00 - COMPAREÇAM!
ATT

COMUNIDADE QUILOMBOLA

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Próxima homenagem, 03 de Setembro de 2011


Nelson do Cavaquinho - 100 anos


Biografia


Seu envolvimento com a música inicia-se na família. Seu pai, Brás Antônio da Silva, era músico da banda da Polícia Militar e seu tio Elvino tocava violino. Depois, morando na Gávea, passou a frequentar as rodas de choro. Foi nessa época que surge o apelido que o acompanharia por toda a vida.
Casou-se por volta dos seus 20 anos com Alice Ferreira Neves, com quem teria quatro filhos e na mesma época consegue, graças a seu pai, um trabalho na polícia fazendo rondas noturnas a cavalo. E foi assim, durante as rondas, que conheceu e passou a frequentar o morro da Mangueira, onde conheceu sambistas como Cartola e Carlos Cachaça.
Deixou mais de quatrocentas composições, entre elas clássicos com “A Flor e o Espinho” e “Folhas Secas”, ambas em parceria com Guilherme de Brito, seu parceiro mais frequente. Por falta de dinheiro, depois de deixar a polícia, Nelson eventualmente “vendia” parcerias de sambas que compunha sozinho, o que fez com que Cartola optasse por abandonar a parceria e manter a amizade.
Sua primeira canção gravada foi “Não Faça Vontade a Ela”, em 1939, por Alcides Gerardi, mas não teve muita repercussão. Anos mais tarde foi descoberto por Cyro Monteiro que fez várias gravações de suas músicas. Começou a se apresentar em público apenas em 1960, no Zicartola, bar de Cartola e Dona Zica no centro do Rio. Em 1970 lançou seu primeiro LP, “Depoimento de Poeta”, pela gravadora Castelinho.
Suas canções eram feitas com extrema simplicidade e letras quase sempre remetendo a questões como o violão, mulheres, botequins e, principalmente, a morte, como em “Rugas”, “Quando Eu me Chamar Saudade”, “Luto”, “Eu e as Flores” e “Juízo Final”.
Com mais de 50 anos de idade, conheceria Durvalina, trinta anos mais moça do que ele, sua companheira pelo resto da vida. Morreu na madrugada de 18 de fevereiro de 1986, aos 74 anos, vítima de um enfisema pulmonar.
No carnaval de 2011 a escola de samba G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira homenageará Nelson Cavaquinho pelo seu centenário. “O Filho Fiel, Sempre Mangueira” é o nome do enredo que a agremiação levará para a avenida. O músico era torcedor da escola de samba carioca.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Próxima homenagem, dia 30 de abril de 2011


SÁBADO
Dia: 30/04
Local: Salão do divino (largo dos pescadores)
Entrada: 5 reais + 1l de óleo
2 reais + 1l de óleo (quem estiver com qualquer camiseta do quilombola)

Biografia
Nasceu no dia 12 de Novembro de 1941, foi criado na Rua Magalhães Couto, no Méier, Zona Norte do Rio de Janeiro. Cantor e compositor, João Nogueira aprendeu violão de ouvido e vendo o pai tocar. Conheceu o samba e o choro em casa. Seu pai era violonista profissional e morreu quando tinha 10 anos. Seu João, como era conhecido, tocou com o Regional de Rogério Guimarães e com Jacob do Bandolim. Chegou a tocar até com Noel Rosa. Sua casa era frequentada pelos amigos músicos, entre eles Pixinguinha, Donga e João da Baiana, inclusive Jacob do Bandolim. Com sua morte, a família passou dificuldades e João teve de ir trabalhar cedo como vitrinista, depois como vendedor e funcionário de banco. Ainda no Meier, João frequentou o Pé na Poça, tradicional botequim e nos fins dos anos 50 integrou o bloco carnavalesco Labareda do qual foi diretor, também do Meier, bairro tanto ilustrado em seus sambas. Começou a compor aos 15 anos com a irmã Gisa, compôs vários sambas no bloco carnavalesco, mas ainda no anonimato. Nos fins dos anos 60 começou a gravar seus sambas com a ajuda de amigos músicos que o indicavam às gravadoras, até quando ganhou um concurso na Portela que o integrou na ala de compositores. Assim nasce o João Nogueira Portelense que tanto representou a escola, compondo e cantando as coisas simples das gentes, o cotidiano carioca e o mundo do samba. No passar dos anos 70, João consagrou seus dotes como compositor e intérprete de seus sambas e outros clássicos da música popular que sempre exaltou, quando em 79 lança o álbum Clube do Samba, fundado na sua própria casa, até mudar para o bairro do Flamengo, depois para a Associação dos Servidores Civis do Brasil, Clube Municipal, até chegar à sede na Barra da Tijuca. O Clube do Samba envolveu diversos sambistas, ritmistas, compositores, cantores, jornalistas e amantes e defensores da cultura do samba, que criticavam a presença massiva da música estrangeira na cultura brasileira, interferindo nas diretrizes da pura música nacional. Nos anos 80 e 90, João encarrilha duas décadas de álbuns e sambas até cruzar o milênio, quando faleceu na madrugada do dia 6 de junho de 2000, vítima de enfarte.


sexta-feira, 5 de novembro de 2010

É amanhã! Projeto 14 Sambas - Candeia




DATA 06 de NOVEMBRO de 2010
HORÁRIO 19h 
LOCAL Salão do Divino Espírito Santo, no largo dos Pescadores - Rua do Porto
ENTRADA 2 reais = 1Kg de alimento não perecível (doação p/ o Divino)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Próxima homenagem, dia 06 de Novembro de 2010

Próximo Projeto 14 Sambas homenageia Antônio Candeia Filho, mestre Candeia! 


DATA 06 de NOVEMBRO de 2010
HORÁRIO 19h 
LOCAL Salão do Divino Espírito Santo, no largo dos Pescadores - Rua do Porto
ENTRADA 2 reais = 1Kg de alimento não perecível (doação p/ o Divino)






quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Partido Alto

Aqui vai uma aula de partido alto por Mestre Candeia, mas antes quero expor idéias e apresentar fragmentos de textos que nos levam a considerar que a própria história é dinâmica e que fatos antigos ganham outra expressão quando alinhados aos estudos recentes sobre cultura brasileira. Segue abaixo um fragmentos retirado do livro de Roberto Moura, "Tia Ciata e a pequena África no Rio de Janeiro:



"Nos cantos das nações se tornam comuns as giras dos
batuqueiros onde vai surgir o samba baiano, motivos
desenvolvidos pelo coro e contestados pelos solistas: o samba de
roda. Orquestra de percussionistas com tamborins, cuícas, recorecos
e agogôs. Batuque era o nome genérico que o português
dava às danças africanas suas conhecidas ainda no continente
negro, que na Bahia tomam a forma de uma dança-luta que
ocorria aos domingos e dias de festas na praça da Graça e na do
Barbalho, apesar da constante vigilância policial."

Notem nos vídeos abaixo, principalmente no segundo, Paulinho da Viola em pleno terreiro de samba questiona alguns dos presentes sobre o samba de partido alto e é de opinião geral que o partido alto vem do samba de roda da Bahia. O livro de Roberto Moura, traz em seu segundo capítulo uma detalhada introdução ao contexto social do nordeste brasileiro, no qual se forma os primeiros centros culturais urbanizados, com a grande e intensificada participação dos negros trazidos como escravos ainda antes da colonização, pois a intenção de explorar estas terras vem antes do registro de descoberta em 1500. A chegada do povo da Guiné e tantas outras etnias que se interrelacionavam e até guerreavam nas terras africanas se vêem forçados a se adaptarem a uma vida social totalmente nova, com imposições cruéis e que os obrigavam a recriar processos de adaptação, mas que nem sempre deixaram a cultura, a sabedoria, a religião e a expressão africana para trás, agora miscigenando uma nova cultura, misturando-se aos negros da terra, os ameríndios e aos donos de terra e seus costumes europeizantes.

Prestem bem atenção, pois não estou propondo nenhuma alteração na história, muito menos distorcendo fatos, mas o que quero dizer é sério e utilizo de fontes seguras como referências. Recentemente, num livro de Bernardo Alves, "A Pré-História do Samba", o autor afirma afirmava que o samba surgiu entre os índios do Nordeste brasileiro, ao que tudo indica ainda antes do descobrimento, recebendo depois importantes influências européias e africanas. Bernardo Alves utiliza documentos e estudos de conceituados pesquisadores como Sílvio Romero, Fernão Cardim, Sílvio Salema, Gilberto Freyre, entre outros. Muitos jesuítas e estudiosos da épocas colonial relatam histórias que nos levam a crer que um mapeamento do surgimento do samba no Brasil possa ser esclarecido depois de tantos anos. Muitos relatos falam dos trejeitos dos índios para com a música, seus costumes, a vida dos negros, as relações dos grupos étnicos desfavorecidos e tantas outras coisas. Por exemplo, no Tratado Descritivo do Brasil em 1587, Gabriel Soares de Sousa fala de um povo indígena da Bahia que não fora aldeado por jesuítas e conhecia o tamborim:

" Os tupinambás se prezam de grandes músicos, e, ao seu modo, cantam com sofrível tom, os quais têm boas vozes; mas todos cantam por um tom, e os músicos fazem motes de improviso, e suas voltas, que acabam no consoante do mote; um só diz a cantiga, e os outros respondem com o fim do mote, os quais cantam e bailam juntamente numa roda, na qual um tange um tamboril, em que não dobra as pancadas; outros trazem um maracá na mão, que é um cabaço, com umas pedrinhas dentro, com seu cabo por onde pegam; e nos seus bailes não fazem mais mudanças, nem mais continências que bater no chão com um só pé ao som do tamboril; e assim andam todos juntos à roda, e entram pelas casas uns dos outros; onde têm prestes vinho, com que os convidar; e às vezes anda um par de moças cantando entre eles, entre as quais há também mui grandes músicas, e por isso mui estimadas."




Muitos acreditam que esta forma de manifestação musical relatada era frequente nos sambas de roda do recôncavo baiano e futuramente nos terreiros de samba do Rio de Janeiro chamados de partido alto. 







quarta-feira, 21 de julho de 2010

Mestre Candeia

Vou pelas minhas madrugadas a escutar samba e escrever o que se passou, pois não é toda dia que tem roda de samba...mas bem que poderia. Agora pouco me veio à lembrança um samba de Candeia, Pintura sem Arte, e com ele uma enxurrada de pensamentos, neles veio o Projeto 14 Sambas, que comemora 5 anos de samba e quem puxou o verso inicial foi Mestre Candeia. Aí pensei logo: por que não fazer uma roda cantando os sambas de Candeia e relembrar o projeto, minha justificativa é não ter participado do primeiro Projeto 14 sambas, pois não conhecia a querida e hoje minha escola de samba, Comunidade Quilombola, pois foi onde aprendi o que é uma roda de samba tradicional. Mas antes de articular esta roda com a força dos amigos, vale a pena comentar a obra e vida de Antonio Candeia Filho, um autêntico sambista brasileiro.

Biografia Comentada





Antônio CANDEIA nasceu em 1935, no dia 17 de agosto e cresceu no bairro de Oswaldo Cruz, berço da Portela. Sua infância foi marcada pela vida cultural regada de choro, influência do pai flautista, de samba e partido alto, pois conhecera Paulo da Portela, Claudionor Cruz, Zé com fome e Luperce Miranda nas rodas familiarizadas desde criança. Candeia se forma num ambiente marcante para a música popular, o período de formação e estruturação das escolas de samba do Rio de Janeiro, onde conceitos de identidade nacional e tradição popular eram delineados pelas festividades carnavalescas, diante da mais pura manifestação cultural de um povo, da qual se instaura as bases do carnaval brasileiro, dos desfiles organizados e temáticos, envolvendo comunidades representadas por pessoas que traziam o samba como bagagem cultural de vivencia e porque não, de resistência popular. Provavelmente, o contexto em que se formou sambista foi de crucial importância para e efetivação de seu nome na história da música brasileira, considerando que Candeia era frequentador da Escola de Samba Vai Como Pode, que deu origem à Portela e que daria suporte para nos anos 70 participar de um movimento de resistência à imposições externas que mudariam o rumo das escolas de sambas, defendendo que tais influências poderiam distorcer (e como distorceram!) a concepção de cultura construída pelo povo em relação ao samba. A crítica de Candeia e outros integrantes portelenses, entre eles Paulinho da Viola, era que na década de 60 muitas pessoas sem identificação com o samba passaram a modificar a escola e interferir estruturalmente no carnaval, chegando a deturpar os sambas antes comuns aos portelenses que viviam o dia a dia da escola e da comunidade. Quero ressaltar a importância desse fato, documentado e passível de análises que condizem com as angústias dos questionadores portelenses que discutiam os rumos particulares e portanto identificados com a história da Portela, pois realmente as modificações explicitadas foram incorporadas e espetacularizadas no carnaval, distorcendo o seu real sentido de manifestação popular para produto comercial.
A postura de Candeia demonstra seu braço firme e pulso forte pelo samba e suas razões, comprovado em seus sambas, marcados pela poeticidade autêntica do sambista que nos permite separar seus 30 anos de composição, pois começou compor aos 13 e morreu precocemente aos 43 anos. A primeira fase condiz com sua formação de sambista, com forte influência do partido alto, do comprometimento com as causas e políticas negras, das letras marcadas pelo sofrimento do pobre, do marginal, das injustiças, dos preconceitos. Em 1957 entra para a polícia, pois era uma atividade que trazia certa segurança financeira e prestígio social em detrimento do preconceito racial, mas sua história na milícia acaba trágica. Numa batida policial em 65, Candeia descarrega a pistola nas rodas de um caminhão abordado e acaba surpreendido pelo motorista que desfechou cinco tiros, um deles alojou-se na medula óssea. Paralítico, afastou-se da profissão, mas o trauma de vida perturbou-lhe e assim começa a segunda fase de sua obra musical. O acontecido acometeu depressões que foram expressas em frases desinteressadas do presente e passado, mas que Candeia carregaria como marca poética em sambas falando sobre questões existencialistas e filosóficas demonstrando o abalo psicológico e das dificuldades que passa a enfrentar. Felizmente a filosofia do samba canta mais alto e a chama de Candeia se eternizou em sambas saudosos e que revivem nas rodas de samba em todos os cantos do país.
Superando todas as adversidades e cantando outras, Candeia teve a trajetória artística impecável e traduziu em sambas suas idealizações e concepções a respeito do samba e suas raízes. Ganhou o enredo do carnaval com 17 anos, formou conjuntos de compositores, foi gravado por muitos artistas, escreveu livro e lançou discos com outros grandes nomes do samba como Elton Medeiros, Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, ilustrados na foto. 


Para finalizar a postagem, fiquem com o samba "Pintura sem Arte" de Candeia, para ilustrar a profundidade  das letras, nesta em especial, pois trata do acidente que o imobilizou as pernas e conduziu uma fase poética marcada pela tristeza e lamento dos versos. 








PINTURA SEM ARTE Candeia

Me sinto igual a uma folha caída
Sou o adeus de quem parte
Pra quem a vida é pintura sem arte
A flor esperança se acabou
O amor, o vento levou
Outra flor nasceu é a saudade
Que invade tirando a liberdade
Meu peito arde igual verão
Mas se é pra chorar, choro cantando
Pra ninguém me ver sofrendo
E dizer que estou pagando

Não, não basta ter inspiração
Não basta fazer uma linda canção
Pra cantar samba se precisa muito mais
O samba é lamento, é sofrimento, é fuga dos meus ais
Por isso eu agradeço a saudade em meu peito
Que vem acalentando o meu sonho desfeito
Jardim do passado, flores mortas pelo chão

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Um pouco mais sobre Delcio Carvalho


Até a dia do Projeto estarei publicando notícias feitas por diversos meios de comunicação ao nosso homenageado de maio, estas duas reportagens sairam no Jornal o Globo (Coluna Música Popular) Para lê-las é só clicar nas paginas do jornal.








*Matéria retirada do site www.delciocarvalho.com.br

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Adoniran Barbosa - Projeto de agosto 2008



O ano de 2008 foi recheado de várias kizombas e dois ótimos projetos, e assim como Paulo Cesar Pinheiro, não poderíamos deixar de destacar esta fígura incrível, conhecida como Adoniran Barbosa. As crianças choravam. Os cães corriam e latiam. Sem saber direito o que fazer, as pessoas tentavam juntar os poucos pertences. Enquanto isso, os tratores se preparavam para demolir mais um cortiço. Nada podia atrapalhar o crescimento de São Paulo, a cidade que nunca pôde parar. Do outro lado da rua, alguém havia interrompido a caminhada e observava, estarrecido, a cena que se tornava cada vez mais comum. Da desgraça e da tristeza, um samba nascia: "Se o sinhô não tá lembrado / dá licença de contá / que aqui onde agora está / esse edifício arto, / era uma casa véia / um palacete assobradado. / Foi aqui seu moço, / que eu Mato Grosso e Joca / construímos nossa maloca, / mas um dia nós nem pode se alembrá / veio os home co'as ferramenta / o dono mandô derrubá". Saudosa Maloca, primeiro grande sucesso de Adoniran Barbosa como compositor, foi criada em uma única noite, enquanto, ainda chocado com o despejo visto horas antes, passeava pelas calçadas já escuras da cidade. A rua era a verdadeira casa de sua obra, síntese de sotaques, de entonações próprias das migrações que sempre povoaram São Paulo. O compositor transformava a experiência do boêmio em música. As palavras do povo, o modo de falar dos mais humildes, tudo encadeado de maneira a criar poesia, novas sonoridades. Nas esquinas de São Paulo, ele encontrava a linguagem em seu estado puro, contando a realidade social por meio de um português vivo e cotidiano. Um português que preferia Marvina a Malvina, muié a mulher, que falava nóis em vez de dizer nós. Quando Adoniran Barbosa chegou a São Paulo, o disco e o rádio desenvolviam-se rapidamente. O rádio, que na década de 20 surgia com características amadoras e uma programação erudita, nos anos 30 mudava totalmente a sua conduta.A música, antes considerada folclórica e inferior, passava a ter status de popular e começava a ocupar cada vez mais espaço na programação. Em 1932, com a legislação da publicidade radiofônica, o meio se profissionalizava e se popularizava. Na capital paulista, Assis Chateaubriand fundava, em 37, a Rádio Tupi, unindo o novo meio ao jornal (Emissoras e Diários Associados). Mas a grande líder de audiência era a Record, a primeira emissora do país a constituir um elenco fixo. E nele se encontrava de tudo. Cantores de rua e de circo, maestros com formação acadêmica, "maestros de assobio", vendedores, atores, aventureiros sem profissão, intelectuais. O rádio era então o centro de todo sistema de comunicação de massa que começava a se formar. Nesse meio se movimentou Adoniran Barbosa, tanto como humorista quanto como sambista. Mas, nos dois casos, procurando esconder a dor de ver as mudanças da cidade que tanto amava, de ver o fim dos laços de solidariedade entre vizinhos e a destruição dos espaços urbanos que possibilitavam o encontro e a festa entre as pessoas. Todo o processo de criação de Adoniran era acompanhado de perto e incentivado pelo amigo e parceiro Oswaldo Molles. Era ele quem enviava Adoniran para longos passeios pelas redondezas, para observar e extrair histórias para seus programas. Também foi Molles quem deu chance para Adoniran interpretar diversos tipos. A parceria dos dois deu tão certo que, em 1946, a imprensa chamava Adoniran de "o milionário criador de tipos" e, Molles, "o milionário criador de programas". Nesse ano, o compositor fazia nada menos do que dezesseis interpretações diferentes.

Com o passar dos anos, o envolvimento de Adoniran com o rádio se tornou tão grande que, em abril de 53, sua agenda era a seguinte: segunda, interpretava o humilde marido Confúcio das Dores em Solteiro é melhor; na terça, trabalhava no programa Convite ao samba; na quarta, em Show Castelo e Vale o quanto pesa; na quinta, em Presença do Trio; na sexta, em O crime não compensa; no sábado, em Sítio do Bicho de Pé e no domingo, em A grande filmagem. Nesse último, trabalhava ao lado de nomes como Anselmo Duarte, Ilka Soares, além de duas orquestras e cantores, tudo sob a direção de Blota Jr.Em 1955, após o lançamento de Saudosa Maloca, estreou como o personagem Charutinho, em Histórias das Malocas, radiocontos escritos e dirigidos por Oswaldo Molles. O ex-mascate, ex-pintor de paredes e ex-quase tudo transformava-se no desocupado malandro morador do Morro do Piolho, pronto para mais uma viagem costeira pelo mundo dos humildes, como definia o próprio programa. Apesar de uma certa idealização das malocas, História das Malocas não mostrava um passado belo, mas sim um presente degradado: "Esta é a minha maloca, manja? Mais esburacada que tamborim de escola de samba em Quarta-feira de Cinzas. Onde a gente enfia a mão no armário e encontra o céu. Onde o chuveiro é o buraco da goteira. Não tem água de zinco. Às veis a gente toma banho de bacia e se enxuga com a toalha do vento. E quando não tem água a gente se enxuga antes de tomá banho", falava Charutinho. As críticas sociais eram constantes. Como no episódio em que a comunidade do Morro do PioIho decide fazer uma eleição e a urna é roubada. Ou em outro, em que os moradores resolvem sair para procurar emprego e só encontram um. Para ocupar essa vaga, escolhem Charutinho, o mais preguiçoso e vadio da turma. Já no departamento pessoal da empresa, o malandro é obrigado a um ir e vir sem fim, trazendo atestados, documentos e vacinas. "Eu tenho que tirá tanta coisa pra trabaiá, que eu vô boquejá pa turma do Morro, pa vê se por motível das dificurdádias..." Ajudado pelo pessoal do Morro, ele finalmente consegue ser empregado.No primeiro dia de trabalho, todos querem levar Charutinho até a porta da fábrica. Lá, a confusão: o pessoal é proibido de entrar e Charutinho, revoltado, faz um inflamado discurso e é demitido. A crítica não é contra o trabalho, mas contra o sistema que o transforma em algo sombrio e sem vida, longe da festa e da diversão. É impossível separar o radioator do compositor. Se a História das Malocas surgiu a partir de uma de suas músicas, seus sambas se embebiam no universo do programa de rádio. A partir de 1955, o Brasil se abria para os bens de capital estrangeiros e acelerava o processo de industrialização. Era época de euforia, de "50 anos em 5", era o governo JK. Juscelino Kubitschek queria a qualquer custo modernizar a produção, ampliando a indústria pesada e o setor de bens de consumo duráveis. A sociedade se motorizava e a economia nacional era cada vez mais integrada aos grandes monopólios internacionais. As mudanças na paisagem do centro de São Paulo eram visíveis para qualquer um. Especialmente para Adoniran, acostumado a andar diariamente por todas aquelas ruas, de boteco em boteco, entre um traguinho de pinga, um cigarro e um sambinha com os companheiros. Já não existiam o romantismo e a poesia dos primeiros tempos, o progresso chegava, arrastando tudo o que estivesse em seu caminho. São Paulo já não sabia mais adormecer. Não que aquilo deixasse o compositor triste.

Ele entendia que novos tempos estavam chegando, que os tipos que cantara em tantos sambas e que encarnara em tantos programas de rádio em pouco tempo deixariam de existir. "Progréssio / progréssio / eu sempre escuitei falá...", dizia uma de suas músicas. Mas também podia se sentir recompensado: graças a ele o passado estava eternizado, com seus Arnestos, com as saudades de destruídas malocas, com o trem que, às onze horas, deveria levar o namorado de volta ao Jaçanã. Adoniran Barbosa viu todas as mudanças que a cidade sofreu. E ninguém soube cantá-las como ele, sempre a partir do ponto de vista dos excluídos, dos marginais, dos párias da sociedade. Ele só entendia a composição assim: como a voz dos mais humildes, com uma voz que era a sua mais do que de ninguém. Ele que nunca cursara mais do que a terceira série do primário e que, antes de tentar ser artista, trabalhara em diversas profissões. Ele foi percebendo e vivendo as mudanças por que passava a cidade. Em 1951, gravaria Saudosa Maloca, pela Continental. A música, porém, só faria sucesso em 55, na interpretação dos Demônios da Garoa, que também gravaram o Samba do Arnesto. Aos poucos, com o reforço dos Demônios, sua vida artística foi evoluindo. Ainda em 55, duas reportagens publicadas na Revista do Rádio traziam os títulos: "Só faltava fazer sambas... e Adoniran também fez" e "Humorista faz músicas tristes". A fama chegava tarde na vida do compositor; o dinheiro, no entanto, não chegaria nunca. Por um lado, porque Adoniran continuava ganhando mal na Record e, por outro, porque não dispensava uma pinga no fim do dia, continuando tão boêmio e mulherengo quanto no início da carreira. Uma das alternativas para aumentar o orçamento no fim do mês foi levar a trupe radiofônica para os circos da periferia da cidade. Matilde, sua esposa, contava que ela era a responsável por depositar o dinheiro arrecadado durante aqueles espetáculos circenses: uma enorme quantidade de notas miúdas, sujas, que mais de uma vez o caixa bancário se negou a aceitar. "Acontece que a gente era muito pobre, porque ninguém fazia shows como hoje. Adoniran só cantava em circo e, de vez em quando, no Cine-Teatro Colombo, lá no Brás, ou no Coliseu, no Largo do Arouche", lembra a companheira do compositor. O impulso dado na carreira de Adoniran e o sucesso de História das Malocas dá uma diminuída a partir de 1958. A audiência do programa começa a cair e o samba passa a sofrer a concorrência de um novo movimento musical, marcado pela influência do jazz norte-americano, que logo ficaria conhecido como bossa nova. João Gilberto gravava Chega de saudade e transformava o cenário da música brasileira. Apesar do clima pouco favorável, Adoniran continuava com suas andanças e suas composições. Músicas que vão registrando passo a passo a vida da maloca, que também vai acompanhando o ritmo imposto pelo progresso. Em 1959, Abrigo de Vagabundo contava o início de uma nova maloca, perto da Mooca. Porém, em 1969, vem Despejo na favela. "Dispois o que eu tenho / É tão pouca mudança / É tão pequena / Que cabe no bolso", diz o morador diante do oficial que Ihe mostra a ordem de despejo. Mas é em 65 que Adoniran dá mais uma guinada e volta a caminhar pelos trilhos do sucesso: é a vez de Trem das Onze. Lançada no meio do ano pelos Demônios da Garoa, a música chegou forte no Carnaval do ano seguinte, tomando conta do povo nas ruas, cantada com entusiasmo pelos foliões. Cada vez mais respeitado como compositor, Adoniran vinha enfrentando problemas em sua carreira de radioator desde 64, com o suicídio do amigo e parceiro Oswaldo Molles. Era o fim da História das Malocas e das aventuras de Charutinho, que sairiam do ar definitivamente em 68. Por ter horror a pequenas platéias, o artista também já quase não fazia mais shows em circos - estes não mais atraiam o mesmo público de antigamente. Adoniran passou a ser marginalizado na Record. Todos os dias chegava no trabalho, procurava seu nome na escalação do dia e não encontrava nada. Sem ter o que fazer, ia para o bar e ficava papeando. Novas histórias, novas músicas. Compor passou a ser sua grande meta. E, na sua obra, dois bairros paulistanos se destacavam: o Brás e o Bixiga. O primeiro, com suas casas velhas, seus cortiços superpovoados e as ruas em franca decadência. O Bixiga, com as cantinas italianas, o clima camarada e amigo, o lugar onde Adoniran reencontrava suas origens. Suas músicas se tornavam cada vez mais reportagens, crônicas de costumes e de época. Com o passar dos anos, já não podia mais sair à noite. Anos de garoa noturna, sem chapéu e sem casaco, lhe trouxeram um enfisema pulmonar que o acompanhou até o fim da vida. Reclamava: "Eu que sempre fui um homem das ruas quase não saio mais de casa". Aos poucos, a noite deixou de lhe pertencer. Cada vez era mais difícil criar coisas novas. E as composições antigas aos poucos iam sendo deixadas de lado pelas rádios, preocupadas em tocar bossa nova e depois o iê-iêiê. Isso também era motivo de mágoa: "Por que não tocam mais minhas músicas? Afinal, todos dizem que sou um bom compositor", queixava-se às vezes. Todos esses inconvenientes tumultuaram os últimos anos de vida de Adoniran Barbosa. Em entrevista ao jornal Diário Popular, declararia: "Nada meu foi conseguido com facilidade. Tudo parecia como se eu quisesse entrar num elevador e, embora havendo lugar, o cabineiro que não ia com a minha cara logo dizia: Tá lotado...". Persistência que finalmente lhe trouxe o reconhecimento merecido. Tardio, especialmente para quem sempre lutou por uma chance de brilhar. Mas não menos saboreado por isso. Quando começou a ser chamado para entrevistas e outras homenagens, em meados da década de 70, não pensava duas vezes antes de aceitar. Gostava da popularidade, dos refletores das televisões, e de estar em evidência. Era assim com 20 anos de idade, foi assim aos quase 70. Apesar de ainda reclamar da demora em vencer como artista, dizia-se satisfeito: "Eu sou um homem feliz. Fiz tudo o que quis na vida, mesmo com atraso... Só não fiz teatro porque agora já não tenho mais coragem. O teatro é duro, tem que ser cara a cara com o público... Mas fiz novela, e é uma parada, pois a gente tem que chegar cedinho, cinco, seis horas da manhã, e não se sabe a que horas sai, nem se almoça ou janta... É trabalho para leão. Ainda mais para mim, que sempre gostei da madrugada, não dá certo, pois assim eu não durmo... Eu gosto de fazer publicidade, quando me pagam direitinho". Com os anos, o enfisema pulmonar que o maltratava foi piorando. Mesmo assim, queria continuar andando, queria ver o Carnaval, o samba e o povo nas ruas. Em 82, após algumas internações, veio a caminhada final. Adoniran morreu num hospital, na avenida Santo Amaro zona sul de São Paulo, com Matilde sempre a seu lado. Imortalizado em sons e em imagens de uma música que continua cantando com humor as desgraças do dia-a-dia. Atual sempre. A cidade que ele retratou não é mais a mesma, mas a dor e a miséria humanas continuam iguais.

Fontes: "memórias da mpb" - Samira Prioli Jayme; Cifrantiga - História da MPB e Cifras; MPB Compositores - Ed. Globo; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Ditora PubliFolha.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Paulo Cesar Pinheiro - NOSSO HOMENAGEADO




No próximo dia 09 de novembro o Projeto 14 Sambas estará homenageando o cantor e compositor
Paulo César Francisco Pinheiro que nasceu em Ramos, no Rio de Janeiro, em 28 de Abril de 1949. Quando criança viveu boa parte de sua vida em Angra dos Reis, na casa do avô pescador, que sempre o levava para ver o mar.
Numa temporada de férias escolares, na casa do de lua cheia, já agoniado com o lugar, fez seu primeiro verso instintivamente. Daquela noite em diante, tornou-se o autor com maior número de composições registradas no mundo, cerca de 800 e outras 1500 inéditas, sendo este um número estimado, pois continua em plena atividade. Paulinho Pinheiro é ainda autor de quatro livros e mais alguns outros guardados na gaveta. De mau aluno de português e burlador de aula de redação, tornou-se, ainda na infância, freqüentador assíduo de bibliotecas e leitor voraz de livros, mesmo sem ter algum conhecimento em literatura, lia dos filósofos gregos aos romances regionais brasileiros. A música nasceu dentro de tudo isso e também sem explicação. Paulo Cesar é compositor de cinco gerações, mais de 100 parcerias, onde se destacam Pixinguinha, Baden Powell, Tom Jobim, Edu Lobo, Dori Caymmi, Sivuca, Radamés Gnatalli, Eduardo Gudin, João Nogueira, Mauro Duarte, Maurício Tapajós, Guinga, Raphael Rabello, Pedro Amorim, Moacyr Luz, Lenine e tantos outros. Começou a compor com 13 anos de idade e aos 15 anos escreveu Viagem, com seu vizinho João de Aquino, primo de Baden Powell do qual logo também virou parceiro com mais de 70 composições. Suas canções foram consagradas por divas como Elis Regina, Elizeth Cardoso e Clara Nunes, com quem foi casado. Paulo Cesar Pinheiro se dá o luxo de poder sair nas ruas sem ser notado. E talvez este anonimato seja o responsável por manter, até então, a pureza e singularidade de toda sua obra. Paulo C Pinheiro traz em suas letras as riquezas de nossa cultura, seja na autenticidade poética, seja na beleza rítmica e harmônica, tanto em seus sambas de lamento, pois como ninguém descreve o amor e suas facetas, quanto em seus sambas com teor social pela sua intelectualidade crítica e profunda conhecedora das raízes, das tradições, dos cancioneiros, dos ritos e mitos brasileiros. Paulo César Pinheiro é poeta, letrista, escritor e acima de tudo, apaixonado pelo Brasil. O Projeto 14 Sambas Quilombola tem o prazer de apresentar uma minúscula partícula de sua vasta obra. Aqui em nosso blog você poderá ouvir algumas músicas que serão exibidas no Projeto do dia 09 de novembro na Sociedade Beneficente 13 de maio em Piracicaba -SP. por Denis
Abaixo um vídeo onde Paulo Cesar explica a criação da música Portela na avenida