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sábado, 26 de novembro de 2011

Adeus, Toniquinho Batuqueiro!

Silêncio, mais um sambista está dormindo. E é mais um que foi sem dizer adeus... Toniquinho nos deixará saudade e muita história pra contar, do samba, da nossa terra, do nosso povo... Vítima de um AVC, Antonio Messias de Campos, o Toniquinho Batuqueiro. Nascido na fazenda do Pau Queimado em Piracicaba, Batuqueiro foi enterrado nesta quinta-feira às 10h30 no Cemitério Santo Antônio, em Osasco. Com 81 anos, foi pra São Paulo com 14 anos levado pelos tios e lá fincou raízes. Neste documentário, gravado no Sesc Piracicaba pela Filó Comunicações, Toniquinho conta detalhes de sua vida no interior e suas andanças pela capital. 




Toniquinho Batuqueiro, 76, veio de Piracicaba ainda menino para morar na rua Apa, nos Campos Elíseos. Orfão de pai e mãe, foi parar em uma região que é um dos berços do samba de sotaque e jeito paulista. Circulou pela Barra Funda, deu seus pulos nas rodas de Tiririca no Largo da Banana e frequentou rodas de samba por todas as "quebradas do mundaréu", como dizia seu parceiro e amigo Plínio Marcos. Hoje, é um dos integrantes, da Embaixada do Samba, organização criada em 1995 para representar e divulgar a história do samba paulistano. Durante as gravações da quarta vídeo-reportagem da série sobre o samba de São Paulo, Toniquinho -há quatro anos praticamente cego por causa de um glaucoma- conta que aprendeu o samba "emprenhado pelo ouvido". "Meus avós tocavam tambu, dançavam tambu, tinha cururueiro na família, e eles me levavam. No 13 de maio, ia nas festas de negro atrás da Igreja do Rosário, em Piracicaba, que sempre tinha samba."Além de trazer o ritmo forte e grave típico do interior de SP, Toniquinho veio de Piracicaba com o ouvido "emprenhado" também pelo cururu, uma forma de desafio em versos improvisados e acompanhada de viola caipira. Toniquinho diz que já em São Paulo, quando sobrava um dinheirinho, o tio trazia o pessoal de Piracicaba para cantar um cururu na casa dele. "Eram quatro cantando aqueles versos pesados, destratando o outro, dois contra dois. Quando dava meia-noite, eles iam comer frango, leitão, aquelas coisas, tudo amigo. Dava um tempinho e eles passavam a mão na viola e começava a ´carreira do divino`, aí só podia cantar pro santo. E o cururu comia até de manhã", lembra Toniquinho. Na cidade, na década de 1940, Toniquinho se virava engraxando sapatos na praça da Sé. Mas, mesmo no "veneno", com dificuldade para levantar uns trocados, marcava presença no samba. No meio da rapaziada, tirava som das próprias caixas de engraxates até a polícia chegar e mandar parar tudo. Na São Paulo do tempo do bonde, segundo Toniquinho Batuqueiro, não se podia andar com um tamborim na mão que o sujeito ia preso na hora. E a perseguição aos pobres e negros não se limitava ao porte "ilegal" de tamborim. A polícia não dava refresco. "Em São Paulo, preto de sapato branco, em dia de semana, tava em cana", lembra o embaixador. Foi em um desses "güentas" que a polícia dava na rapaziada que o engraxate Batuqueiro conheceu o compositor B. Lobo, carioca e sambista que migrara para São Paulo e que depois tornou-se seu padrinho de casamento. Lobo já era compositor conhecido no mundo do samba do Rio, e estava em evidência com o samba "Abre-alas", que fazia muito sucesso na época. Plínio Marcos narrou o episódio em uma crônica para a Folha de São Paulo, de 5 de dezembro de 1976:
"(.) O B. Lobo, por razões dele, resolveu emigrar pra São Paulo. E veio com tudo que tinha. Um terno e sapato marrom e branco. Segundo ele mesmo, foi o primeiro crioulo a usar sapato fantasia aqui em São Paulo. Se destacou logo que desembarcou, por essa bossa. Foi andando pela rua e não demorou pra polícia se apresentar:
- Documento, negão. Ele não se fez de rogado. Alfaiate de profissão, não era nenhum vadio. Mas, mesmo assim, os homens estranharam ele e deram um alô:
- Com esse sapato todo afrescalhado, tu não vai ter boa vida por aqui. 
B. Lobo não queria complicação. O primeiro engraxate que viu era um negrinho cheio de truques. B. Lobo deu as ordens:
- Tinge esse pisante de preto e com capricho. O engraxate obedeceu e, enquanto trabalhava, batucava um samba na caixa. 
O B. Lobo se impressionou:
- De quem é esse samba, moleque? Meio encabulado, o negrinho deu a autoria:
- É meu.
- Teu mesmo?
- É.
- Como é teu nome?
- Toniquinho. E era o Toniquinho mesmo o engraxate. Toniquinho Batuqueiro, nascido e criado no Pau Queimado, sobrinho do Zé Almofadão, genial curuzeiro, e neto do Velho Silvério, maior tocador de tambu de todo o Brasil, além de ser um famoso macumbeiro. B. Lobo conheceu o Toniquinho e se sentiu em casa. São Paulo tinha samba. Samba da pesada. Então, ele se instalou e nunca mais foi embora." Também conhecedor da marginalização, o escritor e dramaturgo Plínio Marcos não era cronista de costumes de salão. Andava lado a lado com a rapaziada, remava contra a maré e defendia o samba paulista. Amigo fraterno de Toniquinho Batuqueiro, Plínio criou um espetáculo em que integrava seus textos à lavra dos sambistas-poetas-engraxates. Junto de Geraldo Filme e Zeca da Casa Verde, Toniquinho embarcou nas apresentações de "Nas Quebradas do Mundaréu", espetáculo e show que também foi mostrado com o nome de "Deixa Pra Mim Que Eu Engrosso", com a presença de outros sambistas. O espetáculo gerou um disco, gravado em 1974, que tornou-se fundamental para a história do samba de São Paulo: "Plínio Marcos em Prosa e Samba - Nas Quebradas do Mundaréu". O LP é uma raridade disputada nos sebos da cidade. Sabedor das dificuldades de sobreviver de sua arte, Toniquinho tem afiado o discurso da valorização do sambista. "Em show de branco e de artista da televisão, tem cachê alto, camarim e tudo. Mas quando é do samba, dizem que é bom pra divulgação. Eu já sou de idade, não quero divulgação, quero ganhar o meu pra engrossar a sopa. E promessa não engrossa a sopa de ninguém." Ao que parece, pelos seus versos, o aprendizado vem de longe. "Mandei preparar o terreiro que já vem chegando o dia / Eu vou encourar meu pandeiro preparar pra folia / Quando começar o pagode pego o pandeiro caio na orgia / No dizer de minha avó sambador não tem valia / Samba nunca deu camisa minha avó sempre dizia / Sambador não vale nada dorme na calçada não cuida da família / Quando começar o pagode pego o pandeiro caio na orgia". Atuante em diversas escolas de samba, Batuqueiro passou pela Vila Maria, pelo Império do Cambuci e outras, mas diz ter no coração a Unidos do Peruche, que ajudou a fundar junto com Carlão da Peruche. Ao lado de Carlão, na quadra da escola, Toniquinho orgulha-se pelo fato de ter uma "visão futurista" desde a juventude. "Eu sempre disse que a gente tinha que registrar os sambas da escola, para deixar alguma coisa pro futuro." Um disco saiu no início da década de 1970. São sambas que cobrem o período de dez anos da escola, da década de 1960. Em março de 2006, o projeto Memória do Samba Paulista renderá homenagem a Toniquinho Batuqueiro e lançará um novo disco com suas composições. "Se você quer construir uma casa, coloque um tijolo por ano que no final da vida você terá uma casa pra morar", aconselha o embaixador.
Por : RODRIGO SIQUEIRA

quarta-feira, 30 de março de 2011

O samba Naif de Heitor dos Prazeres



Heitor dos Prazeres nasceu no dia 23 de setembro de 1898, no bairro da Cidade Nova, famosa  Praça Onze, local que floresceu o samba carioca nos encontros da casa da Tia Ciata. Seu pai era marceneiro de profissão e clarinetista da Banda da Guarda Nacional, sua mãe costureira. Lino, como era conhecido, cresceu com as duas irmãs, família negra, vida simples e numa época onde a escravatura havia sido recentemente abolida, exigindo que as famílias andassem na linha, dedicando ao trabalho, único modo de manter o nível social longe dos morros e favelas. Dessa maneira, Heitor ou Lino, foi desde menino instruído como marceneiro pelo pai, que falecera quando tinha 7 anos. Aos 12 anos, já frequentava a casa da tia Ciata, levado pelos familiares, entre eles Hilário Jovino, grande entusiasta à carreira musical do menino Heitor, que olhe deu o primeiro cavaquinho. Nesta época Prazeres já estava em contato com ritmos afros como candomblé, jongo, lundu, cateretê e o samba, destacando-se como um grande ogã-ilu e ogã-alabé, improvisando versos, ritmando nos instrumentos de percussão e harmonizando em seu cavaquinho. 

A partir de então, Mano Heitor, como fica conhecido por andar com os bambas do Estácio, ganha a vida das ruas e noites cariocas, dos cines mudos, dos cafézinhos, dos carnavais, sempre cantando e tocando cavaquinho, conhecendo toda a gente do samba carioca. Logo suas canções estão nas rádios gravadas pelos  grandes intérpretes como Francisco Alves, torna-se parceiro de muitos sambistas renomados como Cartola, Noel Rosa, Herivelto Martins, Paulo da Portela e Sinhô, com quem travou a primeira polêmica musical. Quando foi reivindicar parceria numa música que havia estourado com Chico Alves, Sinhô lhe responde: "Samba é como passarinho, a gente pega no ar". Esta frase lhe rendeu o samba alerta " Olha ele, Cuidado" e "Rei dos meus sambas", ironizando o prefixo dado à Sinhô de rei do samba. Heitor tem uma carreira extensa e marcante na vida musical, sua obra abarca mais de 250 composições, entre sambas, canções, choros, valsas, baiões, marchas, etc. Mas, além desta grandiosa obra musical, Heitor dos Prazeres ganhou notoriedade com as arte plásticas, onde junto com alguns outros pintores, inauguram a Arte Naif no Brasil. Os quadros de Heitor destacam-se, além da vivacidade das cores e alegria características das obras naifs, pela contextualidade dos temas pintados. Ilustrou como ninguém a música, a dança, as festas, os bares, os ritos, as tradições, os lugares, os trejeitos, as mulatas, os malandros...só vendo pra crer. Heitor dos Prazeres é figura eternizada na cultura popular e merece nossas devidas homenagens. Resumindo, fiquem com algumas telas de Heitor dos Prazeres.



ASSISTA: Este vídeo documentário de 10 minutos, entrevistas grandes personalidades como Ricardo Cravo Albin, Heitorzinho dos Prazeres, Dona Neuma da Mangueira, Tônia Carrero, Haroldo Costa, Monarco da Portela, Paulinho da Viola e Elifas Andreato. No final imagens de Heitor e suas pastoras.



sexta-feira, 22 de maio de 2009

4 anos de Projeto 14 sambas

Mundo das Mensagens Hoje nosso bebê faz 4 anos, bebê que vai crescendo através de um trabalho que busca levar música e instrução, dentro de um ambiente de festa e alegria. Deco compos para as aberturas das rodas do Projeto o verso: "não estou dizendo que nós somos a escola, eu sou 14, sou da veia Quilombola", afinal nossa proposta não tem intuíto de ensinar nada a ninguém, mas sim propiciar junto aos que nos rodeiam, a experiencia de vivenciar um aprendizado. E diga-se de passagem que aprendizado. Com um grupo de talentos tão antagônicos, onde certas vezes um consenso a curto prazo podería ser algo complicado, o desafio da proposta somado a bons ensinamentos dos nossos pastores e pastoras, promove ao invés de viés, energia para que o motor do projeto prossiga em funcionamento. Nossos mais sinceros agradecimentos à todos que são esta energia pulsante Deco, Mazinha, Luiz Armando, Sonia, Samuel, Ivete, Dasdores, Skymó (ele complica o nome assim mesmo para chamar a atenção) , Paulinho, Ilder, Saulo, sumido Ramon, Paquitao, Presidente, Neto, Danielas, Karine, Munra, Fifa, Buiu, Julião, Vaguininho, Marcão, Ana Claudia, Da Massa, Barata, Cadu, Brau, Maria Claudia, Dani o feio, Joede, Luis Carlos, Sergião e amigos de Limeira City, Let Zepplin (sim o nome dele é este mesmo), Carioca, Gustavinho, Maria Olivia, Lisinha, Dina, Adirson e Dudé, Dezinho, Palmito, Família Boni, Café, Cofinha, Mazinha, Dr Márcio e Dr Bruninho, Seu Pedro e esposa, Chicletinho, Rafael do cavaco (este garoto promete), Ana Claudia, Luana, Luanda, Renata, Junião, Du, Fernandas, Yago, Luis Henrique, Nikinha, Gordinho e Gordinho, Biro, Lebório, Grupa, Sr e SRa Puga, Buziga, Pepino, Regina, Teda e à todas as outras importantes pessoas que devido minha fraca memória não se encontram nesta lista mas são de vital importância a todas as transformações sentidas a nossa volta, que este nosso projeto seja eterno "enquanto dure". por Fabio

quinta-feira, 30 de abril de 2009

DELCIO CARVALHO O CANTOR POETA




E o cantor virou poeta. Mestre Délcio Carvalho é uma destas figuras incríveis. Sempre atencioso em seus contatos, se intitula um cantor que virou poeta. Com composições emotivas e boas reflexões suas musicas conotam encantos imediatos nos ouvintes. Autor de clássicos como Acreditar, Sonho Meu, Minha Verdade entre tantos outros sucessos, quando seu nome foi proposto como possibilidade para um de nossos projetos os votos foram unanimes. Parceiro de Dona Ivone Lara, ao citar o que é trabalhar junto a amiga ele afirma: "Minha parceria com Dona Ivone Lara foi um momento mediúnico" o que é facilmente visivel nas musicas onde a cinergia é perfeita. Um outro grande parceiro de Carvalho foi outro mestre, de nome popular entre os sambistas, ninguem menos que Silas de Oliveira. Delcio afirma que os momentos ao lado de Silas era sempre divididos entre aprendizado e devoção, dada a simplicidade de Silas e também sua devoção ao carnaval. Mestre Delcio Carvalho defende a necessidade do "mercado cultural" rever conceitos para que mais poetas do povo surjam no cenário do sambístico. Abaixo você pode conferir as musicas que serão tocadas em homenagem a este inteligente, sensível e amistoso "cantor poeta". por Fábio

quinta-feira, 16 de abril de 2009

terça-feira, 14 de abril de 2009

É por isto que eu vivo no "CLUBE DO SAMBA" nesta gente bamba eu me amarro de montão...



Hoje vou falar do Clube do Samba, este espaço coletivo que gerou belas composições e parcerias no início dos anos 80. O carioca João Nogueira sempre foi um defensor do samba, aprendendo musica com seu pai que além de advogado era músico profissional, já adolescente compôs sambas para blocos carnavalescos do Méier no Rio de Janeiro. Mesmo no auge de sua carreira jamais abandonou seus valores culturais. Foi baseado nestes valores, em uma época que o samba começava a ser abafado pelas imposições da Industria Cultural, ficando o mercado fonográfico e a mídia apenas preocupadas em garantir seu famoso "jaba", que em 1979 João fundou o Clube do Samba, instalando este espaço em sua própria residência, no Méier bairro onde nasceu. Um verdadeiro pagode surgiu no lugar com muita bebida, comida, gente bamba e música. Martinho da Vila, Clara NuneS, Nei Lopes, Aniceto do Império e Roberto Ribeiro eram presenças frequentes no local. Basicamente o Clube do Samba era um espaço onde vários músicos talentosos se reuniam nos finais de tarde das sextas feiras para discutir, trocar idéias, beber uma cerveja bem gelada e discutir os rumos que a cultura e o samba estavam tomando. Neste espaço onde Jão Nogueira era tido como Presidente, ele viveu o que declarava ser os melhores momentos da vida, alimentando a esperança de que no Clube os diversos pares, parceiros e colaboradores conseguiriam mostrar aos mais jovens, que mesmo envoltos a tantas sensuras e especulações, as maninfestações culturais e coletivas poderiam possibilitar um futuro mais crítico e porque não dizer melhor. No vídeo abaixo João presta uma homenagem a Clara Nunes cantando a Mineira no Clube do Samba.por Fábio

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Como hoje é segunda feira vamos no compasso do malandro ou melhor malandra

Filha de Martinho Mart'nalia é...
E é neste compasso de alegria, cadência e malandragem que desejamos que sua semana siga. Com vocês Mart'nália.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O conterrâneo Alessandro Penezzi e Yamandu Costa em momentos descontraídos na noite piracicabana

O que poderia levar anos de ensaio à alguns músicos, aos virtuosos músicos Alessandro Penezzi e Yamandu Costa torna-se um animado momento de lazer. Registro disto foi o último dia 24 de março no restaurante Tambatajá (Piracicaba-São Paulo) onde após o show de Yamandu no Teatro Municipal de Piracicaba, Penezzi, Yamandu e outros amigos foram dar uma relaxada, termo absolutamente modesto ao que fizeram, no restaurante Tambatajá onde histórias animadas e momentos musicais mágicos animaram toda a noite. Abaixo dois vídeos onde peço atenção especial para Raíssa esta tímida jovem piracicabana que orquestrada por Alessandro Penezzi e Yamandu encantou os presentes. No primeiro vídeo Yamandu Costa e Alessandro tocam o choro 1 X 0 de Pixinguinha. Já no segundo vídeo a jovem Raíssa, dá em uma pequena demonstração de seu potencial talento cantando Hino de amor. por Fábio

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Polêmica no ar... Paulinho da Viola X Benito de Paula


O mundo do samba é rodeado de muitas polêmicas, Noel Rosa X Wilson Batista, Beth Carvalho X Clara Nunes e também uma polêmica não tão famosa assim, mas interessante, como a que se deu entre Paulinho da Viola e Benito de Paula. Quando Benito di Paula começou a despontar na mídia com seu samba "diferente" Paulinho da Viola lançou a música “Argumento”. Em sua música o portelense dizia:“Tá legal, eu aceito o argumento / Mas não me altere o samba tanto assim ....

De gravatinha, terno, cabelo comprido e piano, Benito di Paula fazia o povo requebrar com seu samba diferente. Foi logo tachado de brega pela mídia que também atribuiu na época a música "Argumento" de Paulinho como uma crítica ao seu trabalho que dispontava nacionalmente.

Benito como reposta ao que acreditou ser uma crítica do Portelense, lançou a agressiva música "Não me importa nada" cuja letra dizia o seguinte:
"Já não tenho hora, já perdi meu sono
Não me importo nada, eu lhe abandono
Você me aborrece, com opiniões
Você nem merece, nem me ver passar
Você quer que eu fale, mas eu vou dizer
Olha, eu só tenho que ter Pena de você
Você está perdido, se perdeu no tempo
Da cabeça aos pés, tá cheio de vento
Faça alguma coisa, deixa a gente em paz
Olha o campo verde, é todo seu, rapaz!"
Brega ou não, 20 anos depois o trabalho de Benito di Paula voltou para mídia através do grupo Revelação, regravando um sucesso de nome “Do jeito que a vida quer”. Quanto a Paulinho, em entrevista ao jornal O SAMBA, quando foi questionado sobre o fato acima, ele mostrou-se magoado com o boato e negou veementemente que o alvo fosse Benito: “Claro que não é para ele, eu nunca faria isso com um colega”, mais uma polêmica no ar recheada a uma ótima história. (Créditos desta postagem ao pessoal do Blog O samba é meu dom). por Fábio

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Como hoje é segunda feira vamos no compasso do malandro - Mussum da Mangueira

De "butequis" em "butequis" que este iluminado sambista alegrava as multidões de fãs com sua irreverência, sempre envolta a momentos rodeados de samba e "cachassis", nos descontraindo ao ponto que nem pensavamos tanto na segunda feira, bem pelo menos a encaravamos com mais alegria. por Fábio

domingo, 5 de abril de 2009

Lundu um dos patriarcas do samba


Para muitos pesquisadores o samba separa-se através de dois processos, um mais relacionado ao corpo, através das danças envoltas a sensualidade e desenvoltura corporal e outro musical embalado a ritmos percursivos praticados pelos negros escravos. O Lundu também seguiu este processo. Estudiosos afirmam que foi trazido por escravos bantos, tendo como origem provável Angola e Congo. O Lundu em seu período mais "patriarcal" tinha como tema a dança. Escravos simulavam um convite sexual do homem à mulher; onde esta que a princípio simulava resistência durante a dança, entregava-se aos caprixos do homem ao final da mesma. Em decorrência da demasiada sensualidade, lubridade e apelo sexual, forte demais aos padrões da época (o inicio do Lundu data de meados de 1780) e por ter raiz na veia escrava, os nobres da época criaram represálias e proibição da dança. Para sua sobrevivência o Lundu se adequou, europerizando-se e adotando padrões mais "embranquiçados" onde mais "brandos", (a dança ficou menos sensual onde homens e mulheres dançam soltos, formando um semi-círculo onde cada par, após dançar no centro, volta ao seu lugar; dançando todos juntos no final ) fez surgir o Lundu-canção. Com letras comicas, o Lundu-canção disfarçou-se e difundiu-se para as classes dominantes, alcançando aceitação. Através deste disfarce imbutiu nos temas de suas letras amores condenados pela sociedade, exaltação a mulher negra e mulatos, sem abrir mão totalmente de suas características esculturais, tanto na forma ritmica quanto na de expressão corporal. Estudiosos afirmam que o Lundu foi a primeira música negra adotada pelos brancos dominantes em função de seu "amulatamento" citado acima. Do Lundu muitos outros ritmos surgiram como o maxixe, chote e até o próprio samba. Hoje alguns projetos tentam manter viva esta manifestação porém com o decorrer dos anos várias alterações na sua forma de expressão e indumentária já ocorreram, como a que veremos nos vídeos abaixo do grupo de lundu Marajoara. por Fábio

sábado, 4 de abril de 2009

Riachão e mais sobre a cultura soteropolitana

Menino, muleque e grande conhecedor do cotidiano de seu povo este é Riachão. Impossível ver e não se emocionar com a figura deste sambista que deveria ter como sobrenome o adjetivo alegria. Com vocês mais um pouco de Riachão e suas histórias bahianas.Não há samba sem alegria, Salve Riachão.por Fábio

quarta-feira, 1 de abril de 2009

A dança de Pixinguinha e sua banda


Foto Pixinguinha e sua banda
Exitem achados que simplesmente são impossíveis de descrever através de textos sua importância e historicidade, sendo assim deixarei para que vejam pessoalmente este registro sedido pelo professor Thomas Farkaz, um filme que ele achou por acaso em suas coisas para a sorte dele e nossa. Aproveite e deguste este registro histórico com Pixinguinha, João da Bahiana, Donga, Benedito Lacerda e outros bambas dançando um Choro como você nunca viu. por Fabio

sábado, 28 de março de 2009

Zé Ketti o garoto propaganda da GE em 1968


No ano de 1967 a marcha-rancho Máscara Negra de Zé Ketti ganhou o título de a melhor marcha rancho do ano. Aproveitando o gancho um ano depois a empresa General Eletric usando da popularidade da canção e também da figura do sambista lançou um produto de mesmo nome, "o televisor Máscara Negra" tendo Zé Ketti como garoto propaganda mostrando um lado pouco conhecido deste sambista. por Fábio

sexta-feira, 27 de março de 2009

Resultado da enquete: O samba morreu?



Como apareceu esmagadoramente em nossa última enquete (86%) o samba é eterno, logo não serei redundante afirmando ou querendo justificar o resultado da mesma, afinal ela já diz muito. Particularmente acredito que enquanto houver comunhão de respeito entre pessoas aliadas a pandeiros e "telecotecos" o samba estará vivo, afinal ele não é só tocado ( pelo menos na humilde percepção de quem aqui lhes escreve) tornando-se uma relação tão forte, que possibilita ao sambista falar da tristeza mais profunda envolto a um ritmo que manifesta a mais pura alegria. Mesmo em menor porcentagem (5%), o fato de pessoas acreditarem que ele se transformou é também interessante. Embora seja complicado e perigoso falar do tema sem reflecções profundas e análises críteriosas de seu processo evolutivo , percebemos que surgiram durante estes anos muitos "clones" deste ritmo como o samba funk, samba rock, samba reggae, samba de coco, samba soul e até o samba punk, sim samba "punk", onde gringos escosseses ao melhor estilo hardcore, balançando suas cabeças entopetadas além de criar uma nova vertente, sinalizam até aos mais céticos que algo esta ocorrendo. Quanto aos que acreditam em sua morte (9%), fica dificil para um amante do samba como eu, surtir qualquer comentário , mesmo respeitando. Porém me sinto obrigado a sugerir que pelo menos tentem, poderosos incrédulos, sambar ao som do vídeo abaixo; aí quem sabe depois vocês até mudem sua opinião?. E para você que ainda não respondeu, o samba morreu? (Deixe um comentário)por Fábio

segunda-feira, 23 de março de 2009

Já que hoje é segunda feira vamos no compasso do malandro

Murilão é um típico sambista. Criado e nascido na boca do mato, Rio de Janeiro, radicou-se em São Paulo nos anos 70 tornando-se compositor de sambas enredo, vencendo em várias escolas de samba paulistanas como Perola Negra, Imperio do Cambuci, Camisa Verde e Branco, Renascença da Lapa, Império da Casa Verde e também o festival de MPB na Sabesp. Nos anos 70 participou do famoso bar Jogral ao lado de féras como Nelson Cavaquinho, Martinho, Paulo Vanzolini e Nara Leão. Murilão é bem recebido em qualquer roda de samba dada sua irreverência e malandragem que "só quem é" pode exercer. E justamente neste ritmo que esperamos que sua semana siga "Na total crocodilagem" e como diria Murilão com a total proteção de Oxum. por Fábio

sábado, 21 de março de 2009

Teleco teco - Um show com Cyro Monteiro e Dilermando Pinheiro 1968




O ambiente é o teatro Opinião, no quente ano de 1968 marcado pelas mudanças, protestos e lutas pela cultura mais libertária . Os personagens Dilermano Pinheiro e Cyro Monteiro retratam no show Teleco Teco as várias nuances da vida dos sambistas da época, em um misto de recordações de sambas clássicos e piadas bem interpretadas que, durante o show descontraem e tiram vários sorrisos do público presente. A junção entre o sambista de breque Dilermando Pinheiro, rodeado por suas características não tão profissionais (conforme sita no encarte deste disco Sérgio Cabral) e o sambista Cyro Monteiro (descrito por Vinícius no mesmo encarte como uma figura humana incrível dada sua humildade) dão o tom exato para este espetáculo, conforme poderão conferir no audio abaixo. Com vocês o show Teleco Teco de 1968 por Crâ



1 - Texto e Músicas Lado A: • Apresentação• Minha palhoça (J. Cascata)• Alô João (Cyro Monteiro-Baden Powell)• Para me livrar do mal (Ismael Silva-Noel Rosa)• A mulher que eu gosto (Cyro de Souza-Wilson Batista)• Volta para casa Emília (Antônio Almeida-José Batista)• Deus me perdoe (Humberto Teixeira-Lauro Maia)• Pedra que rolou (Levava jurando) (Pedro Caetano)• Lulú de madame (Paulo Gesta-Augusto Rocha)• Se acaso você chegasse (Lupicínio Rodrigues-Felisberto Martins)

2 - Texto e Músicas Lado B:• Escurinho (Geraldo Pereira)• A Lalá e a Lelé (Jayme Britto-Manezinho Araújo)• Madalena (Ary Macedo-Airton Amorim)• Amei tanto (Baden Powell-Vinicius de Moraes)• Eu queria (Roberto Martins-Mário Rossi)• São demais os perigos desta vida (Vinicius de Moraes)• Ai! Que saudades da Amélia (Ataulfo Alves-Mário Lago)• Emília (Haroldo Lobo-Wilson Batista)• Dora (Dorival Caymmi)• Marina (Dorival Caymmi)• Maria Rosa (Nássara)• Florisbela (Nássara-Frazão)• Conceição (Dunga-Jair Amorim)• Clélia (Catullo da Paixão Cearense-Luiz Souza)• Aurora (Roberto Roberti-Mário Lago)• Eva querida (Benedito Lacerda-Luiz Vassal)• Isabel (Arlindo Marques Júnior-Roberto Roberti)• Julieta! Julieta! (Manezinho Araújo)• Odete (Herivelto Martins-Dunga)• Isaura (Herivelto Martins-Roberto Roberti)• Rosa Morena (Dorival Caymmi)• Menina fricote (Henrique Batista-Marília Batista)• Nos braços de Isabel (Silvio Caldas-José Judice)• Formosa (Baden Powell-Vinicius de Moraes)• Até amanhã (Noel Rosa)

segunda-feira, 16 de março de 2009

quinta-feira, 12 de março de 2009

O precursor dos sambas "dor de cotovelo"


Você sabe o que é ter um amor meu senhor? ... por Lupicínio

Lupicínio Rodrigues mesmo sem saber tocar nenhum instrumento musical foi um exelente compositor. Suas canções eram compostas através de assovios e da marcação da música através de uma caixa de fósforo. Excelente improvisador, alguns pesquisadores o consideram como criador do gênero samba "dor-de-cotovelo". Lupicínio foi um dos poucos sambistas tradicionais nos anos 40e 50 a fazer sucesso fora do eixo Rio - São Paulo. Algumas de suas mais célebres composições decorreram de uma paixão de 5 anos com uma carioca chamada Mercedez que o trocou por outro. Deste momento compôs vários clássicos do gênero como Briga de amor, Minha ignorância, Nunca e Vingança. O fato interessante destes sambas é que retratam um lado controvérso a algumas composições mais atuais de letras motivadas a grandes conquistas amorosas o que muitas vezes me põem à pensar; será que estes sambas de Lupicínio se feitos nos tempos atuais teriam também tanto sucesso, tendo visto que o mundo atual nos motiva a dar mais glórias as conquistas do que aprender com as perdas? Abaixo um vídeo de Lupicínio e Paulinho da Viola, uma dobradinha perfeita.por Fábio