quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Histórias do Carnaval

INTRODUÇÃO

Saulo Ligo, compositor, comunicólogo e músico

Este artigo traz em 3 capítulos a história da formação dos principais blocos de carnaval do Rio de Janeiro e desta forma do Brasil. Em especial o bloco Cacique de Ramos, responsável por uma mudança significativa na tradição do samba no decorrer da década de 60 até os dias de hoje. Modificações que estão sendo delineadas pelo tempo e pela disposição artística pela qual passa a grande mídia e os focos menos privilegiados de novos sambistas e compositores. Desconhecidos, porém novos e sedentos pelo espaço na história da cultura da música popular brasileira

"Cidade, quem te fala é um sambista
Anti-projeto de artista, teu grande admirador."
Paulo da Portela



A Cidade Mulher, de Paulo da Portela, nos tempos que o Brasil ainda estava coberto, antes dos Cari chegar, tudo isso onde pisamos e existimos e vivemos, era Ibi dos Abás, ou terra do homem índio, em Tupi-Guarani. A história do Brasil começa a ser contada em 1500, com a "descoberta", mas a estória já estava sendo contada em Tupi-Guarani, língua dos índios que aqui moravam. E uma porção deles, os Caiapó, os Tupinambá, os Cariri, que sambavam e muito, segundo diz Bernardo Alves, pesquisador pernambucano dos anos 60 e 70, autor do livro "A Pre-História do Samba". Dizem que em 1502, Américo Vespúcio, sim! aquele mesmo, que descobriu as Américas (dizem que foi ele) ao passar pela Baía da Guanabara, ficou embasbacado com o que via, e pensando ser um rio, ou um pará, deu o nome de Rio de Janeiro. No ano seguinte, um tal de Gonçalo Coelho, pousou na praia onde hoje é do Flamengo, junto a foz de um riacho e contruiu ali uma feitoria. O riacho, por conta desse Gonçalo passou e se chamar Rio Carioca. Isso na língua dos Tamoios significava casa de branco, ou seja, cari ou homem e oca, casa. Carioca, povo bão de samba, que só! Samba que no Rio de Janeiro ganha expressão nacional, o samba do Estácio. Na história do Brasil, Estacio de Sá, sobrinho de Mem de Sá, é quem funda a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, na praia de Fora, entre o Pão de Açúcar e o Morro Cara de Cão. As praias da Baía de Guanabara era lugar das tabas do índios Tamoios. A história também conta que Ismael Silva, junto aos bambas de lá do Estácio, montam o bloco Deixa Falar, devido às perseguições que sofriam com as mudanças que impunham ao desfilar, mudança essa foi a introdução do surdo, para dar a entrada do coro na volta da primeira parte do samba. No Largo do Estácio havia uma Escola Normal, daí Ismael Silva tirou a idéia de montar a Escola De Samba com o pessoal da Deixa Falar, um seleto corpo docente que formaria a academia do samba, no sentido mais pedagógico da palavra, e entre eles estavam Mano Aurélio, Nílton Bastos, Armando Marçal, Mano Rubens, Baiaco, Brancura, Heitor dos Prazeres, Mano Edgar, Bide e Juvenal Lopes. Outros blocos conhecidíssimos na época era o bloco dos Arengueiros e o bloco Estação Primeira, que Cartola organizaria a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira e blocos de Madureira que formariam a Portela, outra tradicional Escola de Samba.

Ramos, a capital de Leopoldina

A Zona Norte do Rio de Janeiro, compreende talvez os principais bairros da cidade. Dos bairros mais afamados como Tijuca, Maracanã e Jardim Guanabara. Lugares de intenso mercado popular como Madureira, Penha e Meier. Outras mais pobres como Mangueira, mas de grande efervescência artística, nada menos que Cartola e Nelson Cavaquinho são de lá. E também bairros que se industrializaram no começo do século XX, como Bonsucesso, Olaria e Ramos, na zona de Leopoldina. Esses dois últimos são especiais neste capítulo. Antigamente, no final do século XVI, aquelas terras foram divididas em duas sesmarias: a de Inhaúma e a de Irajá. Eram terras boas, à beira mar, tanto para a pesca quanto para a lavoura. Nas imediações eram comuns fazendas e engenhos de cana de açúcar, que predominavam com sua economia rural. A comunicação e a troca de mercadorias com a cidade era feita por estradas irregulares, dos tempos coloniais. Mais tarde com a chegada dos trilhos de trem, a monocultura deu lugar aos cafezais, com seus casarões situados em pequenas chácaras. Possivelmente a mão de obra era escrava. Isso caracterizaria a sociedade que ali era formada, dentro da miscigenação natural do país. Em meados do século XIX, a fazenda Nossa Senhora do Bonsucesso é desmembrada e uns dos lotes forma o coração de Ramos e Bonsucesso. Durante o reinado de Dom Pedro II que o bairro de Ramos começou sua história. O bairro começa a se estruturar, escola primária, cursos técnicos, teatro, cinema e a famosa praia de Ramos se desenvolve. E com o desenvolvimento vem a cultura, e claro, o carnaval. No início do século XX, os primeiros registros das festividades com a criação do Clube Familiar Carnavalesco Promptos de Ramos. E assim, outras sociedades foram criadas: O Clube dos Endiabradosde Ramos e os foliões do Ameno Heliotropos. Mais tarde, foi criado os Banhos de Mar à Fantasia, e outros blocos apareceram: Sai como Pode, Sereno de Olaria, Paixão de Ramos, Razão de Viver e o Boi da Coroa. Em 1931, surge a Escola de Samba Recreio de Ramos e tinha entre seus fundadores Armando Marçal, que foi vice-presidente da escola. Lá ocorriam afamadas rodas de samba, frequentadas por Mano Décio da Viola, Heitor dos Prazeres, Bide, que lançou ali o samba Agora é Cinza junto com Marçal, e Pixinguinha, que morava em Ramos e fazia em sua casa rodas de choro e grandes noitadas de serestas. Pixinguinha em 1956 compôs o Hino de Ramos, em homenagem à comunidade que sempre o reverenciou. Até o Maestro Heitor Villa-Lobos frequantava os pagodes de Ramos, compromissos que o levaram a se encantar por uma das moradores do bairro. Quando o Recreio de Ramos começa a se esvaziar até seu desaparecimento no final da década de 60, surgem duas novas agremiações: a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, em 1959, e o Bloco Carnavalesco Cacique de Ramos, fundado em 1961. Assim começa nossa História de Carnaval e o samba começa a ganhar uma nova forma com o futuro promissor do Bloco Cacique de Ramos, que seria o bloco mais famoso do Rio de Janeiro.

Aspectos sociais, o Cacique de Ramos e o samba

Década de 60. A esfera política no mundo está em transformação, mudanças sociais e de pensamentos. A sociedade da época tinha na bagagem toda a carga das reestruturações geopolíticas, herança da década de 50 e da Segunda Guerra Mundial. Assim o mundo estava dividido em dois eixos: Capitalistas e Comunistas. Fora toda carga trazida da era moderna, das grandes navegações ao desconhecido, as investigações científicas, os filósofos iluministas que deixavam o teocentrismo e o feudalismo para trás, colocando o homem e a razão no centro do universo, a ascensão da burguesia nas classes sociais, a revolução industrial e os novos conceitos trabalhistas, mesmo não tendo direitos, só conquistados na Revolução Francesa, Liberdade, Igualdade e Fraternidade! e uma relação de mercado visando a produção numa ótica cada vez mais globalizada. As Grandes Guerras marcaram profundamente as nações, derramando sangue e estabelecendo critérios de raça cruéis disseminando o preconceito racial no mundo, mas forçaram o avanço tecnológico, talvez fato imprescindível ao conceito da internet, com o domínio das ondas de freqüência e a tecnologia. O Rio de Janeiro estava em constante transformação e a capital se transferindo para Brasília em 1960, no governo de Juscelino Kubitschek. Seu sucessor Jânio Quadros governa por 7 meses e renuncia. Então, seu vice João Goulart assume a presidência, mas sob pretexto de influências e tendências comunistas de Jango, em 31 de março de 1964 um conjunto de manobras políticas culminariam no golpe militar e uma ditadura de 21 anos, isso tudo incitado pelo Golpe de Estado aplicado no dia 1º de Abril...até parece mentira! É neste ambiente que jovens na média de 20 anos de idade criam o Bloco Cacique de Ramos, que foi fundado em 20 de Janeiro de 1961, dia de São Sebastião, padroeiro da cidade, na rua Uranus em Olaria. O projeto cultural do bloco trouxe como símbolo a imagem do índio, a história e a voz do povo, que estava preocupado com o carnaval carioca, a principal manifestação cultural da cidade.
A imagem do índio, na vez de cacique, remonta toda a história do Brasil, do passado e do trajeto a seguir para o futuro. Entre os fundadores estavam jovens com nome de índio, como Ubiraci, Ubirani, Ubirajara, Aimoré e Maíra, todos dados por motivos religiosos. Muitos moravam nos subúrbios de Leopoldina como Ramos, Olaria e Bonsucesso e saim pelas ruas no carnaval vestidos de índio, pulando e dançando, milhares de índios. Desde o fim da década de 60, as rodas de samba ficam freqüentes na quadra de ensaio do bloco. Ali eram cantados e resgatados os sambas tradicionais feitos em terreiros de sambas das escolas e a própria tradição de se fazer samba em fundo de quintal, chão de terra e quadra. Desse encontro de sambistas e reuniões de pagodeiros e partideiros, no sentido puro da palavra, que nada mais é que reunião de sambista para se fazer samba, surge o grupo Fundo de Quintal, apadrinhado por Beth Carvalho, que em 1978 convidou o grupo pra gravar em seu disco "Pé no Chão". O grupo fundamenta-se em torno de dois irmãos, um o Bira Presidente, nome que categoriza sua função no Cacique de Ramos e o outro Ubirani, filhos de pais extremamente representativos no mundo do samba. O pai é sambista nascido no Estácio, amigo de grandes nomes do samba e a mãe é prestigiada mãe de santo, formada na tradição umbanda e iniciada aos 16 anos no terreiro de Mãe Minininha de Gantois, na Bahia. Os outros integrantes são Almir Guineto, que introduziu o banjo, Sombrinha e Jorge Aragão, na harmona e Sereno e Neoci nas percussões, este último filho de João da Baiana, um radical do pandeiro no Brasil. O grupo, transformados pelo contexto social, movidos por incrível criatividade musical, trazendo um remolde dos padrões sonoros e timbres de percussões, que antes não faziam parte do tradicional, como o repique de mão, inventado por Ubirani, o tantãn, criado por Sereno, o banjo, instrumento que Arlindo Cruz iria fazer história, depois que entra para o Fundo de Quintal, com a saída de Almir Guineto e Jorge Aragão em 1981 para seguirem carreira solo, e o falecimento de Neoci. O samba de estava de cara nova, com elementos novos e que haviam caído nas graças do povo. Com isso, todo um plano mercadológico é construído, pelo apelo popular e novos pagodeiros e batuqueiros e compositores e cantores surgiam nas rodas do Cacique. O mercado vai ficando inflamado e o nome pagode vai sendo difundido e requisitado, novos nomes, novos sambas falando das coisas do subúrbio, numa linguagem nova, restaurada, quebrando paradigmas e estéticas no jeito de cantar, dando espaço ao improviso, ao cantar à vontade e um novo modo de expressar o samba. Dali saem novos grupos, que sustentados artisticamente pelas novidades caciqueanas vão ganhando espaço na mídia, ganhando mais apelo popular, rádios, programas de TV e o que era um subgênero, vira sinônimo de samba. O pagode ganha dimensões estilísticas e vai pelas décadas de 80 e 90 a dentro, contaminando as classes equivalentes no país todo. As gravadoras e editoras sustentam hoje um grande império do pagode que foi construído sob a imagem do samba e muitas vezes a história ficou contada pela metade, deixando de lado alguns itens que identificam o samba enquanto gênero de grande circulação e consumo popular. O samba de fato marca como um giz, por isso é preciso cuidado ao perceber a arte através do tempo. Como a própria frase diz, o giz ele marca mas não cicatriza, deixa o tempo e o caminho da arte direcionar seu rumo, baseado nos costumes sempre contemporâneos mas não desvinculados do passado histórico da música que deve ser sempre respeitado e compreendido. Dessa forma, as tradições populares, os costumes regionais e característicos de cada localidade, com seu sotaque, sua cor, sua dimensão deve ser preservado, para assim o samba ser eterno. Eterno porque é raiz. Radical é aquele que busca nas raízes.

ASSISTA este pequeno documentário sobre o Cacique

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Sombrinha

Montgomery Ferreira Nunis, paulista de São Vicente, é mais conhecido como Sombrinha, cantor, compositor, cavaquinista, bandolinista, banjoísta e violonista. E um dos fundadores do grupo Fundo de Quintal, junto com Almir Guinéto, Jorge Aragão, Bira, Ubirani, Sereno e Neoci. Autodidata, Sombrinha começou cedo a tocar. Aos 14 anos, ganhou do pai um violão de 7 cordas e passou a tocar em casas noturnas. Em 1977, aos 18 anos, já era profissional, e gravou com Baden Powell e Originais do Samba. Dois anos depois, estava na cidade do Rio de Janeiro. Além do grupo Fundo de Quintal, ele tem em seu currículo, vários sucessos. Em 1980, compôsMarcas no leito, com Jorge Aragão, sucesso na voz de Alcione, depois regravada por Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, o próprio Aragão, Ivone Lara, Chico Buarque e Caetano Veloso, entre outros. Ao longo da carreira, colecionou 10 Prêmios Sharp de Música, desde os tempos de Fundo de Quintal. Três deles, como melhor composição, para as canções Além da razão, Nas rimas do amor e Ainda é tempo pra ser feliz.

CONFIRA: Trechos de algumas entrevistas cedidas por Sombrinha.

COM QUE IDADE COMEÇOU A CARREIRA DE MÚSICO? Comecei muito cedo. Aos 14 anos ganhei um violão de sete cordas do meu pai e comecei a tocar em casas noturnas. Hoje, além do violão, toco cavaquinho, banjo e bandolim. Em 1977, quando completei 18 anos, já tocava profissionalmente. Foi aí que gravei com Baden Powel e os Originais do Samba.

VOCÊ TEVE ALGUMA INFLUÊNCIA MUSICAL? Existem várias, como Chico Buarque, Paulinho da Viola, Pixinguinha, Jacó do Bandolim. Meu pai fazia rodas de choro, e desde menino, acompanhava meu pai. Sempre respirei a boa música.

TEM ALGUÉM QUE ALÉM DE INCENTIVO TENHA TE AJUDADO NO INÍCIO DA SUA CARREIRA? Meus grandes amigos Almir Guineto, Jorge Aragão e Neoci, que fundou o grupo Fundo de Quintal, foram sem dúvida pessoas que me incentivaram a dar o pontapé inicial na minha carreira.

EXISTE ALGUMA DIFERENÇA ENTRE O SAMBA QUE ERA FEITO ANTIGAMENTE DESTE QUE É PRODUZIDO HOJE EM DIA? A diferença é que o samba daquela época foi uma revolução melódica. Acabou acontecendo.Nós íamos para o terreiro cantar músicas, mas inéditas e fizemos uma escola. Em 1984 foi que a coisa arrebentou de vez mesmo. O pessoal de hoje faz pagode, com músicas que tocam na rádio. Na nossa época, o Beto Sem -Braço vinha e mostrava uma música e depois que ele mostrava todo mundo já aprendia e cantava junto.. eu, o Jorge Aragão, o Zeca, o Arlindo Cruz. E isso criou um movimento muito forte de compositores e músicos. E hoje nós somos referência. Já o pagode é um estilo que foi criado, que eu não tenho nada contra. Acho que é válido. Eu costumo dizer que cada um faz o que sabe.

TU QUE JÁ RECEBESTE VÁRIOS PRÊMIOS, ENTRE ELES DEZ DO SHARP DE MÚSICA, QUAL É A CONTRIBUIÇÃO DESTES PRÊMIOS PARA O SAMBA? Acho que é a melhor possível. Veja bem, de todos os sambas, você ganhar como melhor compositor, é maravilhoso! É o reconhecimento de um trabalho que foi construído ao longo de quase 30 anos. Foram dez prêmios Sharp de Música, sendo três como compositor. Vale esse reconhecimento e eu tenho muita estima pelos prêmios de música do Brasil. Causa uma certa segurança para a gente fazer cada vez melhor.

TENS COMO APONTAR UM ARTISTA QUE TU CONSIDERE A REVELAÇÃO DO SAMBA? Para mim, todos são contemporâneos, não tenho como apontar. Eu acho, sinceramente que depois do Fundo de Quintal a coisa parou, não teve criação e novidade dentro do samba. Tanto como movimento,tanto como compositores.

HOUVE ALGUM MOTIVO PARA TER SAÍDO DO FUNDO DE QUINTAL, PARA FORMAR DUPLA COM ARLINDO CRUZ? Nenhum motivo em especial. Larguei porque já estava desgastado para mim. Já havia 12 anos que estava no Grupo. Queria fazer uma coisa diferente, como misturar as músicas com choro, valsa... Uma coisa que tivesse mais a minha cara, e lá eu não tinha esse espaço. Então, sai e formei dupla com Arlindo, que durou sete anos. Foi uma fase de sucesso. Gravamos cinco discos.

VOCÊ DESMANCHOU A DUPLA PARA LANÇAR CARREIRO SOLO. MAS VOCÊ E O ARLINDO CONTINUAM AMIGOS? Sim. Somos amigos. Ele é o meu compadre. Cada um está seguindo sua vida agora.

ASSISTA: Ensaio com Arlindo Cruz e Sombrinha, pela TV Cultura, programa de Fernando Faro.


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Almir Guineto

Almir de Souza Serra nasceu no dia 12 de julho de 1946 no Morro do Salgueiro, Rio de Janeiro. Criado em meio a músicos de primeira linha como Geraldo Babão, Antenor Gargalhada e muitos outros, Guineto cresceu influenciado pela veia sambista de seu pai, Iraci de Souza Serra, respeitado violonista e integrante do grupo Fina Flor do Samba, e de sua mãe, Nair de Souza Serra – a “Dona Fia”, costureira do Salgueiro e figura ancestral do samba. Dono de uma voz inconfundível, única, rascante, o cantor, músico e compositor ingressou aos 16 anos no grupo Originais do Samba, fundado por seu irmão mais velho, Francisco de Souza Serra – o “Chiquinho”, onde tocou por dez anos. O “Rei do Pagode” - como ficou conhecido – conduziu a bateria do Salgueiro por 15 anos e ao sair deixou o posto para seu irmão mais novo, o lendário “Mestre Louro”. No final dos anos 70, em meio à alta sonoridade dos couros de tantãs e pandeiros da época, Almir adapta o banjo americano ao samba do Cacique de Ramos. Também é neste período que Guineto começa a se destacar, durante os pagodes, como versador imbatível, partideiro incontestável, devido à sua criatividade e divisão de tempo na aplicação das rimas de improviso. Apoiado por Beth Carvalho, Almir Guineto oficializaria em 1980 a fundação do Grupo Fundo de Quintal, ao lado dos parceiros Neoci, Jorge Aragão, Sombrinha, Bira, Ubirany e Sereno. Após a gravação do disco “Samba é no Fundo de Quintal”, Almir deixaria o conjunto a partir de 1981 para cantar em carreira solo. Almir Guineto é hoje grande representante do pagode, compositor assíduo, voz marcante e tem raízes profundas na história do samba.

ASSISTA: Zeca Pagodinho interpreta Lama nas Ruas, parceria com Almir Guineto.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Arlindo Cruz

Arlindo Domingos da Cruz Filho (Rio de Janeiro, 14 de setembro de 1958). Aos sete anos, o menino ganhou o primeiro cavaquinho. Aos 12 começou a aprender violão com seu irmão, Acyr Marques. Entrou para a escola Flor do Méier, onde estudou teoria, solfejo e violão clássico por dois anos. Ainda novo começou a fazer rodas de samba e conheceu Candeia, padrinho considerado de Arlindo, com quem gravou seus primeiros discos, tocando cavaquinho. Ao completar 15 anos foi estudar em Barbacena MG, na escola preparatória de Cadetes do Ar, mas não abandonou a música. Cantava no coral da escola. Começava, então, a nascer o compositor Arlindo Cruz, que ganhou festivais em Barbacena e Poços de Caldas. Quando deixou a Aeronáutica, passou a freqüentar a roda de samba do Cacique de Ramos, que já revelava novos talentos. Lá, conheceu seu principal reduto de samba, onde ganhou reconhecimento musical como compositor e instrumentista. Com a saída de Jorge Aragão do Fundo de Quintal, foi convidado a participar do Grupo. Foram 12 anos de dedicação e projeção nacional. Saiu do Fundo de Quintal em 1993 e começou um carreira solo, logo depois fez parceria com Sombrinha. Tem mais de 550 músicas gravadas por diversos artistas. Hoje goza de grande aclamação popular e é um dos compositores mais ativos do país. A impressão que fica é que, mesmo envolto pela indústria cultural, Arlindo não perde suas raízes e tem mãos batizadas em berço esplêndido de sambistas. Hoje, juntamente com Zeca Pagodinho, Maria Rita e Marcelo D2, Arlindo Cruz causa uma profunda (re)transformação do samba na sociedade. Romper paradigmas é acabar com preconceitos.

ASSISTA: Neste vídeo estão Arlindo Cruz e Sombrinha, no Programa Ensaio da Tv Cultura.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Mauro Diniz

Nascido num dos bairros mais tradicionais do samba carioca de Oswaldo Cruz, aos 4 anos ficava entre as pernas do pai, deixando todos boquiabertos com a habilidade nos primeiros acordes no cavaquinho. Aos 8 anos além de ter feito uma paródia com um samba de seu pai, para ser o samba-enredo do Bloco da Alegria, foi presenteado com um violão por sua mãe Thereza, pastora da Escola assim deu seus primeiros passos em direção a música guiada nada mais nada menos por bambas da Velha Guarda da Portela. Tinha seu sono embalado por sambas Antológicos de seu maior ídolo, seu pai, o Extraordinário Monarco da Portela. Mauro Diniz foi um autodidata invejável, durante muito tempo. Aos 24 anos comprou seu primeiro cavaquinho, não se separando do instrumento, até trocá-lo por um outro que já tinha sido do Mestre Nelson Cavaquinho, este último o acompanha até hoje. Em 1982, começou a cursar a Faculdade de Educação Física, não completando o curso devido às seguidas viagens que fazia integrando a banda da cantora Beth Carvalho. Estudou música com gente competente como o nosso saudoso Copinha, maestro Joaquim Nagle e, indicado pelo maestro e Produtor Rildo Hora, foi estudar piano clássico, harmonia e percepção com a magistral professora Felícia. Algum tempo depois se matriculou no CIGAM, um dos melhores cursos de música do Rio de Janeiro, onde concluiu o Curso de Harmonia, Improvisação e Arranjo. Teve entre grandes Mestres o ilustre IAN GUEST, o Mestre dos Mestres. Hoje, Mauro Diniz está entre os mais conceituados cavaquinistas do país, um dos mais estudiosos. Fazendo jus à veia poética da família - seu avô José Felipe Diniz escrevia poesias na revista mineira As Moças - Mauro também começou a compor e já gravou com Roberto Ribeiro, Grupo Fundo de Quintal, Nosso Samba e com Monarco. Já gravou tocando em quase todos os discos de samba e também com Amelinha, Fagner e Ivan Lins. Seu último CD, SAMBA COM REALIDADE, gravado recentemente, recorda os tempos de Pagodes do Cacique de Ramos e faz homenagens a grandes sambistas como Mestre Marçal, Roberto Ribeiro e ao Grupo Fundo de Quintal.

ASSISTA: Neste vídeo cantam Mauro Diniz e Guilherme Nascimento, parceiros no samba Ingrata Paixão.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Ratinho

Alcino Correia Ferreira, Ratinho foi criado em Pilares. Pela Caprichosos, escola do bairro, ganhou sete sambas-enredo incluindo um estandarte de ouro em 78, “Festa da uva, no Rio Grande do Sul”. Tem mais de dez músicas gravadas com o parceiro Zeca Pagodinho e outras por Roberto Ribeiro, Jovelinha Pérola Negra, Jorge Aragão, Almir Guineto, Fundo de Quintal, Dorina, Beth Carvalho e Fátima Guedes. Entre muitos parceiros, um verdadeiro álbum de parcerias de samba, estão Monarco, Mijinha, Noca, Argemiro, Wanderley Monteiro, Guilherme de Brito, Nelson Cavaquinho, Mauro Diniz e Zé Luiz do Império. Desde 2004 ele organiza a Toca do Rato, ao lado da sua esposa Dê, que toca a cozinha. Lançou recentemente o Cd O Rato sai da Toca, com composições suas inéditas.

“Ratinho é para citar seu samba com o parceiro Marcio Vanderlei, um caso sério. Não basta ter completo domínio da arte de fazer samba, não é suficiente exibir competência, conhecer seu povo e sua cidade, tudo isso conta e muito, mas, tem que ter o Dom, tem que ser abençoado por entidades misteriosas que benzem a fronte dos que se tornam Mestres, São muitos os bons sambistas e raros aqueles que transmitem com simplicidade e beleza uma espécie de sabedoria ancestral. Não por acaso, Ratinho é um dos parceiros favoritos de Zeca Pagodinho, Sua benção, Ratinho! Sambista único - para voltar a citar o primoroso “Malaquias”, um craque como há muito não se via.ALDIR BLANC

ASSISTA: Neste vídeo Zeca Pagodinho convida Nilze Carvalho, Dorina, Teresa Cristina e Juliana Diniz. Participação de Monarco, parceiro de Ratinho no samba Coração em Desalinho.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Por trás das máscaras: o carnaval em Piracicaba e seus significados sociais

Décadas após a independência parecia ser necessário definir uma identidade para o país. O carnaval foi tomado como um pretexto que possibilitaria a construção da expressão cultural exclusivamente brasileira, passando a ser a questão literária mais importante durante a Primeira República.

Seja uma festa religiosa ou pagã, o carnaval sempre existiu na história da humanidade como um momento determinado pelos homens para expandir seus sentimentos de alegria e liberdade. É encontrado nas mais diversas formas: entre os gregos nas festas consagradas a Dionísio, aos romanos à divindade egípcia Isis, entre outros, sempre houve festas, danças, músicas, máscaras e risos.

O costume de se brincar carnaval no Brasil foi introduzido pelos portugueses, tendo início provavelmente no século XVI, sendo inicialmente conhecido como Entrudo.

Em Piracicaba, o carnaval se faz presente há mais de 50 anos e essa manifestação permitia a população uma integração social que ocorria através das músicas, das danças e confraternizações.

Como preparação aos três dias de loucura, os piracicabanos se muniam de confetes, serpentinas, limões de cheiro, lança perfumes, fantasias, máscaras, entre outros arsenais necessários para adoração ao deus Momo. No que diz respeito às práticas eram comuns os bailes populares e as brincadeiras de rua, para a elite, as festas aconteciam nos salões dos grandes clubes ou também em suas casas.

O carnaval popular era considerado perigoso pela burguesia piracicabana, pois havia uma convicção de que o povo era o representante do agente da desordem, sendo assim deveriam estar em extrema vigilância, sobretudo quando se encontravam em multidão e diante da oferta de bebidas alcoólicas.

Tido como um tempo de loucura, o carnaval assume uma função social, pois “afetados pela varinha mágica da loucura carnavalesca” os indivíduos podiam liberar seus instintos que permaneciam escondidos devido às regras estabelecidas pela sociedade.

Ainda com todo esse rígido controle, as farras carnavalescas nunca foram extintas por completo e mesmo na tentativa era muito difícil o controle sobre elas. Desse modo garantir a tranquilidade durante os dias de festa era e ainda é uma tarefa inglória para os policias encarregados de cumprir a lei.

O carnaval era uma possibilidade de tirar a dor dos homens que viviam na pobreza, desse modo a festa se transformava num ritual de inversão de valores. Não muito diferente do que ocorre atualmente, o carnaval continua sendo uma “válvula de escape” que alivia os sofrimentos e frustrações cotidianas.

Histórias do Carnaval






















Agora é Cinza (1933) Bide e Marçal

Você partiu,
Saudades me deixou,
Eu chorei,
O nosso amor, foi uma chama,
O sopro do passado desfaz,
Agora é cinza,
Tudo acabado e nada mais !...

Você,
Partiu de madrugada,
E não me disse nada,
Isso não se faz,
Me deixou cheio de saudade,
E paixão,
Não me conformo,
Com a sua ingratidão.
( Chorei porque )

Agora desfeito o nosso amor,
Eu vou chorar de dor,
Não posso esquecer,
Vou viver distante dos teus olhos,
Ho ! Querida,
Não me deu,
Um adeus, por despedida !
( Chorei porque )

Esta música foi lançada nos ensaios da Escola de Samba Recreio de Ramos, da qual Marçal era vice-presidente, para o carnaval de 1933 com o título de "Tu partiste", mas foi modificada pelo parceiro Bide, Alcebíades Barcelos (foto da esquerda) tendo ficado com o nome "Agora é cinza". Bide foi quem introduziu ao samba o surdo, instrumento de orquestra, na bateria da escola. "Naquela época não tinha surdo em escola de samba. Era só pandeiro e tamborim. Precisava do surdo para chamar atenção do coro que ia na frente e manter o ritmo. Por isso fiz quatro surdos de latas grandes e redondas de manteiga. No carnaval seguinte, todo mundo veio do mesmo jeito", costumava contar o compositor, que morreu em 1975.

Bide nasceu no dia 25 de julho de 1902 e como sapateiro era um ótimo compositor. Sua primeira composição, Malandragem, caiu nas graças do público e de Francisco Alves. "O Chico ouviu esta música e foi me procurar. Naquela época ele não tinha nem carro", revelou Bide a Juarez Barroso, do Jornal do Brasil, em 1966. O compositor e ritmista Armando Vieira Marçal (foto da direita) nasceu em 14/10/1902 no Rio de Janeiro e faleceu em 20/6/1947. Formou com Bide uma das mais importantes duplas de compositores de samba da primeira metade do século passado. Ofereceram duas músicas ao grande cantor Mario Reis: "Durmo Sonhando" e "Agora é cinza" que deixou Francisco Alves escolher qual preferia cantar. Chico Alves escolheu a primeira e Mario Reis ficou com a segunda que fez enorme sucesso no carnaval de 1934 ao contrário da outra. "Agora é cinza" foi eleita por um juri de críticos em 1975, convocados por Marcus Pereira, como "o melhor samba de todos os tempos". É um grande exemplo de como eram diferentes os tempos de outrora, quando o samba saía direto do coração pro papel.


ASSISTA: Este vídeo é parte da entrevista de Mestre Marçal ao Programa Ensaio de 1991 da Tv Cultura, de Fernando Faro.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010


Manifesto aos Cartunistas
30/12/2009

Apoio incondicional à Zetti!
Devido a visão de quem comanda nosso mercado editorial, muitos dos nossos desenhistas de humor, especialmente os caricaturistas, vislumbram, entre as poucas possibilidades de mostrar seus traços, os salões de humor nacionais e internacionais. Sem dúvida, o Salão Internacional de Humor de Piracicaba, o evento do gênero com maior longevidade no mundo, é uma das opções mais preciosas que temos.

Nenhum evento semelhante conseguiria se manter por tantos anos se não fosse pela atuação preciosa de algumas pessoas. Obviamente que ninguém trabalha sozinho, e que nenhum ser humano poderia carregar um piano desse porte sem a mínima ajuda que fosse, mas é inegável a participação eficaz de Maria Ivete Araújo, mais conhecida como Zetti, na coordenação e, principalmente, nas relações entre autoridades e artistas (leia-se cartunistas). Em todos os eventos semelhantes que costumo ir, em todas as reuniões de desenhistas, todos os encontros de cartunistas, sempre ouvi os melhores comentários a respeito da Zetti. São 30 anos de dedicação ao principal Salão de Humor que temos, e não tem cartunista que não a conheça e não a respeite. A Zetti é hoje uma referência para todos nós, jovens ou veteranos.

Desenho de humor e política só caminham de mãos dadas quando o primeiro fica de olho no segundo. E é essa política, mesmo em tempos de democracia, que pretende tirar do nosso convívio a presença irretocável da Zetti. A política tem nome, mas duvido muito que algum cartunista a conheça. Assim como eu não fazia a menor idéia de quem era o Prefeito de Piracicaba até pesquisar no Google, também não sei quem é Rosângela Rizzolo Camolese, a Secretária da Ação Cultural de Piracicaba. E é para esses políticos de carteirinha que todos nós cartunistas devemos nos dirigir e exigir que o trabalho sério e significativo da Zetti seja mantido. Afinal, não se faz salão de humor sem cartunistas, e nós, os cartunistas, não fomos consultados sobre a saída da Zetti da coordenação do Salão Internacional de Humor de Piracicaba.

Manifestem-se colegas!

Vamos entupir a caixa postal do Prefeito e da tal Secretária de Ação Cultural com e-mails,
cartuns e charges contrárias à essa burrice.
José Roberto / RJ
Cartunista


PREFEITO
BARJAS NEGRI
Rua Antonio Correa Barbosa, 2233 – 11o andar
3403-1040
SECRETÁRIA MUNICIPAL DA AÇÃO CULTURAL - SEMAC
RÔSANGELA MARIA RIZZOLO CAMOLESE
Avenida Maurice Allain, 454
3403-2600

BLOCO QUILOMBOLA 2010


RESERVA DAS CAMISETAS ATÉ DIA 10 DE JANEIRO

(MEDIANTE PAGAMENTO – serão somente 150 camisetas)

VALOR DA CAMISETA – R$ 30,00

(Inclui cerva, água, refrigerante e camiseta)

Reservas com: Skimó, Barata, Teda e no Divino’s Restaurante Joede

Entrega das camisetas: 30/01/10

Local: Clube 13 de Maio

Hora: 16h00

Atração: Roda de Samba - Comunidade Quilombola e convidados


Banda da Sapucaia – 6 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

“1º ESQUENTA DO AMBRÓSIO”

-Dia 09/01 SÁBADO as 14hrs
Local: Sind. Dos Bancários /Salão Social (Centro) Camisas à venda a partir de 23/12 (Bar do João/Abaporu/Bar Cruzeiro)
Participe, faça um Samba pro Mestre Ambrósio, é só enviar um e-mail parajfsamba@gmail.com e receber o regulamento-tema!!




quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Proximo homenageado do Projeto 14 Sambas - Luiz Carlos da Vila

Em outubro fará 1 ano que Luiz Carlos da Vila faleceu. O Projeto 14 Sambas através da obra deste compositor prestará uma homenagem no último Projeto do ano de 2009 a realizar-se no próximo dia 15 de Novembro. Mais que um dos melhores sambistas que o Brasil já teve, Luiz Carlos era o que posso chamar de um sambista do povo. Costumeiramente frequentava rodas de samba não só do Rio Janeiro mas também de locais onde apresentava seus shows, como poderemos perceber nos vídeos abaixo. Em breve maiores informações .



quinta-feira, 27 de agosto de 2009

3ª Feijoada Quilombola - Esta família e muito unida e também muito ouriçada

No último dia 23/08 ocorreu aqui em nossa cidade a 3ª Feijoada da Comunidade Quilombola, onde aproximadamente 650 pessoas brindaram o evento recheado por dedicação, amizade, samba e pessoas queridas perpetuando mais um sucesso e sensação de "prazer" cumprido a todos que direta ou indiretamente contribuiram. E a homenagem desta vez vai no sucesso que Dudu Nobre interpretou da composição de Dito e Tom:
A grande Família:
Esta família é muito unida
E também muito ouriçada
Brigam por qualquer razão
Mas acabam pedindo perdão...
Pirraça pai!
Pirraça mãe!
Pirraça filha!
Eu também sou da família
Eu também quero pirraçar...
Catuca pai!
Catuca mãe!
Catuca filha!
Eu também sou da família
Também quero catucar
Catuca pai, mãe, filha
Eu também sou da família
Também quero catucar...
Esta família é muito unida
E também muito ouriçada
Brigam por qualquer razão
Mas acabam pedindo perdão...


*_Para ver mais fotos clique aqui e acesse nosso perfil no Orkut_*

Parabéns Comunidade Quilombola e a todos os amigos que vem prestigiar os movimentos, projetos, festas e trabalhos realizados pelo nosso coletivo