O apresentador Fernando Faro recebe o grupo Monobloco. Pedro Luís, um dos líderes da banda, fala sobre a revitalização do Carnaval de rua do Rio de Janeiro, que ganhou força graças ao trabalho do grupo. Influenciados por Jorge Ben Jor, Tim Maia e Steve Wonder, o Monobloco mistura várias vertentes em seu trabalho percussivo. O elenco da banda é variável e composto por mais de 20 pessoas, que vão se revezando nas apresentações. Nesta edição do Ensaio, 14 músicos se reúnem no palco.
O Presidente da Viradouro, Marquinhos Lira (Esq.) e Moisés travam batalha em função de um dossiê anonimo elaborado para busca de patrocínio. O carnaval mal começou e já começam as "batalhas" entre as escolas de samba.
Presidentes de escolas acusam Vila Isabel de ter elaborado dossiê para prejudicar busca por patrocínios
Aloy Jupiara, Chico Otavio, Clarissa Monteagudo e Isabel Boechat
RIO - Há uma cisão profunda, quase guerra aberta, entre os presidentes da Viradouro, Marco Antonio Lira de Almeida, o Marquinhos Lira, e da Vila Isabel, Wilson Vieira Alves, o Moisés. Esse conflito, a uma semana do carnaval, expõe divergências entre presidentes das grandes escolas. Como pano de fundo, está um dossiê anônimo endereçado à Petrobras, contendo denúncias contra dirigentes de escolas, com a suposta intenção de sabotar o patrocínio da estatal às agremiações do Grupo Especial. O conteúdo da denúncia foi tema de uma das mais tensas reuniões plenárias da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) em 2008, na qual pelo menos dois representantes apontaram a Unidos de Vila Isabel como origem das acusações. No último carnaval, a Petrobras injetou R$ 12 milhões no desfile do Grupo Especial, divididos igualmente entre as escolas. Mas para este carnaval não veio dinheiro nenhum. Embora o presidente da Liesa, Jorge Castanheira, afirme que o patrocínio foi sustado por conta da crise econômica mundial, alguns presidentes estão convencidos de que o dossiê teve influência na decisão da Petrobras. Castanheira confirmou a reunião que discutiu o dossiê. Segundo ele, o presidente da Portela, Nilo Figueiredo, e o representante da Viradouro, Paulo Roberto Mendonça, o Bambamban, disseram que a denúncia tinha saído da Vila Isabel e questionaram publicamente Moisés. Castanheira conta que Moisés reagiu dizendo: "Estão querendo botar tudo na minha conta", reclamando, em seguida, que no carnaval anterior sofrera a acusação de tentativa de influência de um dos jurados. Moisés nega ter sido questionado na plenária sobre a carta ou que a Vila tenha sido a responsável por sua divulgação. Mas presidentes de escolas detalham a briga e apontam a carta como motivo da falta de patrocínios em 2009: - O Moisés praticamente se entregou dizendo que um gerente da Petrobras é seu amigo, fica hospedado na sua casa de praia, mas que não teve intenção de prejudicar ninguém... A carta com acusações de irregularidades em várias escolas rodou a presidência de várias empresas e praticamente inviabilizou o patrocínio do carnaval de muitas escolas. Apenas a Grande Rio, a Beija-Flor e a Vila Isabel não eram citadas - disse um presidente, que estava na reunião.
*Retirado do Jornal Extra do Rio de Janeiro JORNAL EXTRA
Dando continuidade a esta brilhante coletânea, "Quem samba fica" a contra capa exposta aqui já explica tudo; Wilson Moreira mandando um samba em um botequim em Padre Miguel, Sidney da Conceição fazendo um samba na "birosquinha" de seu João Balbino mandando brasas com a galera do Estácio, Flávio Moreira e Dona Ivone Lara tocando no Castelo Branco, clube de homens na época localizado na Serrinha, Neste clube masculino Dona Ivone era ilma exceção feminina, por que será? E por último porém sempre primeiro Casquinha no botequim do Nozinho, estrada da Portela junto com Candeia e outros bambas. Novamente surge a pergunta: Quem samba fica? FICA. Se liga sambistaIsto é Papo de Bamba. por Crâ
01 - Tiê (Yvonne Lara-Helio Fuleiro) IVONE LARA
02 - O sonho do escurinho (Casquinha) CASQUINHA
03 - Construção de barracão (Sidney da Conceição) SIDNEY DA CONCEIÇÃO
04 - O cansaço da cabrocha (Flavio Moreira) FLAVIO MOREIRA
05 - Meu apelo (Wilson Moreira) WILSON MOREIRA
06 - Mel e mamão com açucar (Wilson Moreira) WILSON MOREIRA
07 - Outro recado (Casquinha) CASQUINHA
08 - Nanae, nana naiana (Sidney da Conceição) SIDNEY DA CONCEIÇÃO
09 - Samba e madrugada (Flavio Moreira) FLAVIO MOREIRA
10 - Agradeço a Deus (Yvonne Lara-Mano Décio) IVONE LARA,
Atenção: Este link encontra-se na Internet através de blogs e não é de responsabilidade dos membros do Projeto 14 Sambas devendo ser deletado de seu micro no período máximo de 24 horas.Recomendamos que adquiram o cd na intenet através de sites como http://www.buscape.com.br/ ou similares preservando os direitos do ator)
"Não conheco samba no alto, só conheço samba no pé" por Tia Eulália
Pipoca e Guaraná é o espaço onde você assiste a curtas sobre a vida de sambistas e figuras ilustres que trabalharam e criaram importantes mudanças em nosso cotidiano, pessoas simples como eu e você que ao acreditarem em si mesmas constroem mudanças importantes, grandes ou pequenas, nos meios aos quais estão inseridos. Neste documentário um pouco da vida de tia Eulália uma das fundadoras da escola Império Serrano. Na casa de Tia Eulália e Seu Nascimento na rua Balaiada, no alto do morro, em 1947 foi fundada a Império Serrano. Tia Eulália é portadora da carteirinha no.1 da escola que defende com todo o fervor. Nos ensaios até tarde da madrugada e no desfile da escola ela estava sempre inspecionando tudo com muito rigor. Jongueira, conheceu a dança quando casou com o Seu Nascimento, mas seu maior interesse sempre foi o samba e a escola Império Serrano, no documentario veremos um pouco desta mulher e de seu papel junto a sua comunidade e o samba da Império Serrano que se destaca no carnval pela gestão democrática implantada desde a fundação da escola. Pega a pipoca e o guaraná.por Fábio
"Nem ideologia, nem critica e nem só folia; quando pessoas surpresas perguntarem o que é nosso bloco? Grite logo, ele é pura alegria!!" por Crâ
Há 4 anos Seu Zaqueu (Zaca) e dona Roseli na casa de nosso "presidente" Pablito acolhem com carinho e alegria os hoje quase 160 foliões participantes do bloco Quilombola na banda da Sapucaia. O bloco acontece graças ao fruto de muita competência e espírito coletivo, dos aproximadamente 70 colaboradores que o rodeiam. Abaixo fotos de "Zaca" e dona Roseli em sua casa sendo coroados pela rapaziada. "Saí, saí da frente, sai que o Quilombola é chapa quente....E que venha a Sapucaia". por Crâ
Por volta de 1968 um certo João de sobrenome Nogueira, conheceu Paulo César Valdez que o levou a presença de sua mãe que não era nínguem menos que Elizeth Cardoso. Encantada ela gravou um dos sucessos de João Nogueira a Música "Corrente de Aço". em seu LP Falou e disse de 1969. Bem aceito pela crítica João em 1969 animado, recebendo o convite do locutor e descobridor de talentos Adelson Alves gravou este primeiro registro fonográfico que o despontaria para todo o país. Conforme comentários de Adelson "É mais um João que veio diferente no cantar samba e fazer verso. É mais uma reza forte nas quebradas, meu compadre" . O primeiro disco solo de João Nogueira só veio ser feito no ano de 1972 pela Odeon. E não para por aí olha o time desta coletânia Maninho, Aniceto do Império, Mário Pereira, Haroldo Melodia, Edalmo da Mocidade, Roberto Ribeiro, Nandinho da Ilha. Conforme Adelzon afirma na contra copa "Nesse disco estão presentes autores e interpretes da nova geração do samba autêntico, e também as esperanças de sobrar pelo mérito" . Isto é Papo de Bamba
LADO 1: 1. Mulher Valente É Minha Mãe (João Nogueira) Intérprete: João Nogueira
3. Vem Raiando o Dia (Delcio Carvalho) Intérprete: Roberto Ribeiro
4. Dora (Aniceto do Império) Intérprete: Aniceto do Império
5. Samba do Beco (Adhemar de A. Vinhaes / Jacaré) - Samba da Gafieira (Adhemar de A. Vinhaes / Jacaré) Intérprete: Haroldo Melodia
6. Caminhante Solitário (Wilmar Costa) Intérprete(s): Nadinho da Ilha LADO 2:
7. Lapa (Waldir 59 / Ari Guarda) Intérprete: Nadinho da Ilha
8. O Homem de Um Braço Só (João Nogueira) Intérprete: João Nogueira
9. Eu Avenida e Você (Jovenil Santos / Paulo Debétio) Intérprete: Roberto Ribeiro
10. Amélia Negra (Clóvis Scarpino / Wilson Moreira) Intérprete: Edalmo da Mocidade Independente
11. Vou Brigar Com Ela (Aurinho da Ilha / Ione do Nascimento) Intérprete: Haroldo Melodia
12. Poeira do Caminho (Marinho da Muda) Intérprete: Marinho da Muda
(Atenção: Este link encontra-se na Internet através de blogs e não é de responsabilidade dos membros do Projeto 14 Sambas devendo ser deletado de seu micro no período máximo de 24 horas.Recomendamos que adquiram o cd na intenet através de sites como http://www.buscape.com.br/ ou similares preservando os direitos do ator)
Vendo estes dias um site renomado que trata sobre carnaval carioca, vi um link que me chamou a atenção. Nele estava escrito "Musas do carnaval carioca e paulista". A curiosidade me fez clicar, porém me estranhou o surgimento de outros links que indicavam diretamente sites de modelos e celebridades globais que desfilariam pelo carnaval de 2009. Tal fato me pôs a pensar de novo na modernização de nossa festa dita então popular. Não sou saudosista, mas o fato de nosso carnaval atual valorizar estremamente a estética feminina de modelos e globais midiáticas que se quer tem contato com a comunidade que representam, e como robôs engessados, sem rebolado e o brasileirissimo samba no pé recebem a nobreza de rainhas, será um fato que sempre me incomodará, pois exemplifica a superficialidade que a cada dia domina o evento. Porém, outro fato me emocionou na mesma semana, mostrando que nem tudo esta perdido. A escola Império Serrano, realizou no ano passado um concurso para escolha de sua nova ala de passistas, onde competiram 150 passistas disputando por 62 vagas. O que seria um disputassímo concurso de exímios sambistas, surpreendeu ainda mais pela presença de Alessandra Torres, 25 anos, esta linda negra da foto ao lado. Alessandra, Deficiente auditiva, com seu talento foi uma das 62 selecionadas para representar a escola no sambódramo. Segundo entrevista com a mãe da passista, Torres consegue requebrar sem perder o ritmo, apenas sentindo a vibração dos instrumentos tocados pelos ritmistas de mestre Átila, usando da inspiração nas amigas, o compasso para continuar "riscando" o chão do sambódramo, enaltecendo a verdadeira mágia do samba. Sem dúvidas Alessandra merecidamente deveria receber uma ordem de nobreza em prol de nosso universo sambistico. Faces de uma mesma moeda que se não cuidada criticamente poderá um dia desaparecer, Salve Madureira. Abaixo um vídeo do ensaio tecnico dos passistas do Imperio onde dá para entender melhor a responsabilidade que é sambar nesta ala e o feito desta brilhante passista.por Fábio
Fernando Faro recebe o cantor Diogo Nogueira. Filho do sambista João Nogueira, Diogo segue os passos do pai interpretando seus grandes sucessos, como “Espelho”, “Batendo à porta” e “Minha missão”. Durante o programa, o artista conta como era a relação entre eles; fala do Flamengo, seu time do coração; e relembra que costumava ir ao Maracanã com o pai. Também mostra sua composição “Samba pros poetas”, uma homenagem aos grandes sambistas. Ainda no repertório, músicas como “Nó na madeira”, “Coração leviano” e “Wilson, Geraldo e Noel”.
Sempre quando a coisa apertava o sambista tinha de dar um "jeitinho" de se embrenhar em novos seguimentos, para "faturar um qualquer a mais" Cartola também passou por este processo através do papel que desenvolveu no filme Ganga Zumba Rei dos Palmares. Um filme de Caca Diegues gravado no ano de 1963. Neste filme participam do elenco o mestre Cartola e sua fiel companheira dona Zica, além da musa da bossa nova Nara Leão. O filme começa num engenho de cana-de-açúcar, no nordeste brasileiro, entre os séculos XVI e XVII. Inspirados pelo Quilombo dos Palmares, uma comunidade de negros fugidos da escravidão, situada na Serra da Barriga, alguns escravos tramam a fuga para lá. Entre eles, se encontra o jovem Ganga Zumba, futuro líder daquela república revolucionária, a primeira de toda a América. Neste longa metragem de aproximadamente 100 minutos percebemos como se deu esta paradoxal aventura daquele que foi o grande ícone do povo negro em uma versão cinematográfica dos anos 60. Descompacte todas as partes primeiro, depois é só juntá-las e assitir este clássico com o mestre do samba Cartola. por Crâ.
A vez e hora de Rildo Hora, com certeza este título indica como se deu o papel e a carreira deste importante gaitista, violonista, cantor, compositor, arranjador e produtor que realizou importantes trabalhos de sambistas como Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Beth Carvalho entre tantos outros; tendo várias de suas composições gravadas e interpretadas por muitos sambistas. Um grande sucesso foi a música "Os Meninos da Mangueira" junto ao compositor Sérgio Cabral. Fez também várias parceriais musicais emocionantes como a que se deu com a cantora Clara Nunes. Produziu trabalhos importantes como de Leci Brandão, Casa de Samba, Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz entre outros. Aqui disponibilizamos um trabalho de 1971 intitulado "A vez e a hora de Rildo Hora", trabalho o qual analiso como uma Bossa Nova regada a influências de um swing de samba rock temperados com a sua inseparável harmônica; um trabalho muito interessante para não se dizer histórico, confere aí. Clique no link e confira ISTO É PAPO DE BAMBA.Crâ
01 - Leonor (Rildo Hora)
02 - Panorama Segundo Rodrigo (Rildo Hora / Antônio Carlos)
03 - Assim na Terra Como no Céu (Nonato Buzar / Roberto Menescal / Paulinho Tapajós)
04 - O Pião (Rildo Hora / Heitor Quintella)
05 - O Empinador (Rildo Hora)
06 - O Saci Pererê (Rildo Hora / Humberto Reis)
07 - A Canoa (Rildo Hora / Sergio Bittencourt)
08 - Tantas Ruas Namorei (Rildo Hora)
09 - Canção Que Nasceu do Amor (Rildo Hora / Clóvis Mello)
10 - Ciranda Terezinha e Passaraio (Rildo Hora)
11 - O Contador de Estórias (Rildo Hora / Gracindo Jr.)
12 - Chorar Pra Que (Rildo Hora)
Atenção: Este link encontra-se na Internet através de blogs e não é de responsabilidade dos membros do Projeto 14 Sambas devendo ser deletado de seu micro no período máximo de 24 horas.Recomendamos que adquiram o cd na intenet através de sites como http://www.buscape.com.br/ ou similares preservando os direitos do ator)
Isto é Sciência!! Garimpeiros do mundo este é Francisco de Assis França ou Chico Science, vendedor de carangueijo e figura que juntou movimentações expontâneas com eruditas, surgindo o movimento Mangue Beach. Cronista do povo e percebedor das necessidade e potencialidades de sua terra, a exemplo de ritimos como choro, samba, bossa nova e o próprio tropicalismo ele ressaltou uma nova cena cultural em Pernambuco, condensando a tradição com a modernidade, e unindo ritmos como hip-hop, funk e soul com o coco, malungo, batuque e jongo, transformando-os em um unico ritmo e por conseguinte revolucionando o cenario social e musical dos anos 90. Como citou em uma de suas composições "criou um satélite levando Recife para o mundo". Ontem, dia 2 de fevereiro, fez exatamente 12 anos que Chico partiu, mas seu legado ainda vive. Em uma sociedade presa ao consumismo e imediatismo, fatores que dificultam percepções de ambiente, fator necessário ao processo de transformação social, o destino fez surgir este talentoso ser, que como uma lanterna psicodélica iluminou e inspirou novos talentos. Como Science afirmou "um passo a frente e você já não esta mais no mesmo lugar". Abaixo um vídeo do fantástico destacando um pouco deste importante cronista pernambucano.por Fabio
Fernando Faro recebe o cantor Daniel Gonzaga, que fala das lembranças de seu pai, Gonzaguinha. Ele conta que quando era criança não sabia da dimensão e da importância de Luiz Gonzaga. As recordações que tem são do avô no seu dia-a-dia com a família, e do pai nas festas de criança. O cantor também comenta sobre seu trabalho recente, “Comportamento Geral”. A idéia, segundo ele, era de tirar uma fotografia de um momento dele cantando a obra do pai. Ainda revela que Gonzaguinha deixou 14 músicas inéditas, dentre elas “Namorar”, que interpreta no programa. No repertório, canções como “Explode Coração”, “Gás Neon”, “Recado” e “O que é o que é”.
O ano de 2008 foi recheado de várias kizombas e dois ótimos projetos, e assim como Paulo Cesar Pinheiro, não poderíamos deixar de destacar esta fígura incrível, conhecida como Adoniran Barbosa. As crianças choravam. Os cães corriam e latiam. Sem saber direito o que fazer, as pessoas tentavam juntar os poucos pertences. Enquanto isso, os tratores se preparavam para demolir mais um cortiço. Nada podia atrapalhar o crescimento de São Paulo, a cidade que nunca pôde parar. Do outro lado da rua, alguém havia interrompido a caminhada e observava, estarrecido, a cena que se tornava cada vez mais comum. Da desgraça e da tristeza, um samba nascia: "Se o sinhô não tá lembrado / dá licença de contá / que aqui onde agora está / esse edifício arto, / era uma casa véia / um palacete assobradado. / Foi aqui seu moço, / que eu Mato Grosso e Joca / construímos nossa maloca, / mas um dia nós nem pode se alembrá / veio os home co'as ferramenta / o dono mandô derrubá". Saudosa Maloca, primeiro grande sucesso de Adoniran Barbosa como compositor, foi criada em uma única noite, enquanto, ainda chocado com o despejo visto horas antes, passeava pelas calçadas já escuras da cidade. A rua era a verdadeira casa de sua obra, síntese de sotaques, de entonações próprias das migrações que sempre povoaram São Paulo. O compositor transformava a experiência do boêmio em música. As palavras do povo, o modo de falar dos mais humildes, tudo encadeado de maneira a criar poesia, novas sonoridades. Nas esquinas de São Paulo, ele encontrava a linguagem em seu estado puro, contando a realidade social por meio de um português vivo e cotidiano. Um português que preferia Marvina a Malvina, muié a mulher, que falava nóis em vez de dizer nós. Quando Adoniran Barbosa chegou a São Paulo, o disco e o rádio desenvolviam-se rapidamente. O rádio, que na década de 20 surgia com características amadoras e uma programação erudita, nos anos 30 mudava totalmente a sua conduta.A música, antes considerada folclórica e inferior, passava a ter status de popular e começava a ocupar cada vez mais espaço na programação. Em 1932, com a legislação da publicidade radiofônica, o meio se profissionalizava e se popularizava. Na capital paulista, Assis Chateaubriand fundava, em 37, a Rádio Tupi, unindo o novo meio ao jornal (Emissoras e Diários Associados). Mas a grande líder de audiência era a Record, a primeira emissora do país a constituir um elenco fixo. E nele se encontrava de tudo. Cantores de rua e de circo, maestros com formação acadêmica, "maestros de assobio", vendedores, atores, aventureiros sem profissão, intelectuais. O rádio era então o centro de todo sistema de comunicação de massa que começava a se formar. Nesse meio se movimentou Adoniran Barbosa, tanto como humorista quanto como sambista. Mas, nos dois casos, procurando esconder a dor de ver as mudanças da cidade que tanto amava, de ver o fim dos laços de solidariedade entre vizinhos e a destruição dos espaços urbanos que possibilitavam o encontro e a festa entre as pessoas. Todo o processo de criação de Adoniran era acompanhado de perto e incentivado pelo amigo e parceiro Oswaldo Molles. Era ele quem enviava Adoniran para longos passeios pelas redondezas, para observar e extrair histórias para seus programas. Também foi Molles quem deu chance para Adoniran interpretar diversos tipos. A parceria dos dois deu tão certo que, em 1946, a imprensa chamava Adoniran de "o milionário criador de tipos" e, Molles, "o milionário criador de programas". Nesse ano, o compositor fazia nada menos do que dezesseis interpretações diferentes.
Com o passar dos anos, o envolvimento de Adoniran com o rádio se tornou tão grande que, em abril de 53, sua agenda era a seguinte: segunda, interpretava o humilde marido Confúcio das Dores em Solteiro é melhor; na terça, trabalhava no programa Convite ao samba; na quarta, em Show Castelo e Vale o quanto pesa; na quinta, em Presença do Trio; na sexta, em O crime não compensa; no sábado, em Sítio do Bicho de Pé e no domingo, em A grande filmagem. Nesse último, trabalhava ao lado de nomes como Anselmo Duarte, Ilka Soares, além de duas orquestras e cantores, tudo sob a direção de Blota Jr.Em 1955, após o lançamento de Saudosa Maloca, estreou como o personagem Charutinho, em Histórias das Malocas, radiocontos escritos e dirigidos por Oswaldo Molles. O ex-mascate, ex-pintor de paredes e ex-quase tudo transformava-se no desocupado malandro morador do Morro do Piolho, pronto para mais uma viagem costeira pelo mundo dos humildes, como definia o próprio programa. Apesar de uma certa idealização das malocas, História das Malocas não mostrava um passado belo, mas sim um presente degradado: "Esta é a minha maloca, manja? Mais esburacada que tamborim de escola de samba em Quarta-feira de Cinzas. Onde a gente enfia a mão no armário e encontra o céu. Onde o chuveiro é o buraco da goteira. Não tem água de zinco. Às veis a gente toma banho de bacia e se enxuga com a toalha do vento. E quando não tem água a gente se enxuga antes de tomá banho", falava Charutinho. As críticas sociais eram constantes. Como no episódio em que a comunidade do Morro do PioIho decide fazer uma eleição e a urna é roubada. Ou em outro, em que os moradores resolvem sair para procurar emprego e só encontram um. Para ocupar essa vaga, escolhem Charutinho, o mais preguiçoso e vadio da turma. Já no departamento pessoal da empresa, o malandro é obrigado a um ir e vir sem fim, trazendo atestados, documentos e vacinas. "Eu tenho que tirá tanta coisa pra trabaiá, que eu vô boquejá pa turma do Morro, pa vê se por motível das dificurdádias..." Ajudado pelo pessoal do Morro, ele finalmente consegue ser empregado.No primeiro dia de trabalho, todos querem levar Charutinho até a porta da fábrica. Lá, a confusão: o pessoal é proibido de entrar e Charutinho, revoltado, faz um inflamado discurso e é demitido. A crítica não é contra o trabalho, mas contra o sistema que o transforma em algo sombrio e sem vida, longe da festa e da diversão. É impossível separar o radioator do compositor. Se a História das Malocas surgiu a partir de uma de suas músicas, seus sambas se embebiam no universo do programa de rádio. A partir de 1955, o Brasil se abria para os bens de capital estrangeiros e acelerava o processo de industrialização. Era época de euforia, de "50 anos em 5", era o governo JK. Juscelino Kubitschek queria a qualquer custo modernizar a produção, ampliando a indústria pesada e o setor de bens de consumo duráveis. A sociedade se motorizava e a economia nacional era cada vez mais integrada aos grandes monopólios internacionais. As mudanças na paisagem do centro de São Paulo eram visíveis para qualquer um. Especialmente para Adoniran, acostumado a andar diariamente por todas aquelas ruas, de boteco em boteco, entre um traguinho de pinga, um cigarro e um sambinha com os companheiros. Já não existiam o romantismo e a poesia dos primeiros tempos, o progresso chegava, arrastando tudo o que estivesse em seu caminho. São Paulo já não sabia mais adormecer. Não que aquilo deixasse o compositor triste.
Ele entendia que novos tempos estavam chegando, que os tipos que cantara em tantos sambas e que encarnara em tantos programas de rádio em pouco tempo deixariam de existir. "Progréssio / progréssio / eu sempre escuitei falá...", dizia uma de suas músicas. Mas também podia se sentir recompensado: graças a ele o passado estava eternizado, com seus Arnestos, com as saudades de destruídas malocas, com o trem que, às onze horas, deveria levar o namorado de volta ao Jaçanã. Adoniran Barbosa viu todas as mudanças que a cidade sofreu. E ninguém soube cantá-las como ele, sempre a partir do ponto de vista dos excluídos, dos marginais, dos párias da sociedade. Ele só entendia a composição assim: como a voz dos mais humildes, com uma voz que era a sua mais do que de ninguém. Ele que nunca cursara mais do que a terceira série do primário e que, antes de tentar ser artista, trabalhara em diversas profissões. Ele foi percebendo e vivendo as mudanças por que passava a cidade. Em 1951, gravaria Saudosa Maloca, pela Continental. A música, porém, só faria sucesso em 55, na interpretação dos Demônios da Garoa, que também gravaram o Samba do Arnesto. Aos poucos, com o reforço dos Demônios, sua vida artística foi evoluindo. Ainda em 55, duas reportagens publicadas na Revista do Rádio traziam os títulos: "Só faltava fazer sambas... e Adoniran também fez" e "Humorista faz músicas tristes". A fama chegava tarde na vida do compositor; o dinheiro, no entanto, não chegaria nunca. Por um lado, porque Adoniran continuava ganhando mal na Record e, por outro, porque não dispensava uma pinga no fim do dia, continuando tão boêmio e mulherengo quanto no início da carreira. Uma das alternativas para aumentar o orçamento no fim do mês foi levar a trupe radiofônica para os circos da periferia da cidade. Matilde, sua esposa, contava que ela era a responsável por depositar o dinheiro arrecadado durante aqueles espetáculos circenses: uma enorme quantidade de notas miúdas, sujas, que mais de uma vez o caixa bancário se negou a aceitar. "Acontece que a gente era muito pobre, porque ninguém fazia shows como hoje. Adoniran só cantava em circo e, de vez em quando, no Cine-Teatro Colombo, lá no Brás, ou no Coliseu, no Largo do Arouche", lembra a companheira do compositor. O impulso dado na carreira de Adoniran e o sucesso de História das Malocas dá uma diminuída a partir de 1958. A audiência do programa começa a cair e o samba passa a sofrer a concorrência de um novo movimento musical, marcado pela influência do jazz norte-americano, que logo ficaria conhecido como bossa nova. João Gilberto gravava Chega de saudade e transformava o cenário da música brasileira. Apesar do clima pouco favorável, Adoniran continuava com suas andanças e suas composições. Músicas que vão registrando passo a passo a vida da maloca, que também vai acompanhando o ritmo imposto pelo progresso. Em 1959, Abrigo de Vagabundo contava o início de uma nova maloca, perto da Mooca. Porém, em 1969, vem Despejo na favela. "Dispois o que eu tenho / É tão pouca mudança / É tão pequena / Que cabe no bolso", diz o morador diante do oficial que Ihe mostra a ordem de despejo. Mas é em 65 que Adoniran dá mais uma guinada e volta a caminhar pelos trilhos do sucesso: é a vez de Trem das Onze. Lançada no meio do ano pelos Demônios da Garoa, a música chegou forte no Carnaval do ano seguinte, tomando conta do povo nas ruas, cantada com entusiasmo pelos foliões. Cada vez mais respeitado como compositor, Adoniran vinha enfrentando problemas em sua carreira de radioator desde 64, com o suicídio do amigo e parceiro Oswaldo Molles. Era o fim da História das Malocas e das aventuras de Charutinho, que sairiam do ar definitivamente em 68. Por ter horror a pequenas platéias, o artista também já quase não fazia mais shows em circos - estes não mais atraiam o mesmo público de antigamente. Adoniran passou a ser marginalizado na Record. Todos os dias chegava no trabalho, procurava seu nome na escalação do dia e não encontrava nada. Sem ter o que fazer, ia para o bar e ficava papeando. Novas histórias, novas músicas. Compor passou a ser sua grande meta. E, na sua obra, dois bairros paulistanos se destacavam: o Brás e o Bixiga. O primeiro, com suas casas velhas, seus cortiços superpovoados e as ruas em franca decadência. O Bixiga, com as cantinas italianas, o clima camarada e amigo, o lugar onde Adoniran reencontrava suas origens. Suas músicas se tornavam cada vez mais reportagens, crônicas de costumes e de época. Com o passar dos anos, já não podia mais sair à noite. Anos de garoa noturna, sem chapéu e sem casaco, lhe trouxeram um enfisema pulmonar que o acompanhou até o fim da vida. Reclamava: "Eu que sempre fui um homem das ruas quase não saio mais de casa". Aos poucos, a noite deixou de lhe pertencer. Cada vez era mais difícil criar coisas novas. E as composições antigas aos poucos iam sendo deixadas de lado pelas rádios, preocupadas em tocar bossa nova e depois o iê-iêiê. Isso também era motivo de mágoa: "Por que não tocam mais minhas músicas? Afinal, todos dizem que sou um bom compositor", queixava-se às vezes. Todos esses inconvenientes tumultuaram os últimos anos de vida de Adoniran Barbosa. Em entrevista ao jornal Diário Popular, declararia: "Nada meu foi conseguido com facilidade. Tudo parecia como se eu quisesse entrar num elevador e, embora havendo lugar, o cabineiro que não ia com a minha cara logo dizia: Tá lotado...". Persistência que finalmente lhe trouxe o reconhecimento merecido. Tardio, especialmente para quem sempre lutou por uma chance de brilhar. Mas não menos saboreado por isso. Quando começou a ser chamado para entrevistas e outras homenagens, em meados da década de 70, não pensava duas vezes antes de aceitar. Gostava da popularidade, dos refletores das televisões, e de estar em evidência. Era assim com 20 anos de idade, foi assim aos quase 70. Apesar de ainda reclamar da demora em vencer como artista, dizia-se satisfeito: "Eu sou um homem feliz. Fiz tudo o que quis na vida, mesmo com atraso... Só não fiz teatro porque agora já não tenho mais coragem. O teatro é duro, tem que ser cara a cara com o público... Mas fiz novela, e é uma parada, pois a gente tem que chegar cedinho, cinco, seis horas da manhã, e não se sabe a que horas sai, nem se almoça ou janta... É trabalho para leão. Ainda mais para mim, que sempre gostei da madrugada, não dá certo, pois assim eu não durmo... Eu gosto de fazer publicidade, quando me pagam direitinho". Com os anos, o enfisema pulmonar que o maltratava foi piorando. Mesmo assim, queria continuar andando, queria ver o Carnaval, o samba e o povo nas ruas. Em 82, após algumas internações, veio a caminhada final. Adoniran morreu num hospital, na avenida Santo Amaro zona sul de São Paulo, com Matilde sempre a seu lado. Imortalizado em sons e em imagens de uma música que continua cantando com humor as desgraças do dia-a-dia. Atual sempre. A cidade que ele retratou não é mais a mesma, mas a dor e a miséria humanas continuam iguais.
Fontes: "memórias da mpb" - Samira Prioli Jayme; Cifrantiga - História da MPB e Cifras; MPB Compositores - Ed. Globo; Enciclopédia da Música Brasileira - Art Ditora PubliFolha.
Foto: Bloco Quilombola ao lado da Sapucaia antes da descida
Todo ano a uma semana do carnaval acontece na cidade de Piracicaba a tradicional Banda da Sapucaia e este ano a Banda da Sapucaia vai descer no dia 14 de fevereiro. O evento foi idealizado por moradores e freqüentadores do Bairro Alto e foi criado para reverenciar o símbolo do bairro, a centenária árvore Sapucaia que anualmente embeleza o Natal do nosso município. No primeiro ano desfilaram aproximadamente 100 foliões percorrendo na contramão vários quarteirões, em um trajeto que vai da Rua Moraes Barros até o largo da Santa Cruz contornando a praça Bonga e Daniel, situada na mesma rua Moraes Barros, e terminando em frente ao Estádio de futebol Barão de Serra Negra; ponto onde ocorre a concentração. O evento ao longo de seus "12 anos" de existência cativou muitos foliões. Segundo Denis, que já foi um dos organizadores do evento, "a Banda da Sapucaia se tornou a maior referência de carnaval democrático, familiar e despretensioso de nossa região"; prova disto são os 8000 foliões que ultimamente tem prestigiado o evento. Outro fato que começa a se desenvolver nesse ambiente de muita alegria e criatividade são os blocos carnavalescos. No início discretos, hoje os blocos da Sapucaia passam a ser uma das principais atrações do carnaval piracicabano. Ao melhor estilo dos antigos blocos carnavalescos estes foliões recheiam as ruas com muita criativadade e alegria. Um dos maiores blocos do evento é o Bloco da Comunidade Quilombola, composto por aproximadamente 150 foliões. Segundo Denis um dos organizadores do bloco "todo ano o bloco objetiva homenagear um membro da Comunidade Quilombola ao longo do seu desfile, onde este sendo caricaturizado em camiseta , recebe uma homenagem como demostração de sua importância dentro da comunidade Quilombola". Manifestações espontâneas como essa são vitais para a manteneção do espírito de folia e alegria no carnaval que a cada ano, infelizmente vai perdendo seu cunho de manifestação popular. Abaixo um vídeo da banda da Sapucaia do ano de 2007 (Colaboração Dênis - bloco Quilombola).por Crâ
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No último dia 09 de janeiro Dona Edith aos 94 anos, foi sambar no céu; esta mulher humilde que através de um prato e faca levou para todo o Brasil o fascínio do samba de roda do Recôncavo Bahiano. Costureira ocasional e festeira inveterada , desde pequenina Dona Edith aprendeu a tocar o seu prato aperfeiçoando-o no decorrer dos anos. Segundo ela, "para tirar um som ideal do samba de roda do recôncava bahiano, o prato deve estar aliado a uma faca de inox sem cabo", relata com muita humildade. Pessoa muito próxima do clã dos Velloso, Dona Canô, mãe de Caetano Velloso, declarou no dia da morte de Edith: "Santo Amaro perdeu uma pessoa de boa índole e que ajudou a projetar a cidade. Ultimamente Edith perdeu a força e deixou de tocar prato. Deu nome a Salvador e à Bahia. Uma voz que se calou no Recôncavo e deixa muitas saudades” . Dona Edith participou do disco Araçá Azul, de Caetano Veloso, de quem foi mãe de leite, e aos 86 anos de idade, gravou o próprio CD, Dona Edith do Prato e Vozes da Purificação, produzido pelo cantor e compositor J. Velloso, com patrocínio do governo do Estado. Infelizmente ela executou poucas apresentações, embora relatos de pessoas que a assistiram , falem que em todas elas era impossível conter a emoção e a interação no espetáculo quando chulas, sambas-de-roda e lundus eram apresentados. Na humildade de dona Edith do Prato o Brasil conheceu um pouco mais da cultura regional de São Gonçalo, esta que em toda sua vida, apesar do importante papel desenvolvido, jamais se considerou uma artista de renome e nunca utilizou o talento com o prato como profissão. No vídeo abaixo uma apresentação de Dona Edith em São Paulo com o grupo Vozes da Purificação. Uma pequena homenagem à uma grande sambista. E no link rosa ao lado vocêr pode baixar seu único trabalho com a participação de vários ícones da MPB ISTO É PAPO DE BAMBA.Que Deus sermpre a ilumine.por Crâ (Atenção: Este link encontra-se na Internet através de blogs e não é de responsabilidade dos membros do Projeto 14 Sambas devendo ser deletado de seu micro no período máximo de 24 horas.Recomendamos que adquiram o cd na intenet através de sites como http://www.buscape.com.br/ ou similares preservando os direitos do ator)